Velha mídia quer guerra aberta e total [por Rodrigo Vianna e redação Carta Maior]
September 22, 2010 - One comment
Jabor Rottweiler
Velha mídia quer guerra aberta e total
por Rodrigo Vianna e redação Carta Maior
Com o candidato da imprensa desnorteado, sem programa e sem rumo, restou a ele e ao aparato midático que o apóia o apelo ao medo.
Arnaldo Jabor agora deu para pregar a guerra. Que é isso, companheiro? Outro dia vi o Jabor no cinema. Deveria ter me dirigido a ele, e dado um cascudo no pescoço dele? O que é isso? A raiva é capaz de coisas incríveis.
“Carta Maior” recolheu alguns exemplos de ódio, a escorrer das páginas de decadentes jornais brasileiros. Confiram:
Dispositivo midiático lança ordem unida
Editorial do Estadão, 21/09: “… sem o menor pudor Lula alimenta no eleitorado de baixa renda e pouca instrução – seu público-alvo prioritário – o sentimento difuso de que quem tem dinheiro e/ou estudo está do “outro lado”, nas hostes inimigas. Mas a verdade é que o paladino dos desvalidos nutre hoje uma genuína ojeriza por uma, e apenas uma, categoria especial de elite: a intelectual, formada por pessoas que perdem tempo com leituras e que por isso se julgam no direito de avaliar criticamente o desempenho dos governantes. Por extensão, uma enorme ojeriza à imprensa….”
Arnaldo Jabor, 21/09: “… Lula não é um político – é um fenômeno religioso. De fé. Como as igrejas que caem, matam os fiéis e os que sobram continuam acreditando. Com um povo de analfabetos manipuláveis, Lula está criando uma igreja para o PT dirigir, emparedando instituições democráticas e poderes moderadores.(…)A única oposição que teremos é o da imprensa livre, que será o inimigo principal dos soviéticos ascendentes. O Brasil está evoluindo em marcha à ré! Só nos resta a praga: malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma. Os soviéticos que sobem já avisaram que revistas e jornais são o inimigo deles. Por isso, “si vis pacem, para bellum”, colegas jornalistas. Se quisermos a paz, preparemo-nos para a guerra…”
Caetano Veloso, 20/09: “É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza…”
Merval Pereira, Globo, 21/09: ” … popularidade de Lula hoje lhe dá essa sensação de poder absoluto. Daí a desqualificar a grande imprensa e querer influenciar diretamente o eleitorado, sobretudo o das regiões mais pobres do país, através dos programas assistencialistas, e a tentativa de controle da mídia regional através de verbas de publicidade.[...] Para os que não se submetem a essa política, fica cada vez mais evidente que um eventual governo Dilma vai tentar aprovar no Congresso uma legislação especial que permita o controle dos meios de comunicação através dos mais diversos conselhos, o chamado controle social da mídia, a exemplo do que já acontece na Venezuela de Chávez e a Argentina dos Kirchner está tentando. A reação desmesurada da candidata oficial a uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo que mostrou problemas em sua gestão à frente de uma secretaria no governo do Rio Grande do Sul dá bem a medida de sua tolerância à livre circulação de notícias críticas..”
Fonte: Carta Maior / Escrevinhador
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Repulsa ao sexo [ por Maria Rita Kehl - O Estado de S.Paulo]
September 22, 2010 - No comments yet
Repulsa ao sexo
Entre os três candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas, não sabemos a verdadeira posição de Dilma e de Serra. Declaram-se contrários para não mexer num vespeiro que pode lhes custar votos. Marina, evangélica, talvez diga a verdade. Sua posição é tão conservadora nesse aspecto quanto em relação às pesquisas com transgênicos ou células-tronco.
Mas o debate sobre a descriminalização do aborto não pode ser pautado pela corrida eleitoral. Algumas considerações desinteressadas são necessárias, ainda que dolorosas. A começar pelo óbvio: não se trata de ser a favor do aborto. Ninguém é. O aborto é sempre a última saída para uma gravidez indesejada. Não é política de controle de natalidade. Não é curtição de adolescentes irresponsáveis, embora algumas vezes possa resultar disso. É uma escolha dramática para a mulher que engravida e se vê sem condições, psíquicas ou materiais, de assumir a maternidade. Se nenhuma mulher passa impune por uma decisão dessas, a culpa e a dor que ela sente com certeza são agravadas pela criminalização do procedimento. O tom acusador dos que se opõem à legalização impede que a sociedade brasileira crie alternativas éticas para que os casais possam ponderar melhor antes, e conviver depois, da decisão de interromper uma gestação indesejada ou impossível de ser levada a termo.
Além da perda à qual mulher nenhuma é indiferente, além do luto inevitável, as jovens grávidas que pensam em abortar são levadas a arcar com a pesada acusação de assassinato. O drama da gravidez indesejada é agravado pela ilegalidade, a maldade dos moralistas e a incompreensão geral. Ora, as razões que as levam a cogitar, ou praticar, um aborto, raramente são levianas. São situações de abandono por parte de um namorado, marido ou amante, que às vezes desaparecem sem nem saber que a moça engravidou. Situações de pobreza e falta de perspectivas para constituir uma família ou aumentar ainda mais a prole já numerosa. O debate envolve políticas de saúde pública para as classes pobres. Da classe média para cima, as moças pagam caro para abortar em clínicas particulares, sem que seu drama seja discutido pelo padre e o juiz nas páginas dos jornais.
O ponto, então, não é ser a favor do aborto. É ser contra sua criminalização. Por pressões da CNBB, o ministro Paulo Vannuchi precisou excluir o direito ao aborto do recente Plano Nacional de Direitos Humanos. Mas mesmo entre católicos não há pleno consenso. O corajoso grupo das "Católicas pelo direito de decidir" reflete e discute a sério as questões éticas que o aborto envolve.
O argumento da Igreja é a defesa intransigente da vida humana. Pois bem: ninguém nega que o feto, desde a concepção, seja uma forma de vida. Mas a partir de quantos meses passa a ser considerado uma vida humana? Se não existe um critério científico decisivo, sugiro que examinemos as práticas correntes nas sociedades modernas. Afinal, o conceito de humano mudou muitas vezes ao longo da história. Data de 1537 a bula papal que declarava que os índios do Novo Continente eram humanos, não bestas; o debate, que versava sobre o direito a escravizar-se índios e negros, estendeu-se até o século 17.
A modernidade ampliou enormemente os direitos da vida humana, ao declarar que todos devem ter as mesmas chances e os mesmos direitos de pertencer à comunidade desigual, mas universal, dos homens. No entanto, as práticas que confirmam o direito a ser reconhecido como humano nunca incluíram o feto. Sua humanidade não tem sido contemplada por nenhum dos rituais simbólicos que identificam a vida biológica à espécie. Vejamos: os fetos perdidos por abortos espontâneos não são batizados. A Igreja não exige isso. Também não são enterrados. Sua curta existência não é imortalizada numa sepultura - modo como quase todas as culturas humanas atestam a passagem de seus semelhantes pelo reino desse mundo. Os fetos não são incluídos em nenhum dos rituais, religiosos ou leigos, que registram a existência de mais uma vida humana entre os vivos.
