Jornal inglês diz que Dilma é "uma líder extraordinária"
September 28, 2010 - No comments yet
Jornal inglês diz que Dilma é "uma líder extraordinária"
O jornal The Independent destacou neste domingo que o Brasil se prepara para eleger no próximo final de semana a "mulher mais poderosa do mundo" e "uma líder extraordinária". As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% - sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Jornal também afirma que candidata tem sofrido ataques em uma campanha impiedosa de degradação patrocinada pela mídia brasileira.
por Hugh O'Shaughnessy - The Independent
A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.
Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff irá se tornar mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.
Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa uma vez tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.
A senhora Rousseff, a filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% - sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.
Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.
Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.
Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.
Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamaram “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.
A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.
Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.
Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.
Ela tinha mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.
Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.
A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.
Tradução: Katarina Peixoto
Fonte: Carta Maior
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Exclusão Social e Benefícios Privados na Educação em SP
September 28, 2010 - No comments yet
desenho de Carlos Latuff
Exclusão Social e Benefícios Privados na Educação em SP
Quais seriam os três livros ou autores que José Serra declarou que colocaria à mercê dos jovens estudantes brasileiros, caso eleito? A julgar pelos critérios utilizados para eleger a bibliografia dos professores e alunos da rede estadual de ensino de São Paulo, poderíamos dar como certa a substituição de Machado de Assis, Jorge Amado e Guimarães Rosa por luminares do porte de Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e Reinaldo Azevedo. O artigo é de João Paulo Cechinel Souza.
por João Paulo Cechinel Souza (*)
A gestão demotucana no Estado de São Paulo tem sido marcada por profundas e contundentes transformações nas áreas consideradas fundamentais para a verdadeira emancipação individual de todos os cidadãos: Saúde e Educação. Na primeira, conforme trouxemos em artigos anteriores publicados neste sítio eletrônico, temos os exemplos catastróficos das Organizações Sociais substituindo a administração direta do Estado, o pouco incentivo dado à implementação da Estratégia de Saúde da Família, além da carência de leite artificial oferecido aos filhos de mães HIV-positivo na Prefeitura de São Paulo e da incapacidade gerencial para lidar com populações excluídas por definição, como os dependentes do crack e outras drogas ilícitas. Entretanto, é na Educação que as últimas administrações estaduais paulistas e a federal dos tempos de FHC cometeram seus maiores pecados.
Naquela época (Era FHC), o Estado e a Universidade brasileiros viveram períodos de recursos escassos, exíguos. Em todos os âmbitos político-administrativos, tentou-se apregoar e fazer valer a ideia do “Estado Mínimo”, de retirada da responsabilidade do Estado sobre os setores sociais fundamentais – entre os quais se enquadram justamente a Saúde e a Educação. Nunca na história brasileira se investiu tão pouco no ensino superior. Apesar das sucessivas greves de funcionários e professores, ainda assim, FHC, Paulo Renato de Souza (então Ministro da Educação) e José Serra (Ministro do Planejamento à época) insistiam em reduzir as parcas somas voltadas ao ensino de graduação e pós-graduação nas Universidades Federais brasileiras. Mesmo com a sensível reversão do quadro depois da saída do demotucanato da administração federal, infelizmente no Estado de São Paulo a situação não mudou muito – ao contrário, piorou ainda mais, vez que professores e funcionários de outros níveis de ensino também passaram a ser atacados.
Os ataques vieram naquilo que se constitui o ponto mais suscetível dessa categoria profissional: sua remuneração. Em outubro do ano passado, o então governador José Serra, conseguiu aprovar na Assembleia Legislativa do Estado (ALESP) o fatídico Projeto de Lei Complementar (PLC) 29, de sua autoria. Tal Projeto, um primor de inconstitucionalidade, trouxe entre seus itens mais nefastos a perda da isonomia salarial dentre os professores estaduais de São Paulo – apenas 20% dos professores da rede estadual de ensino teriam condições de alçar alguma melhoria em seus dividendos, segundo o PLC. Naqueles dias, de intensa mobilização da categoria, José Serra impediu a realização de diversas assembleias desses nobres e resistentes profissionais, demonstrando publicamente seu caráter democrático e republicano. (A propósito, ao final do artigo são citados os nomes dos 48 deputados estaduais que trabalharam contra os professores – favoráveis ao PLC 29 – e também os 21 deputados que votaram contra o referido Projeto.)
