A candidatura Dilma Rousseff é gerada por dentro da trajetória de 8 anos do conjunto das forças sociais, econômicas e políticas vitoriosas nas eleições presidenciais de 2002. Como cidadão e militante na política pública de Saúde, nela votarei, porque sou testemunha de:

1 - Irrefutável avanço social a partir das transferências de renda à maioria da população pobre, por meio das correções do salário mínimo de acordo com a inflação ou acima, que desencadeou inúmeros outros ajustes na renumeração do trabalho com referência no salário mínimo, além do bolsa família para 13 milhões de famílias.

2 – Este avanço, além de justíssimo para a inclusão social e conquista de cidadania, elevando o poder de compra, a qualidade de vida e vida e de Saúde, retomou uma política de Estado que foi paralisada desde o golpe militar de 1.964, que era desenvolver o mercado interno de bens e serviços enquanto estratégia inabdicável do desenvolvimento nacional, com novos patamares de produção para melhor enfrentamento do complexo mercado externo e das crises econômico - financeiras internas e externas. Esta foi a real e grande diferença com os governos anteriores.

3-
Estou certo de que o conjunto das forças sociais e políticas em torno da candidatura Dilma, são bem mais sensíveis para o fato de que as políticas públicas vinculadas aos direitos básicos humanos constantes na Carta das Nações Unidas e em nossa Constituição Federal – Saúde, Educação, Previdência e Assistência Social, Segurança Pública, e outros – devam ser realizadas por meio de sistemas públicos de oferta universal de serviços como acontece nas sociedades mais desenvolvidas e de processo civilizatório mais avançado.

4- Sabem que estas sociedades e seus Estados formulam e controlam conjuntamente estes sistemas públicos, que passam a ter a preferência e opção de 90% em média de toda a sociedade, devido à sua acessibilidade, qualidade e eficiência. São os sistemas públicos que vão do Canadá ao Japão e outros países do oriente, passando pelos países europeus, que historicamente aprenderam que o mercado se refere somente aos direitos dos consumidores, e que para a assunção dos direitos humanos e de cidadania, somente os Estados democráticos e sob controle democrático permanente, estão obrigados, permanecendo o mercado na Saúde em caráter suplementar.

5- Estou certo, finalmente, que será no seio desse conjunto de forças sociais e políticas da candidatura Dilma, e não dos governos dos anos 90, que haverá espaços para a superação da herança chocantemente anti - social, anti – cidadã e anti – Estado democrático, que é a hegemonia do mercado e das variadas e perversas formas de terceirizações privatizantes anti – públicas e até pré – republicanas, entranhadas nos respectivos sistemas públicos, inclusive às custas de polpudas renuncias fiscais e outros subsídios públicos.

 

Nelson Rodrigues dos Santos

Médico – Sanitarista, diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde- CEBES, ex- Secretario Municipal e Estadual de Saúde e ex- Secretario Executivo do Conselho Nacional de Saúde.