A ambiguidade da Igreja que se diz defensora da vida se revela na condenação ao uso da camisinha mesmo diante do risco de contágio pelo HIV, que ainda mata milhões de pessoas no mundo. A África, último continente de maioria católica, paupérrimo (et pour cause...), tem 60% de sua população infectada pelo HIV. O que diz o papa? Que não façam sexo. A favor da vida e contra o sexo - pena de morte para os pecadores contaminados.
Ou talvez esta não seja uma condenação ao sexo: só à recente liberdade sexual das mulheres. Enquanto a dupla moral favoreceu a libertinagem dos bons cavalheiros cristãos, tudo bem. Mas a liberdade sexual das mulheres, pior, das mães - este é o ponto! - é inadmissível. Em mais de um debate público escutei o argumento de conservadores linha-dura, de que a mulher que faz sexo sem planejar filhos tem que aguentar as consequências. Eis a face cruel da criminalização do aborto: trata-se de fazer, do filho, o castigo da mãe pecadora. Cai a máscara que escondia a repulsa ao sexo: não se está brigando em defesa da vida, ou da criança (que, em caso de fetos com malformações graves, não chegarão a viver poucas semanas). A obrigação de levar a termo a gravidez indesejada não é mais que um modo de castigar a mulher que desnaturalizou o sexo, ao separar seu prazer sexual da missão de procriar.
Fonte: Estadão
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Os dólares do pré-sal à vista [por Luiz Antonio Cintra]
September 22, 2010 - No comments yet
Os dólares do pré-sal à vista
por Luiz Antonio Cintra
Além de ser uma boa oportunidade de investimento, a megaoferta de ações da Petrobras tem a capacidade de mexer com a conjuntura macroeconômica do País. Por conta dos valores envolvidos no negócio e da expectativa de entrada de dezenas de bilhões de dólares dos investidores estrangeiros, aumentou a pressão sobre a política cambial, nos últimos anos com uma reiterada tendência de valorização da moeda brasileira. A perspectiva de maior oferta de dólares no curto prazo reforçou essa tendência e fez com que a cotação caísse a 1,70 real, a menor desde o início do ano.
O caso fica mais complicado de administrar quando se considera a conjuntura internacional, que tem uma relação direta com as flutuações do mercado cambial. Em estudo divulgado na terça-feira 14, a Unctad, agência das Nações Unidas especializada em políticas de desenvolvimento, chama a atenção para esse ponto. E reforça a sensação de que o perigo, para países emergentes como o Brasil, mora além das fronteiras nacionais. Em linhas gerais, o prognóstico traçado sugere que o comércio internacional “andará de lado” nos próximos anos, com viés de queda.
Nesse cenário, as exportações brasileiras poderão cair quase 8% nos próximos cinco anos, estima a Unctad, a depender principalmente da cotação das commodities, principal variável da balança comercial brasileira. A sugestão para os países em desenvolvimento é justamente evitar a valorização de suas moedas principalmente em relação ao dólar e ao euro, que tendem a incentivar as importações e outros gastos em “moeda forte”, como os gastos com viagens internacionais e despesas com serviços. Ao mesmo tempo, torna os produtos brasileiros caros no mercado internacional, dificultando a vida dos exportadores, particularmente aqueles do setor industrial, onde o -País é menos competitivo.
O problema é o Brasil não ser o único país a enfrentar a conjuntura adversa. Os EUA buscam desvalorizar o dólar, assim como fazem as autoridades econômicas da Zona do Euro, em busca de uma saída exportadora que permita se contrapor à queda do consumo doméstico. E mesmo o Japão, sempre avesso às mudanças, anunciou a nova orientação de sua política de câmbio. Na quarta 15, o governo decidiu intervir, comprando uma quantidade expressiva de dólares, cujo resultado foi elevar a cotação da moeda dos EUA em 3% ante o iene.
Ainda que no sentido correto, a iniciativa japonesa só ocorreu após a cotação do iene a 82,87, a menor taxa do dólar no mercado japonês em 15 anos. A última vez que as autoridades econômicas haviam agido nesse sentido se deu seis anos atrás, quando o país comprou 409 bilhões de dólares com o objetivo de reverter a valorização.
Por outro lado, a retração do consumo norte-americano, por conta do desemprego elevado e do baixo nível de investimentos, resulta na redução do volume importado do restante do mundo, particularmente de bens duráveis e semiduráveis, tornando o mercado internacional de bens industrializados ainda mais hostil.
Não foram poucos os economistas a alertar para os riscos potencialmente explosivos dessa conjuntura. Para os economistas da Unctad, a saída para restabelecer um relativo equilíbrio na economia mundial passa por criar estímulos ao consumo em economias de grande porte, com ênfase na Alemanha, a maior do continente europeu, e no Japão, capazes de se contrapor à debilidade americana.
Para os países em desenvolvimento, eles deveriam combater a valorização de suas moedas, elevar o poder de compra dos trabalhadores e criar condições para a retomada dos investimentos que ampliem a capacidade de produção e de exportação no médio prazo.
Diante dos sinais dados pelo mercado, o governo brasileiro procurou colocar as cartas na mesa. Ainda na –quarta 15,— o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que acompanha de perto o andamento do mercado de câmbio, disposto a evitar que a moeda norte-americana caia para além da cotação de 1,70 real, ciente do peso representado pela operação de capitalização da Petrobras. “O governo brasileiro tem cacife para bancar qualquer tamanho de operação da Petrobras. O fundo soberano tem fundos ilimitados, porque é o caixa do próprio Tesouro”, afirmou o ministro, durante cerimônia na federação das indústrias do Rio de Janeiro.
Além de poder comprar os dólares que entram no mercado brasileiro, Mantega também sugeriu que o Banco Central poderá voltar a atuar no mercado de derivativos, com o objetivo de desestimular as posições compradas em dólar, realizadas pelos investidores que apostam na desvalorização do real em algum momento do próximo ano.
Na próxima reunião do G-20, marcada para outubro, Mantega pretende reforçar o pedido para que os países desenvolvidos e os em desenvolvimento cheguem a uma política conjunta para evitar que a corrida pelas desvalorizações persista. “Os países estão agindo. O Japão fez um movimento forte para impedir a valorização do iene. Parece que isso é algo orquestrado com outros asiáticos. Mas não são só os asiáticos que querem desvalorizar as suas moedas. Estados Unidos e Europa também querem sair da crise com exportação.”