Sempre trabalhando sob a ótica de sua (pseudo)democracia – e com o auxílio de alguns representantes da grande imprensa, há poucos meses, Serra reprimiu com extrema violência a manifestação dos funcionários em greve da Universidade de São Paulo, que reivindicavam 6% de aumento salarial. Reinaldo Azevedo, um dos principais articulistas da revista Veja e ícone do mundo bizarro na rede mundial de computadores, resumiu de forma categórica a lamentável ação, tecendo loas ao então governador tucano como “método de resolução de conflitos – a borrachada constitucional, desferida pela democracia de farda”. Atitudes como essas correspondem à participação vexatória do ex-governador paulista na Assembléia Constituinte de 1988, quando votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas ou se absteve de votar na hora de decidir o direito de greve, o abono de férias ou mesmo a garantia de salário mínimo real.
Contudo, não são de hoje as deferências e subserviências levadas a cabo pela Revista Veja, a Editora Abril e suas outras publicações em relação às administrações demotucanas, seja no âmbito federal, seja no estadual. Cabeça dum segmento da grande imprensa brasileira, a Editora Abril (e sua principal publicação, a Revista Veja) há muito tempo deixou de lado o verdadeiro jornalismo, mesmo que partidário e parcial, mas pelo menos apurador dos fatos, para trabalhar de forma leviana com o objetivo de manter seus sustentáculos e mantenedores dentro da máquina do Estado.
Desde a Era FHC, a referida Editora vem recebendo volumosas quantias financeiras oriundas do erário público, seja em seu próprio nome, seja em nome da Fundação Victor Civita (nome do fundador da Editora e pai do atual presidente, Roberto Civita) – segundo nos informa o Diário Oficial da União (DOU) da época.
Constam lá, por exemplo, as publicações em que o então Ministro da Educação (e hoje Secretário da Educação de São Paulo), Paulo Renato de Souza, oficializa uma mal definida “assistência financeira, no âmbito da Educação Fundamental, à Fundação Victor Civita – SP” (DOU 21/12/2001) ou a “Aquisição de 153.218 exemplares de cada uma das 10 edições do periódico Nova Escola, no período de 11/04/2000 a 05/04/2001” (DOU 26/04/2000).
Podemos encontrar também o nome do atual presidente da Editora sendo agraciado com a Ordem do Rio Branco – Grau de Grande Oficial (DOU 31/05/2002), título este concedido pelo governo brasileiro a parlamentares, ministros do Supremo Tribunal Federal e Tribunais Superiores, Presidentes de Assembleias Legislativas, além de alguns militares de carreira. Seu objetivo, por definição, seria estimular a prática de ações e feitos dignos de menção honrosa e distinguir serviços meritórios e atitudes cívicas. Não encontrei em minha memória qualquer feito que pudesse justificar a designação de tal honraria ao citado cidadão. Ao buscar relação entre esses cargos e a posição ou mesmo participação social daquele indivíduo na rede mundial de computadores, não obtive quaisquer resultados até o momento em que escrevo este artigo. Espero que pelo menos FHC e seu séquito (que inclui o próprio Roberto Civita) tenham a resposta que não obtive.
Delegado ao passado (quase) remoto da administração federal, o demotucanato manteve na administração estadual a promiscuidade com a referida Editora, como demonstram as publicações do Diário Oficial (DO) do Estado (apenas) do período entre outubro de 2007 e junho de 2009, que trazem a transferência de quase 35 milhões de reais aos cofres da Editora Abril – na verdade, R$ 34.704.472,52. Este valor refere-se à compra, entre outras coisas, de 220 mil assinaturas da Revista Nova Escola (o que significa quase 25% da tiragem total da revista) e 1, 385 milhão de exemplares do Guia do Estudante – boa parte constituída de edições antigas.
Essas transferências pecaminosas aos cofres privados da Editora Abril e da Fundação Victor Civita, mais uma vez, do dinheiro destinado ao aprimoramento da educação no Estado de São Paulo motivou, inclusive, uma ação encaminhada ao Ministério Público Estadual pelo deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e resultou no inquérito civil número 249/2009. Segundo o Promotor Antonio Celso Campos de Oliveira Faria, designado para o caso, “houve a imposição de um único título aos professores da Rede Estadual de Ensino, beneficiando de forma inequívoca uma determinada instituição privada”.
Para completar, cabe-nos mencionar ainda a criminosa política educacional do Estado-objeto deste artigo ao transformar a bem sucedida proposta de progressão continuada (que já fazia parte dos currículos de vários municípios) em “aprovação automática”. Tal mudança, que institucionalizou a ignorância, terminou por delegar aos estudantes da Rede Estadual de Ensino a pecha de “analfabetos funcionais”, já que não têm suas deficiências corrigidas antes de receberem o certificado pela conclusão de seu ciclo estudantil e permanecem sem conseguir interpretar uma frase simples.
Seus defensores têm o objetivo claro de manter na exclusão aqueles que sempre estiveram nessa condição, já que também se esqueceram de trazer a comunidade para discutir propostas dessa magnitude, apartaram os docentes dum efetivo plano de formação permanente e elevação salarial e praticam a desintegração do Estado de São Paulo em relação ao resto do país, como se o indivíduo (estudante e/ou professor) não estivesse inserido num contexto maior.
Como vemos, a única forma de inclusão praticada pelo demotucanato paulista consiste apenas e tão-somente em beneficiar seus pares e sua imprensa – e manter afastados os interesses do povo, lamentavelmente. Resta-nos ainda o exercício mental de imaginar quais seriam os três livros ou autores que José Serra declarou que colocaria à mercê dos jovens estudantes brasileiros, caso eleito. A julgar pelos critérios utilizados para eleger a bibliografia dos professores e alunos da Rede Estadual de Ensino de São Paulo, poderíamos dar como certa a substituição de Machado de Assis, Jorge Amado e Guimarães Rosa por luminares do porte de Diogo Mainardi, Arnaldo Jabor e, logicamente, Reinaldo Azevedo.
(*) João Paulo Cechinel Souza é médico especialista em Clínica Médica, residente em Infectologia do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo) e colaborador da Carta Maior.
Deputados que votaram CONTRA os professores – A favor do PLC 29
DEM
Edmir Chedid, Estevam Galvão, João Barbosa de Carvalho, Milton Leite Filho
PDT
José Bittencourt, Rogério Nogueira
PMDB
Baleia Rossi, Jorge Caruso, Uebe Rezeck, Vanessa Damo
PP
Mozart Russomano
PPS
Alex Manente, Davi Zaia, Roberto Morais, Vitor Sapienza
PRB
Gilmaci Santos, Otoniel Lima
PSB
Ed Thomas, Jonas Donizette, Luciano Batista, Marco Porta, Vinícius Camarinha
PSC
Said Mourad
PSDB
Analice Fernandes, Bruno Covas, Cassio Navarro, Celino Cardoso, Celso Giglio, Fernando Capez, Geraldo Vinholi, Hélio Nishimoto, José Augusto, João Caramez, Maria Lucia Amary, Mauro Bragato, Milton Flávio, Paulo Barbosa, Pedro Tobias, Roberto Massafera, Rodolfo Costa Silva, Samuel Moreira, Vaz de Lima
PTB
Campos Machado, Roque Barbieri, Waldir Agnello
PV
Camilo Gava, Edson Giriboni, Reinaldo Alguz
Deputados que votaram A FAVOR dos professores (e contra a PLC 29)
PCdoB
Pedro Bigardi
PDT
Olímpio Gomes
PSOL
Carlos Giannazi, Raul Marcelo
PT
Adriano Diogo, Ana Perugini, Antônio Mentor, Beth Sahão, Carlinhos Almeida, Donisete Braga, Enio Tatto, Fausto Figueira, José Cândido, José Zico Prado, Marcos Martins, Maria Lúcia Prandi, Roberto Felício, Rui Falcão, Simão Pedro, Vanderlei Siraque, Vicente Cândido
Fonte: Carta Maior
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Faltam mulheres na política
September 28, 2010 - No comments yet
Faltam mulheres na política
por Milton Nogueira
Distopia é a utopia que deu errado. No Brasil, temos a distopia da baixíssima presença de mulheres nas câmaras de vereadores, assembleias e senado; de tão pequeña, é como não existissem. Há uma lei que obriga partidos a reservarem 30% das listas de candidatos para candidatas mulheres, mas há enorme dificuldade em preencher nem mesmo essa cota. Entre nossos políticos, apenas 5% são mulheres, dez vezes menos do que seria uma boa representação da vontade dos cidadãos.