Henrique Meirelles, do Banco Central, também afirmou estar “atento” aos sinais de desequilíbrios na economia brasileira, que convive nos últimos meses com o crescimento vigoroso do déficit em suas contas externas, decorrente em larga medida da valorização do real e do crescimento acelerado das importações. O que Meirelles deixou de mencionar é que a política de juros altos do BC é a principal variável a complicar a -vida de Mantega. Enquanto nos países desenvolvidos as taxas pagas pelos títulos públicos andam próximas de zero, o retorno de 10,75% oferecido pelo BC atrai bilhões de dólares, os mesmos que derrubam a cotação da moeda norte-americana no mercado cambial brasileiro.
Alguns meses atrás, quando o País viveu um momento semelhante no mercado de dólar, a saída encontrada por Mantega foi taxar os capitais de curto prazo, aqueles que vêm se aproveitar das altas taxas pagas pelos títulos brasileiros. Alguns economistas consideram que uma saída nessa mesma direção poderá ser adotada nas próximas semanas, para além das esperadas intervenções diretas no mercado cambial.
Uma saída de médio prazo, no entanto, inclui necessariamente outras variáveis, conforme indicaram os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Julio Sergio Gomes de Almeida, em artigo publicado na edição 611 de CartaCapital, de 1º de setembro. Os dois especialistas sugerem que o governo – este, mas principalmente o próximo – terá de controlar os gastos, que deveriam crescer menos do que o ritmo do PIB e das receitas públicas. Com isso, abriria espaço para o BC reduzir os juros a um patamar próximo da média internacional.
Fonte: Carta Capital
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Lotação da linha vermelha é quase o dobro da recomendada
September 22, 2010 - No comments yetChoque de Jestão Tucana!
Lotação da linha vermelha é quase o dobro da recomendada
por Leonardo Sakamoto
A linha 3-vermelha, que corta a Zona Leste, região mais populosa de São Paulo, parou entre as as estações Pedro II e Sé na manhã desta terça causando problemas na vida de milhares de passageiros. Se eventuais interrupções fossem o único inconveniente da linha vermelha, os seus usuários não estariam tão irritados. A parada, independentemente do motivo, é apenas a cereja do bolo de um serviço que está longe de ser satisfatório.
Se considerarmos a quantidade máxima de pessoas que cabem em um determinado espaço (usando como base a média do padrão internacional para horário de pico usada pelo próprio governo estadual), temos um número de 6 passageiros em pé por metro quadrado.

Que tal perder 4 horas para chegar e sair do trabalho?
A cidade de São Paulo tem quatro linhas do metrô em operação (a 4-amarela está em fase de testes e, portanto, não está sendo considerada):
1-azul (Tucuruvi-Jabaquara)
2-verde (Vila Madalena-Tamanduateí)
3-vermelha (Corinthians/Itaquera-Palmeiras-Barra Funda)
5-lilás (Largo Treze – Capão Redondo)
Ganha um bilhete “múltiplo de 10″ quem relacionar corretamente as linhas acima com a lotação de passageiros em horário de pico abaixo (arredondando os números obtidos com um especialista no assunto que trabalha com o governo e não quis se identificar):
a) 5 passageiros em pé por metro quadrado
b) 6 passageiros em pé por metro quadrado
c) 9 passageiros em pé por metro quadrado
d) 11 passageiros em pé por metro quadrado
Como internet é coisa rápida, não vou fazer suspense:
1-azul: 9
2-verde: 6
3-vermelha: 11
5-lilás: 5
Ou seja, a linha vermelha, que pega a região mais pobre de São Paulo, é também a que tem a maior lotação. A aquisição de composições não têm acompanhado o ritmo da demanda e a sensação é de lata de sardinha. Ou pior, de atum moído.

Que tal virar sardinha na Sé?
Alguém pode dizer: peraí, mas a linha 5 tem uma taxa menor e liga uma região pobre com uma mais pobre ainda, passando pelo meu Campo Limpo, onde cresci. Sim, mas essa linha ainda não faz interligação direta com nenhuma outra do metrô, apenas com a do trem que acompanha a Marginal Pinheiros. Quando (e se) ela chegar até a linha 1-azul, conforme previsto, o fator “lata de atum” deve crescer exponencialmente.
Todos os candidatos prometem ampliar a rede de metrô. Não só em São Paulo, mas em todas as grandes capitais que cavam túneis para seus trens. Na prática, depois de eleitos, a promessa é levada em banho maria, tanto que temos apenas 60 estações em uma cidade de tamanho comparável a Nova Iorque.
Apoio irrestrito tem o automóvel. Com ele, que reina soberano nas ruas e nos sonhos de consumo, a construção de avenidas ao invés de linhas de trem e de túneis e estradas no lugar de ciclovias e ramais de tram segue a todo o vapor.
Amanhã é o Dia Mundial sem Carro. Com uma política de transporte público desse nível, que espreme 11 pessoas por metro quadrado, como pedir para todos deixarem o carro na garagem? Pior ainda para quem não tem dinheiro para comprar um carro, como é o caso de muitas pessoas na Zona Leste. Aí o jeito é ir para luta, enfrentando o risco de ser encoxada ou amassado.
O jeito seria deixar o candidato a cargo público que não cumpre o que promete na garagem. Mas aí seria pedir demais.
Enquanto isso, o que os Tucanos mais sabem fazer?

Fonte: Blog do Sakamoto
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Alckmin e o candidato acusado de ser do PCC
September 22, 2010 - No comments yet
Não dava pra saber...
Alckmin e o candidato acusado de ser do PCC
por Renato Rovai
No fim da semana passada recebi uma foto de Alckmin com Ney Santos, candidato a deputado federal do PSC e que foi preso em operação da PF acusado de ter relações com o PCC e de ter acumulado 100 milhões de reais em curto espaço de tempo.
Não publiquei a foto, porque é normal um candidato a governador aparecer em fotos com qualquer um.
Mas agora não é o caso, Alckmin aparece no que parece ser uma festa de candidatura e dando um depoimento a favor de Ney Santos.
Veja o vídeo abaixo.
A pergunta que Alckmin precisa responder é:
Já que ele foi vice governador do estado durante seis anos, na gestão Covas.
Já que ele foi seis anos governador.
Já que ele foi candidato a presidente da República.
Já que ele foi secretario de Serra nos últimos dois anos.
Já que ele é tão preparado como costuma dizer ser.
Ele não teria obrigação de saber se um candidato a deputado federal de sua chapa não é suspeito de ter relações com o PCC?
Porque se Alckmin pode não saber de nada, por que Serra disse que Dilma tem obrigação de saber de tudo?
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“Folha” vira a FOX de Dilma
September 22, 2010 - No comments yet
Batalha da Mídia
“Folha” vira a FOX de Dilma
por Rodrigo Vianna
Nos EUA, Barack Obama pendurou o guiso no gato já há algum tempo. Lá, a assessoria do presidente colou na FOX o rótulo de “braço midiático do Partido Republicano”.