Por que está assim? As mulheres têm melhores coisas que fazer? Sentem-se ameaçadas pela violência e virulência de campanhas eleitorais? Falta-lhes dinheiro? Os partidos não as querem e nem as entendem? São discrimadas por machismo de eleitor?
Nos países europeus, de cada dez políticos eleitos, dois são mulheres. Na Escandinávia, é quase um para um. Na Suecia, com 47%, as mulheres teem horario especial no parlamento, para amamentar e cuidar da familia. Esses países resolveram, há décadas, problemas que o Brasil ainda tem, principalmente em áreas sociais, de família, educação, saúde e de interesse comunitário.
Muitos reconhecem que mulheres têm uma capacidade enorme de intuir soluções para questões sociais, de criança, educação, integração de minorias, questões de família e moradia. São exímias negociadoras, inclusive em política internacional. Na crise, são insuperáveis. Mas, apesar disso, os eleitores não votam nelas. É uma distopia, ou seja, o que poderia existir não existe, por alguma razão misteriosa.
Agora que temos duas mulheres candidatas a presidenta da republica, podemos tentar coisas novas. Distopia corrige-se com ações positivas, corretivas e incentivos, e menos com recriminações e desculpas. Assim, listei as ideias que amigos e jornalistas sugerem para engajar mais mulheres na política. Com o tempo, o povo veria o valor das mulheres na política. Evidentemente, para cada proposta haveria lei específica. Por favor, vejam artigo na CartaCapital de 5 de maio, sobre voto contrario.
- Sortear, para cada câmara de vereadores, uma mulher entre as eleitoras do município. Em cada uma das 5.600 câmaras haveria pelo menos uma mulher.
- Criar horarios e condições para mulheres conciliarem política com profissão ou mesmo cuidar de família, filhos, escola, saúde.
- Reservar uma vaga, nas câmaras de vereadores, para a candidata mais votada entre as que não conseguiram lugar na câmara. Tal como uma coringa.
- Dar-lhes autoridade para fiscalizar ou corrigir certos atos e fatos da câmara em que estejam. Um especie de ouvidora.
Fonte: Carta Capital
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Cureau, a censora
September 28, 2010 - No comments yet
Conta-se aqui uma história insolitamente verdadeira de uma tentativa de assalto à liberdade de imprensa. Vale insistir: esta é autêntica.
Por Mino Carta
Permito-me sugerir à doutora Sandra Cureau, vice-procuradora-geral da Justiça Eleitoral, que volte a se debruçar sobre os alfarrábios do seu tempo de faculdade, livros e apostilas, sem esquecer de manter à mão os códigos, obras de juristas consagrados e, sobretudo, a Constituição da República. O erro que cometeu ao exigir de CartaCapital, no prazo de cinco dias, a entrega da documentação completa do nosso relacionamento publicitário com o governo federal nos leva a duvidar do acerto de quem a escolheu para cargo tão importante.
Refiro-me, em primeiro lugar, ao erro, digamos assim, técnico. Aceitou uma denúncia anônima para proceder contra a revista e sua editora. Diz ela conhecer a identidade do denunciante, acoberta-o, porém, sob o manto do sigilo condenado pelo texto constitucional e por decisões do Supremo Tribunal Federal. Protege quem, pessoa física ou jurídica, condiciona a denúncia ao silêncio sobre seu nome. Ou seja, a vice-procuradora comete uma clamorosa ilegalidade.