Nessa segunda-feira, o jornal da família Frias teve o seu dia de FOX. Dilma bateu pesado na “Folha”. É o troco, depois de dias e dias de uma campanha unilateral. Aliás, são meses de deturpações e cobertura enviesada. Começou lá atrás, com a ficha falsa na primeira página. Seguiu com a manchete tosca sobre o aumento da conta de luz “por culpa de Dilma” (tão tosca que fez a “Folha” ir parar nos trendtopics do twitter, como exemplo mundial de manipulação).
Nas últimas duas semanas, diante do aturdimento de Serra – incapaz de traçar uma linha para sua campanha – a velha mídia assumiu o comando da oposição. Cumpriu-se, assim, na prática, o que Judith Brito (presidenta da ANJ – Associação Nacional dos Jornais) já havia vaticinado: “a imprensa é o verdadeiro partido de oposição no Brasil.”
O clima de confrontação, criado pela direita, aproxima-se muito do que vemos na Venezuela. Como escrevi aqui, a venezuelização do Brasil vem pela direita: quem escolheu o confronto não foi Lula, mas Serra (com seu discurso no Clube Militar, falando em “República Sindicalista”) e a velha mídia.
Já escrevi nesse humilde blog que a imprensa tem , sim, o dever óbvio de investigar e denunciar. Não vejo nada de errado nisso. A situação absurda, no Brasil, é que as denúncias são sempre unilaterais. Só existem escândalos federais no Brasil, há quase 8 anos. O ímpeto investigativo dos jornais não se volta – jamais – contra os tucanos. Explica-se: os tucanos garantem polpudos recursos para a velha mídia, com a assinatura de jornais para as escolas paulistas.
A velha mídia tenta criar um “Mar de Lama” contra o lulismo. Como Lacerda fez contra Vargas em 54.
Naquela época, o único contraponto era o “Última Hora”, jornal de Samuel Wainer. Hoje, os “blogs sujos” cumprem – de forma ainda limitada, mas efetiva - o papel de contraponto. Nem isso Serra gostaria de ter. Queria toda a mídia pra ele.
Em 2002, os golpistas na Venezuela tinham toda a mídia com eles, menos a TV estatal. Aqui no Brasil, os maiores jornais e a (ainda) maior rede de TV levam o país para o abismo do confronto.
As manchetes, no entanto, não refletem o clima nas ruas. O brasileiro comum quer tocar a vida – que melhorou um pouquinho nos últimos anos. Por isso, Dilma segue favorita, debaixo do maior tiroteio já visto antes de uma eleição.
O brasileiro comum ignora o bombardeio midiático. Mas isso não torna o bombardeio menos perigoso. Porque alimenta uma classe média cada vez mais raivosa e agressiva.
O descalabro precisa ser denunciado internacionalmente. E é o que nós, de blogs que o Serra gostaria de ver fechados, vamos fazer nos pórximos dias: denunciar o comportamento antidemocrático e golpista da mídia brasileira, lembrando ao Mundo que esses mesmos que prepararm o golpe hoje, foram os que imploraram pelo golpe em 64: Estadão, Folha, O Globo.
Dilma deu um passo importante, hoje, ao cravar na testa da “Folha” o selo de jornal golpista. Talvez tenha se excedido um pouco no tom. Cheguei a ficar preocupado quando vi a Dilma, com a veia a saltar na testa. A candidata alcançará mais resultado junto ao público quanto mais conseguir aliar serenidade e firmeza. Mas seria demais pedir serenidade em meio ao combate.
A “Folha” foi parar no centro da campanha. Pela voz de Dilma.
A “Veja” (ou “Óia”) já tinha virado tema de discurso de Lula, no fim de semana, em Campinas.
A próxima será a Globo? Seria bom e didático que Dilma e Lula cumprissem esse papel.
A batalha da mídia, durante a campanha, é apenas a consequência natural do processo político. Dilma deixou de debater com a oposição do DEM/PSDB -essa está perdida. Restou a velha mídia.
É preciso derrotá-la, antes que ela (a velha mídia golpista) derrote o Brasil.
Fonte: O Escrevinhador
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OCULTAÇÃO DE CADÁVER POLÍTICO - A MÍDIA ESCONDE A DERROTA DE SERRA EM SÃO PAULO
September 22, 2010 - No comments yet
A mídia esconde outras coisas, por exemplo, que a filha de Serra, Verônica, violou o sigilo de 60 milhões de brasileiros.
OCULTAÇÃO DE CADÁVER POLÍTICO
A MÍDIA ESCONDE A DERROTA DE SERRA EM SÃO PAULO
Sôfrega na busca de escândalos que comprometam a candidatura do governo na reta final das eleições, a mídia demotucana é o protagonista do maior escândalo desta campanha: a omissão do noticiário, e dos colunistas, diante daquele que é um dos fatos políticos mais expressivo do isolamento demotucano nesta disputa presidencial. O fato é que a fragorosa derrota de Serra para Dilma tem um de seus alicerces mais sólidos no bastião nacional do tucanato, o Estado de SP e nele, no coração político do país, a capital, São Paulo. Aspas para o Valor desta 3º feira: "...A campanha de Serra trabalhava com a hipótese de ganhar em São Paulo por uma diferença entre 4 e 6 milhões de votos. A lógica era a vitória de Alckmin sobre Lula no primeiro turno das eleições de 2006, quando o "Chuchu" impôs uma vantagem de 3,8 milhões de votos sobre um presidente da República abalado pelo episódio dos "aloprados", mas ainda assim favorito para vencer no primeiro turno. Nos cálculos tucanos, uma vitória por 5 milhões de votos seria o suficiente para compensar a soma da eventual diferença em favor de Dilma no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Já no comitê de Dilma considerava-se uma vitória, se o PSDB vencesse por uma diferença de até 2, 2,5 milhões e meio de votos. Hoje as pesquisas desenham um quadro com uma diferença que caminha para os dois milhões de votos em favor de Dilma". Esfarelam com esses resultados dois argumentos 'justificadores' utilizados pelo dispositivo midiático para caramelar de jornalismo a desenvolta campanha pró-Serra: a) que ele representaria a excelencia administrativa -algo de que os administrados parecem discordar; b) que Serra só está sendo derrotado por conta do 'uso da máquina' --uso este que, se existe, encontra equivalencia generosa na máquina estadual operada pelo tucananto paulista, sem evitar a derrota acachapante. Só hoje, em parcimoniosas 18 linhas na coluna de Monica Bergamo os dados são detalhados: Datafolha no Estado de São Paulo: Dilma 42% X Serra, 34%. Na capital, São Paulo,a derrota tucana é ainda mais expressiva: Dilma,46% X Serra 31%. Humilhado em seu próprio terreiro, Serra continua tendo na Folha um prestimoso moleque de recado para pressionar Aécio a lhe dar mais espaço no horário eleitoral mineiro. A ' traição ' de Aécio, que esconde Serra ou omite seu nome em santinhos e na propaganda da tevê, é a nova explicação do padrão Frias de jornalismo para a derrota do seu candidato neste pleito. Um caso clássico de ocultação de cadáver no quintal da própria casa.
*Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe
Fonte: Carta Maior
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Tamiflu: quem fez lobby para quem
September 22, 2010 - No comments yet
Tamiflu: quem fez lobby para quem
O dispositivo midiático que fez lobby pró-Roche e pró-Serra, alardeando o despreparo do país para enfrentar uma pandemia de gripe suína, em 2009, e a insuficiente estocagem de Tamiflu pelo Ministério da Saúde, agora acusa o governo de ter comprado quantidades desnecessárias do remédio. E denuncia um lobby por trás desse erro. Serra agora não está mais preocupado em anabolizar sua ‘experiência’ como ex-ministro da Saúde. Ele precisa agora de algo mais forte que uma gripe suína para impedir a vitória de Dilma no 1º turno.
por Saul Leblon, na Carta Maior
VEJA ‘denuncia’ na edição desta semana que o governo adquiriu quantidades desnecessárias do medicamento Tamiflu para combater a gripe suína, em junho de 2009. A sobrecompra, segundo ‘reportagem’ teria seu sucesso creditado a ação de um lobby que atuava dentro da Casa Civil e do qual participaria o ex-assessor do órgão –que deixou o cargo – Vinícius de Oliveira Castro. Pela cumplicidade, Castro teria recebido $ 200 mil de propina, pagos no episódio dentro do próprio órgão.
Recuerdos:
1. Em 24 de abril de 2009, a Organização Mundial de Saúde emitiu um alerta sobre um novo tipo de gripe causada por variante do vírus da influenza suína; menos de três meses depois, em 11 de junho, a organização afirmava que a doença já se transformara em pandemia. No Brasil até então, tinham sido confirmados apenas 52 casos – 75% deles, porém, contraídos fora do país.
2. Naquele momento, Serra disputava com Aécio a candidatura do PSDB presidência da República. Interessava ao tucano anabolizar sua atuação como ex-ministro da Saúde, por contraste. Ou seja, caracterizando o ‘despreparo’ do atual governo para enfrentar a pandemia da gripe suína.
3. A luta renhida entre Serra e Aécio incluiria dois golpes de alta octanagem, para emprestar um termo recorrente hoje entre certos colunistas. “ Pó pará, governador?, era o título provocativo de um artigo publicado no Estadão, em fevereiro de 2009, assinado por Mauro Chaves. Em tom chantagista, o texto defendia a precedencia de Serra na corrida presidencial, insinuando que Aécio costumava aspirar algo mais que cargos. Com o mesmo fair play, no dia 3 de novembro de 2009, o jornalista Juca Kfouri, admirador assumido de Serra, dispararia em seu blog a seguinte notinha: “Covardia de Aécio Neves”. Trechos:
“Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio. Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral..”
4. É nesse ambiente de absoluta isenção e elevado senso ético que a estratégia do pânico em relação à gripe suína, um tema palatável a Serra, recebeu do dispositivo demotucano um tratamento pedagógico. O episódio ajuda a entender porque o presidente Lula disse recentemente que a imprensa tem lado. E não é o da informação isenta.
5. Manchetes da Folha, domingo, 19 de julho de 2009. Na 1º página:
“Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”
No título interno: “Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas”
6. O alarmismo foi duramente criticado pela comunidade médica, conforme documentou brilhantemente o blog da jornalista Conceição Lemes, especializada na área de saúde. O próprio ombudsman da Folha então, Carlos Eduardo Lins e Silva, questionaria o jornal em comentário corajoso, dia 26 de julho. Título: ‘No limite da irresponsabilidade”. Trechos:
I] ‘…Ao ler na capa chamada sobre a gripe A, até os menos paranóicos devem ter achado que chances de contrair doença são enormes…’; II] A reportagem e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008; III] Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.É quase impossível ler isso e não se alarmar…”
7. O dispositivo midiático demotucano não recuou, nem fez autocrítica. Leia , com exclusividade, o email enviado pelo autor da matéria alarmista, Hélio Schwartsman, a um pesquisador , em 30 de julho de 2009. Schwartsman caça argumentos para defender sua irresponsabilidade jornalística. Trechos do email enviado por ele [omitindo-se o nome do destinatário]:
“ O., tudo bom? escrevo-lhe porque o ombudsman caiu na onda “tranquilista” do ministério e detonou minha matéria em sua última coluna dominical. Estou cogitando de responder. Vi q vc cita predições britânica e dos EUA [...] Minha pergunta é se vc viu mais alguma coisa recente nesta linha para incluir no texto que estou preparando?”
8. Em setembro de 2009, a editora do UOL Ciência, Tatiana Pronin, viaja à Basiléia, na Suíça, atrás de ‘alguma coisa’. Viaja a convite da Roche, fabricante do medicamento Tamiflu. Tatiana volta com a seguinte manchete postada no dia 7 daquele mês, às14h30: “Estoque de Tamiflu do Brasil não atende recomendação da OMS, diz fabricante do remédio”. Trecho:
“… Em situações de pandemia como a da gripe suína, ou influenza A (H1N1), a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que um país tenha medicamento suficiente para tratar pelo menos 25% da população. No Brasil, porém, os estoques disponíveis até agora dariam para suprir apenas 5% dos brasileiros. A informação foi divulgada pela fabricante do antigripal Tamiflu (oseltamivir), a Roche, em uma conferência internacional organizada pela empresa nesta segunda-feira (7) na Basileia, na Suíça, onde fica a sede do laboratório. ..”
9. O dispositivo midiático age então em ordem unida, às vezes com as mesmas palavras, as mesmas manchetes, na defesa dos mesmos interesses entrelaçados: os da Roche e aqueles da candidatura Serra. Um queria vender mais medicamentos; o outro, acusar a insuficiência dos estoques na área da saúde, de modo a desqualificar o governo Lula e acumular pontos contra Aécio na disputa interna do PSDB.
10. Manchete padrão daquele período estampada no dia seguinte à da UOL, pelo Correio Braziliense: “Estoques de Tamiflu estão muito abaixo do recomendado…” Trecho: “… Ministério da Saúde só tem antiviral suficiente para atender a 5% da população brasileira, quando OMS sugere que o percentual mínimo seja de 25% …’
11. Em 10 de agosto de 2010, 14 meses depois de ter declarado o nível máximo de alerta pela aparição do vírus, a OMS anuncia fim da pandemia.