Há outro erro, ideológico. Quem deveria zelar pela lisura do embate eleitoral endossa a caluniosa afronta que há tempo é cometida até por colegas jornalistas ardorosamente empenhados na campanha do candidato tucano à Presidência. A ilação desfraldada a partir do apoio declarado, e fartamente explicado por CartaCapital, à candidatura- de Dilma Rousseff revela a consistência moral e ética, democrática e republicana dos acusadores, ou por outra, a total inconsistência. A tigrada não concebe adesão a uma candidatura sem a contrapartida em florins, libras, dracmas. Reais justificados por abundante publicidade governista.
Sabemos ser inútil repetir que a publicidade governista premia mais fartamente outras publicações. Sabemos que José Serra, ainda governador, mas de mira posta na Presidência, assinou belos contratos de compra de assinaturas com todas as maiores empresas jornalísticas do País, com exceção, obviamente, da editora de CartaCapital. Sabemos que não é o caso de esperar pela solidariedade- dos patrões da mídia e dos seus empregados, bem como das chamadas entidades de classe, sem falar da patética Sociedade Interamericana de Imprensa. Estas, aliás, se apressam a apoiar a campanha midiática que aponta em Lula o perigo público número 1 para a democracia e a liberdade de imprensa.
Nem todos os casos denunciados pela mídia nativa merecem as manchetes de primeira página, um e outro nem mesmo um pálido registro. É inegável, contudo, que dentro do PT há uma lamentável margem de manobra para aloprados de extrações diversas. CartaCapital tem dado o devido destaque a crimes como a quebra de sigilo fiscal e a deploráveis fenômenos de nepotismo e clientelismo, embora não deixe de apontar a ausência das provas sofregamente buscadas pelos perdigueiros da informação, em vão até o momento, de ligações com a campanha de Dilma Rousseff.
Vale, porém, discutir as implicações da liberdade de imprensa, e de expressão em geral. É do conhecimento até do mundo mineral que a liberdade de informar encontra seus limites no Código Penal. Se o jornalista acusa, tem de provar a acusação. E informar significa relatar fatos. Corretamente. Quanto à opinião, cada um tem direito à sua.
Muito me agrada que o Estadão e o Globo em editoriais e, se não me engano,- um colunista tenham aproveitado a sugestão feita por mim na semana passada. Por que não comparar Lula a Luís XIV, além de Mussolini e Hitler? Compararam, para ampliar o espectro da evocação. De ditadores de extrema-direita a um monarca por direito divino, aprazível passeio pela história. Volto à carga: sinto a falta de Stalin, talvez fosse personagem mais afinada com a personalidade de Lula, aquele que ia transformar o Brasil em república socialista. Quem sabe, a tarefa fique para a guerrilheira terrorista, assassina de criancinhas.
Mesmo que o presidente não pronuncie sempre palavras irretocáveis, onde estão as provas desse terrificante projeto? Temos, isto sim, as provas em sentido contrário: os golpistas arvoram-se a paladinos de uma legalidade que eles somente ameaçam. A união da mídia já produziu alguns entre os piores momentos da história brasileira. A morte de Getúlio Vargas, presidente eleito, a resistência a Juscelino, o golpe de 1964 e suas consequências 21 anos a fio, sem contar com a oposição à campanha das Diretas Já. Ou com o apoio maciço à candidatura de Fernando Collor, à reeleição de Fernando Henrique, às privatizações vergonhosamente manipuladas.
É possível perceber agora que este congraçamento nunca foi tão compacto. Surpreende-me, por exemplo, o aproveitamento que o Estadão faz das reportagens de Veja, citada com todas as letras. Em outros tempos não seria assim, a família Mesquita tachava os Civita de “argentários” em editoriais da terceira página. As relações entre os mesmos Mesquita, os Frias e os Marinho não eram também das melhores. Hoje não, hoje estão mais unidos do que nunca. Pelo desespero, creio eu.