Segundo o balanço do organismo, a gripe matou 18.449 pessoas em 214 países [é muito, mas é a metade do que mata o trânsito brasileiro por ano]. Em todo o Brasil, foram 1.705 vítimas – casos dolorosos, mas longe de configurarem a tragédia alardeada pelo dispositivo midiático demotucano.
12. Agora, na reta final das eleições presidenciais, as posições se invertem. O dispositivo midiático que fez lobby pró-Roche e pró- Serra, alardeando o despreparo do país diante da pandemia e a insuficiente estocagem de Tamiflu pelo Ministério da Saúde, acusa o governo de ter comprado quantidades desnecessárias do remédio. E denuncia um lobby por trás desse erro.
13. A versatilidade, às vezes, é um sintoma de desespero. Serra não está mais preocupado em anabolizar sua ‘experiência’ como ex-ministro da Saúde. Nesse momento, ele precisa de algo mais forte que uma gripe suína para impedir a vitória de Dilma no 1º turno. Corrupção é o nome da “nova pandemia” a ser martelada nas manchetes e comentários do dispositivo midiático pelos próximos 13 dias, incessantemente, em escalada furiosa e alarmista. Até, quem sabe, causar pânico.
Fonte: Carta Maior
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Marcos Coimbra revê para baixo previsão de votos de Serra
September 22, 2010 - No comments yet
Tá osso, né Serra?
Marcos Coimbra revê para baixo previsão de votos de Serra
por Luiz Carlos Azenha
O presidente do instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, está revendo a previsão que fez em artigo publicado na revista CartaCapital (republicado aqui) de que José Serra teria 33% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais.
O cientista político diz que fez a previsão baseado em três premissas:
1. A presença relevante de Serra junto ao eleitorado paulista (40% dos votos do estado, que representam 10% do total);
2. O fato de que ele representa o voto antipetista (cerca de 10% do eleitorado brasileiro);
3. O voto de “respeito” de cerca de 10% do eleitorado nacional (governador de São Paulo, ministro da Saúde, etc.).
Somando tudo isso, Serra teria 30%, ou 33% dos votos válidos.
Porém, no terceiro quesito, os 10% não estão se confirmando, talvez pelo modo como a campanha foi conduzida.
Faltando 12 dias para a eleição, considerando os números disponíveis nas pesquisas, inclusive os do tracking diário do Vox Populi, divulgado pelo IG e pela TV Bandeirantes, Serra deve ficar mais próximo de 25%.
Coimbra vê um avanço de Marina Silva em várias regiões, prevendo que ela fique nos dois dígitos (algo em torno de 12%).
Considerando que os grandes movimentos eleitorais em um país como o Brasil envolvem a decisão de milhões de eleitores, Coimbra prevê uma decisão em primeiro turno. Ao contrário do que dizem outros analistas, ele afirma que a decisão de votar em Dilma Rousseff foi resultado de um processo relativamente longo de amadurecimento e de comparação que não fica sujeito a uma ou outra manchete de jornal, um ou outro episódio da campanha.
Para o Senado, os números do Vox indicam uma perda não só quantitativa da oposição, mas também qualitativa, já que nomes importantes ficarão de fora — Coimbra citou Cesar Maia, no Rio de Janeiro, mas eu acrescentaria Arthur Virgílio que corre risco no Amazonas e outros. De novidade, afirma Coimbra, o risco de José Agripino Maia não se reeleger no Rio Grande do Norte.
Nas eleições estaduais o quadro, de acordo com o presidente do Vox Populi, também é de preocupação para os candidatos do PSDB/DEM. A não ser por Antonio Anastasia, em Minas Gerais, nenhum candidato da oposição está em crescimento — quando muito conseguem manter a estabilidade. Como, neste caso — ao contrário da eleição presidencial, onde os números são estáveis — há candidatos a governador em queda e ascensão, poderemos ter surpresas em 3 de outubro.
Para ouvir a entrevista completa, clique abaixo. Ele começa falando do tracking Vox/IG/Band, que começou a ser publicado no início de setembro e que não sofreu alterações significativas desde então (Dilma começou com 51% e ontem tinha 53%; Serra começou com 25% e ontem tinha 23%):
Fonte: Viomundo
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A essência das candidaturas excêntricas
September 22, 2010 - No comments yet
A essência das candidaturas excêntricas
Com chances reais de serem eleitos, alguns candidatos sem-proposta ganham espaço na mídia. É um sinal de que, para ganhar votos, mais vale ser e agir como uma celebridade do que expor propostas políticas – tudo isso com o aval dos partidos, que veem neles uma chance de ouro para eleger seus representantes
por Danilo Mekari
Tetraneto do Zumbi dos Palmares, Nelson Mandela, Barack Obama e Bin Laden. A semelhança entre esses nomes que remetem a pessoas de diferentes continentes é bem simples: uma vaga na Câmara dos Deputados do Brasil.
Tais candidatos buscam se eleger como deputados federais – com exceção de Adolphino Rosário Cruz, quer dizer, Nelson Mandela, que concorre a deputado estadual. Os partidos e apelidos variam, mas um detalhe que se torna cada vez mais regular nas eleições legislativas do país é a presença de figuras cômicas e esdrúxulas como uma ferramenta eficaz para galgar votos na legenda dos partidos ou até mesmo ser eleito representante do povo brasileiro.
Nessa lista ainda entram outros personagens, de ex-jogadores de futebol a artistas (a maioria em decadência) que, para se elegerem, contam muito mais com sua popularidade país afora do que com propostas políticas. Nesse sentido, a campanha televisiva de Tiririca virou referência justamente por questionar o papel do deputado federal, no que o debochado cantor responde: “Não sei, mas vote em mim que eu te conto!”.
Há uma importante questão a ser levantada: qual é a legitimidade desses candidatos? Estão corretos em sua tentativa, já que, na teoria, a política deve ser feita pelo povo? Ou expõe de maneira sarcástica a situação da política no Brasil?
Para a cientista política Maria do Socorro Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos, essas candidaturas são uma estratégia dos partidos para ganhar votos e, consequentemente, um maior espaço na Câmara e nas Assembléias. “É uma forma de atingir diferentes públicos, principalmente o popular, ou seja, os setores mais humildes que se identificam com essas pessoas. Esse é o objetivo dos partidos”, argumenta. E arremata: “A questão de que a política deve ser feita pelo povo não deixa de ter um certo sentido, mas a verdade é que isso não passa de uma estratégia das lideranças partidárias para atrair votos dos setores populares para tais candidaturas”.
Cantar ou legislar?
Recentemente essa estratégia vem sendo adotada em maior número e grau. É o caso de Suéllem Rocha, conhecida como Mulher Pêra, que só pensou em se candidatar a deputada federal após ser convidada pelas lideranças do PTN (Partido Trabalhista Nacional). “Recebi o convite do presidente do partido. Como faço shows pelo Brasil inteiro, fiz uma enquete perguntando em quem a galera votaria. E ninguém sabia responder, não tinham um candidato em mente. Aí perguntei: se me candidatar, vocês votam em mim? Todo mundo me apoiou”, conta a dançarina. Ela ainda revelou que, se eleita, não deixará os palcos de lado: “Sempre gostei de cantar. Vou tentar medir os dois lados. Se não der, eu paro, vou fazer o quê?”. Pára de cantar ou de ser deputada? “Paro de cantar”.
A candidatura de Mulher Pêra à Câmara dos Deputados evidencia um sintoma da atual prática política brasileira: há um número considerável de candidatos que, ao invés de expor suas propostas, pensam antes em ser eleitos para então se sustentar em alguma plataforma política. “Hoje, existe a dificuldade para o próprio candidato em eleger uma bandeira específica a qual representar. Está havendo uma redução dessa defesa de programas políticos, principalmente para deputados estaduais e federais”, reconhece Socorro.
A televisão tem culpa
O horário eleitoral gratuito foi criado nos primeiros anos da ditadura militar, em 1965, com o objetivo de permitir que os candidatos concorrentes apresentem seus projetos políticos dentro das programações de televisão e rádio. Mas, na prática, a concorrência está longe de ser justa – os partidos têm diferentes tempos de exposição, que variam conforme a representatividade no legislativo e de acordo com as coligações partidárias estabelecidas.
O que vemos nessas propagandas eleitorais é uma miscelânea de nomes, números e pessoas – no punhado de segundos a que têm direito, parece que todos repetem a mesma frase. Segundo a professora, entretanto, as estratégias podem variar: “Alguns partidos concentram o tempo que têm naqueles candidatos considerados puxadores de votos. Outros se vêem obrigados a encurtar o texto de apresentação, que na maioria das vezes vai ser só uma propaganda de seu número e também dos candidatos majoritários – ‘vote em deputado tal, porque juntos vamos governar o país. Com Serra presidente, Alckmin governador e Quércia senador’. Ele usa o seu próprio tempo para propagar outras candidaturas”.
Se o tempo televisivo não permite ao candidato expor suas idéias políticas de um jeito mais claro e objetivo, existem outros meios para que ele possa fazê-lo; atualmente, a criação de blogs e sites em torno das candidaturas é uma maneira eficaz e propícia para a divulgação de projetos. Manter-se refém dos poucos intervalos televisivos significa falar seu nome e número para o eleitor, e só. “Em termos de qualidade para a democracia brasileira, o advento do horário eleitoral gratuito foi importante e é preciso que ele continue, pois é dada a mesma oportunidade para pequenos e grandes partidos, todos tem um espaço”, opina Socorro. “Mas é claro que essa igualdade acaba sendo diluída quando você vai desenvolver os programas; obviamente, quem tem mais recursos acaba tendo programas mais elaborados, com mais tempo; isso vira uma bola de neve e vai ajudando a criar uma espécie de cartel entre quatro ou cinco partidos que controlam tudo”.
Obama brasileiro
A importância que os candidatos dão à sua própria imagem refere-se muito ao curto espaço de tempo que eles têm na televisão. E para chamar a atenção vale de tudo: desde nomes e apelidos esquisitos até criar identidades com pessoas mundialmente conhecidas. O baiano Ananias Rodrigues da Silva resolveu aproveitar sua semelhança com o atual presidente americano para se candidatar a deputado federal pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Obama Brasil, seu apelido, revela que virou candidato “por causa do negócio de ser sósia do Obama. A gente aproveitou o nome e lançou a candidatura”. E continua: “Se você não tem nome, até você fazer um é difícil. Trabalhando com um nome conhecido fica muito mais fácil, né?”.
O Obama brasileiro acredita que a política de seu país tem se destacado nos últimos anos, mas que, mesmo assim, muita gente ainda não a leva a sério. Mas não especificou quais são as suas propostas: “Tenho que pensar num trabalho para o Brasil. Nós temos um trabalho de reforma da saúde e da educação – percebemos que se faz, mas o crescimento não está de acordo com o que poderia ser”.
Segundo ele, a semelhança com o presidente americano não é apenas física. Com voz grave e séria, revelou que “quando o Obama apareceu, eu fui ver a história dele e percebi que é parecida com a minha. Ele era presidente de associação, coisa que também sou há muitos anos; sou presidente de um trabalho religioso há muito tempo, assim como ele; Obama tem duas filhas, eu também tenho duas filhas; ele tem um trabalho social, foi criado sem pai nem mãe... Ele é um cara que não desiste, e eu também sou um cara que não desiste. Então eu pensei em fazer essa história de sósia, porque a semelhança é muito grande”. Quando perguntado sobre as chances de ser eleito, Obama Brasil demonstrou um dos porquês do apelido: “Se você entra numa guerra, quer sair como vencedor, né?”.
Reforma política?
Se a televisão tem papel fundamental para o surgimento e expansão desse tipo de candidatura – ou melhor, o pouco tempo na televisão –, o que precisa ser feito para inverter essa lógica de eleger um candidato por sua popularidade e não por suas propostas? Para Socorro, “a questão da representatividade é o princípio que vai balizar essa discussão, e todo o argumento é nesse sentido: quanto maior é a representatividade, maior o tempo na TV, maior os recursos etc. E acabamos tendo um debate reduzido às grandes organizações; os pequenos partidos têm maior dificuldade em aparecer”. A professora não acredita que tal questão possa ser pautada numa eventual reforma política. “A reforma depende muito da vontade política dos grupos que estão no poder e não me parece que eles têm muito interesse em fazer uma mudança profunda. Vai ser pontual de novo”.
Até que ponto o crescimento em número dessas candidaturas excêntricas é uma forma de protesto aos políticos e à política de “antigamente”? Uma enxurrada de candidaturas sem referências políticas, muito menos propostas inteligíveis, é um evidente sintoma de que esse modo de organização democrática está doente.
Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil
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Dilma rompeu o limite da complacência. PiG e elite não têm volta: é o confronto
September 22, 2010 - No comments yet 
Dilma rompeu o limite da complacência. PiG e elite não têm volta: é o confronto
por Paulo Henrique Amorim
Amigo navegante telefona preocupado: o PiG (*) vai ao Tribunal Superior Eleitoral e impedir a vitória da Dilma no tapetão.
Há certo perigo aí.
A Procurador Eleitoral é a Dra. Cureau, sempre imparcial, que quer calar o Mino Carta.
Marco Aurélio de Mello, que, em 2006, como presidente do TSE, ameaçou não dar posse ao Lula, é titular do TSE.
Gilmar Dantas (**) é suplente no TSE, ele que tentou, com as tropas do Estadão, dar o Golpe de Estado da Direita.
O jenio tem mais chance no TSE do que no voto.
E a UDN só ganha eleição no tapetão – no Golpe.