A união, apesar das divergências, sempre os trouxe à mesma frente quando o risco foi comum. Ameaça ardilosamente elevada à enésima potência para justificar o revide pronto e imediato. E exorbitante. A aliança destes dias tem uma peculiaridade porque o risco temido por eles é real, a figurar uma situação muito pior do que aquela imaginada até o começo de 2010. Desespero rima com conselheiro, mas como tal é péssimo. De sorte que estão a se mover para mais uma Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade. A derradeira, esperamos. Não nos iludamos, no entanto. São capazes de coisas piores.
Otimista em relação ao futuro, na minha visão vivemos os estertores de um sistema, mudança essencial ao sabor de um confronto social em andamento, sem violência, sem sangue. Diria natural, gerado pelo desenvolvimento, pelo crescimento. Donde, por mais sombrios que sejam os propósitos dos verdadeiros inimigos da democracia, eles, desta vez, no pasaran. Eles próprios se expõem a risco até ontem inimaginável. Se houver chance para uma tentativa golpista, desta vez haverá reação popular, com consequências imprevisíveis.
Episódio representativo da situação, conquanto não o mais assombroso, longe disso, é a demanda da vice-procuradora da Justiça Eleitoral para averiguar se vendemos, ou não, a nossa alma. Falo em nome de uma pequena redação que não desiste há 16 anos na prática do jornalismo honesto, pasma por estar sob suspeita ao apoiar às claras a candidatura Dilma.
Sugiro à doutora Sandra que, de mão na massa, verifique também se a revista IstoÉ recebeu lauta compensação do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema quando o acima assinado em companhia do repórter Bernardo Lerer, escreveu uma reveladora, ouso dizer, reportagem sobre Luiz Inácio da Silva, melhor conhecido como Lula, publicada em fevereiro de 1978. Ou se acomodou-se em uma espécie de mensalão ao publicar oito capas a respeito da ação de Lula à frente de uma sequência de greves entre 1978 e 1980. Ou se me locupletei pessoalmente por ter estado ao lado dele na noite de sua prisão, e da sua saída da cadeia, quando enquadrado pela ditadura na Lei de Segurança Nacional, bem como nas suas campanhas como candidato à Presidência da República. Desde o dia em que conheci o atual presidente da República, pensei: este é o cara.
*Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redação@cartacapital.com.br
Fonte: Carta Capital
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Cidadania, democracia, luta contra a censura são nossas bandeiras e não da direita golpista
September 28, 2010 - No comments yet
Cidadania, democracia, luta contra a censura são nossas bandeiras e não da direita golpista
por Conceição Oliveira
Existem alguns posts aqui no Maria Frô no qual eu me mostro bastante surpresa com o triplo escarpado hermenêutico da extrema-direita brasileira em querer se apropriar da memória e história do Brasil de modo unilateral.
Como é que ela tenta fazer isso? Ignorando os fatos e fazendo enormes malabarismos para posar de defensora da democracia.
A direta brasileira faz revisionismo dos mais pobres e como tal só convence aos desinformados e que têm espírito autoritário, pois é tão truculenta no modo de impor suas ‘verdades’ que até pessoas – sem grandes conhecimentos da História – percebem que há incongruências nesse discurso.
Essa velha direita que resiste em parceria com algumas redações é também inculta e preguiçosa. Vive dando vexame porque sequer faz breve pesquisa para sustentar suas fantasias, veja por exemplo aqui e aqui.
Democracia para esta tchurma é ela poder criminalizar os movimentos sociais, ver reverberar seu mantra único com seus inúmeros preconceitos e nunca ser questionada.
Mas vivemos novos tempos, a internet (que sempre foi criticada pelas tevês) e a blogosfera (que nos últimos tempos alvo dos jornalões) vêm dia após dia fazendo essa tchurma passar vergonha. (Comecei a escrever este ontem pela manhã e no começo da noite no o twitter mais uma vez desmente notícia falsa da mídia velha e a faz passar carão).
Antes de relatar minhas impressões sobre o nosso ato que como o outro da direita raivosa são provas cabais de que vivemos em uma democracia com ampla e irrestrita liberdade de expressão, deixa-me fazer mais uma observação sobre a mídia velha:
O Globo que não conhece o Google e antes de nossa manifestação disse que foi Lula que chamou o ato contra golpismo midiático no comício em Campinas, mais uma vez mente ao dizer que foi um ato do PT (veja especialmente a legenda da foto publicada por O Globo). Atenção O Globo! NÃO HAVIA UM ÚNICO REPRESENTANTE OFICIAL DO PARTIDO NO ATO. Isso aliás me deixou fula da vida com o PT e, igualmente, com o PSOL.
Não faltou registro deste ato, impressionante a quantidade de câmeras, vídeos, celulares e afins, mas parece que isso não garante que a velha mídia relate os fatos tal como ocorreu.
Vamos ensinar jornalismo para O Globo: nós blogueiros chamamos o ato via o Centro de Mídia Barão de Itararé, MUITO ANTES DO COMÍCIO DE CAMPINAS, o ato recebeu o apoio das Centrais Sindicais, do MST e outros movimentos sociais e de alguns partidos de esquerda entre eles o PCdoB o PSB e PDT.
Pronto, agora, posso falar do ato.
Vários blogueiros fizeram antes de mim uma boa síntese sobre as lideranças e instituições presentes no ato, leia especialmente o texto do Raphael Tsaavko e do Renato Rovai, assim como a cobertura do Sindicato dos Jornalistas e do Vermelho.
Alguns blogueiros com mais ou menos humor também deram suas impressões: Rodrigo Vianna, em seu melhor dia de Professor Hariovaldo, me fez rir bastante com o seu post: Passei calor pra atentar contra as liberdades! Professor Emir Sader aproveitou o seu post sobre o ato pra publicar o abaixo-assinado que este blog também reproduziu aqui. Eduardo Guimarães também fez seu relato e publicou vídeos, um deles de sua fala bem-humorada e representativa da sensação da blogosfera diante da cara de pau da grande mídia de lucrar milhões e nos acusar de ser um risco à democracia.
Quanto a mim além do calor infernal, da pressão arteriar baixar com o calor insuportável de um espaço que não comportava tanto ‘blogueiro sujo’, me emocionei várias vezes.
Emocionei-me quando Gilmar Mauro, representante do MST, disse que o dia em que a mídia velha noticiar uma única linha positiva sobre os sem terra é que o movimento passou a fazer tudo errado. Os sem terra sabem o que dizem. Eles estão acostumados a ser criminalizados pela mídia velha e carcomida e a não ter o direito de resposta.
Fico esperançosa quando vejo o MST, o maior e mais bem organizado movimento social do Brasil, com a clara noção de que informação é poder e que precisamos nos empoderar criando nossos próprios canais de comunicação.
Um dos dirigentes de uma das centrais sindicais, CGTB, narrou-nos como foi abordado por um ‘jornalista’ pelo telefone: O senhor vai ao ato em favor da censura? E ele respondeu: Não. Vou ao ato em favor da democracia!
Miro, meu querido amigo, estava literalmente pingando no espaço apertado que se tornou o auditório do Sindicato dos Jornalistas, se você reparar no vídeo deste post aqui, verá ele sequinho no começo do ato e completamente encharcado ao final. Mas nada disso tirou o brilho e a força de sua indignação na leitura do documento final da manifestação que era também a de todos ali presentes e a de milhões de cidadãos Brasil afora.
Muitos se manifestaram, eu produzi alguns vídeos que não tive tempo de subir para o youtube, farei quando der e completarei este post, mas a fala mais expressiva da noite foi talvez da figura pública mais achincalhada por esta mídia velha e carcomida: Erundina.
Esta mulher nordestina ousou se candidatar para governar a cidade de São Paulo e eleita ousou administrar focando os mais humildes em suas políticas públicas. Por tanta ‘ousadia’ sofreu todo o tipo de humilhação que só um império midiático que não aceita de modo algum o povo no poder pode fazer.
Por isso a sua fala é forte, cheia de vida, de verdades escarradas. Por isso ela foi aplaudida desde a hora que entrou e depois do seu belo discurso só nos restou cantar em alto e bom som nosso hino nacional, porque o Brasil pela primeira vez é de muitos brasileiros, e não apenas de um grupo encastelado há séculos no poder com suas demandas protegidas e reverberadas por figuras tristes da mídia velha e carcomida.
Fonte: blog da Maria Frô
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