Acontece que a Dilma perdeu a paciência.
Dilma não é Lula.
Na resposta à Folha – clique aqui para ver esse vídeo histórico – ela se pôs ao lado de Leonel Brizola, autor de outro vídeo histórico – clique aqui para ver o editorial que Brizola obrigou o Roberto Marinho a ler.
Os filhos o Roberto Marinho sabem disso – o temperamento da Dilma está mais para Brizola do que para Lula.
A Dilma não vai esperar o Golpe sentada em cima das mãos.
Dilma tem um aliado importante.
Já imaginou o Lula na rua, a pregar uma greve geral para garantir a posse da Dilma ?
Lula não é Jango.
Isso parece uma insensatez ?
Insensatez é o que o PiG (*) faz hoje no Brasil.
A eleição não é mais entre a Dilma e o Serra, que foi atropelado pela própria insignificância.
A eleição é entre a Dilma e o PiG (*).
A Judith Brito disse que a Associação Nacional dos Jornais, que preside em nome do Otavinho, é a oposição.
Ela provavelmente não sabia que tinha entrado para a História do Golpe, que tinha escrito uma página do Livro de Ouro da extrema direita brasileira.
O PiG (*) não tem mais volta.
Ele destruiu todas as pontes que o ligavam à Democracia e ao Estado de Direito.
O PiG (*) é o PiG (*) da Argentina e da Venezuela.
Vai fazer o que ?
Demitir a Eliane Catanhêde para se aproximar da Dilma ?
A urubóloga, o Merval, o Waack, o Ali Kamel, o do Golpe de 2006 ?
Não tem como.
O ultimo recurso será entrar com um pedido de anulação da eleição no TSE, redigido por um jurista de prateleira, como, por exemplo, Yves Gandra Martins.
O que o PiG (*) quer ?
Uma Guerra da Secessão ?
Uma “Revolução” de 32, para se separar de Vargas ?
O PiG (*) está miseravelmente isolado.
Deve representar uns 5% da população brasileira – seus leitores.
Na tem uma passeata do Cansei na rua.
Não tem uma Marcha com Deus pela Família e a Propriedade.
Não tem um Carlos Lacerda.
A FIESP não está no Golpe.
A FEBRABAN não está no Golpe.
A Associação Comercial … associação comercial, qual ?
Acabou a União Soviética e não assusta mais as mal-amadas.
A Igreja Católica afundou-se com seus próprios e não tem autoridade moral para derrubar nem prefeito.
Os americanos estão atolados no Afeganistão e nas dividas.
Não vão mandar a Frota que derrubou o Jango.
E o Obama acha o Lula “o cara”.
Não tem Manifesto dos Coronéis.
Não tem mais seu redator, o grande democrata Golbery e seu fantoche, o George Washington do Elio Gaspari, o general Geisel.
Não tem o IPÊS (o Millenium do Jabor, convenhamos…)
Tem alguém na tribuna da Câmara a pedir o Golpe, como o Padre Godinho, da UDN de São Paulo ?
Cadê o jovem deputado da UDN da Bahia, Antonio Carlos Magalhães, a dizer que o Lula é ladrão ?
Eles morrem de medo do Lula
Quem o PiG (*) representa ?
Quer dar o Golpe em nome de que ?
Em defesa de quem ?
De seus próprios interesses ?
A quem interessa defender o interesse do Otavinho, a não ser o próprio Otavinho ?
Quantas lágrimas serão derramadas no dia em que a Folha fechar ?
Provavelmente só a do Clovis Rossi.
O PiG (*) não tem mais como conversar com a presidenta Dilma, depois desse desabafo, hoje, no Rio.
Não adiante produzir manchete na Folha para o jenio e o Gonzalez reproduzirem no programa eleitoral.
Não dá em nada.
A pesquisa tracking da Vox Populi desmoralizou o Datafalha e o Globope.
A Sensus idem.
Os institutos mineiros acabaram com o blefe, a chantagem.
O Tribunal Superior Eleitoral vai dar o Golpe em nome de que ?
Da quebra dos 30 milhões de sigilos da filha do Serra ?
Do filho da Erenice ?
Do tucano que sumiu com a Caixa (2?) do Serra ? – Clique aqui para ver no Blog da Dilma.
Como diz o Vasco: acharam um monte de Vavás e o Daniel Dantas está solto.
Esse é o problema grave: o PiG perdeu a importância.
Ele só serve para dar Golpe.
Para desestabilizar o país.
Com o Lula, o PiG (*) podia achar que levava o Brasil à beira do precipício e, na hora “h”, o Lula conciliava.
A bonomia do Lula não deixava o caldo virar.
A Dilma não é o Lula.
O Otavinho que se cuide.
Os filhos do Roberto Marinho que se cuidem.
Eles vão fechar o negócio do pai.
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.
Fonte: Conversa Afiada
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A Folha e a “escandalização” do nada [por Luiz Carlos Azenha]
September 22, 2010 - No comments yetAs manchetes diárias dos três jornalões me levam a acreditar que nunca houve, nem há, nem haverá, nada de errado nos governos de José Serra. Está em curso a “escandalização” do nada. Olhem a manchete da Folha de hoje e a resposta do blog do Planalto, em seguida:
A Folha e a “escandalização” do nada
por Luiz Carlos Azenha
Segunda-feira, 20 de setembro de 2010 às 13:07
Secom registra todas as falas públicas do presidente. E a Folha não sabia disso…
A respeito da manchete do jornal Folha de S. Paulo de hoje (20/09), “Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma”, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República esclarece:
1. A manchete está errada. A NBr, canal de comunicação do governo, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em contrato de prestação de serviços com a Secom, não foi instruída a gravar “comícios de Dilma”, mas sim as falas do presidente da República. É importante esclarecer que é missão da Secom manter registros de todos os pronunciamentos do presidente da República. Com isso, não só se assegura a preservação de arquivos que têm valor histórico, como se facilita a correção de possíveis erros de terceiros na divulgação dos discursos do presidente.
2. As gravações não se destinam à divulgação nem foram cedidas a qualquer campanha. Isso fica claro na orientação dada aos cinegrafistas, reproduzida pelo próprio jornal. Diz ela: “O objetivo é somente ter um registro, gravando as ações do presidente e os discursos”. E complementa: “Este conteúdo não é para ser usado na nossa cobertura, nem mesmo para ser gerado para as emissoras. É apenas para registro”. Apesar disso, a Folha dá a entender, sem qualquer prova, que elas poderiam estar sendo “encaminhadas ao comitê de Dilma ou utilizadas na propaganda eleitoral”. Trata-se de uma insinuação leviana.
3. Não houve qualquer utilização da máquina pública em favor desse ou daquele candidato. As gravações não foram cedidas a nenhuma campanha. O material é de uso da Presidência da República. Lamentamos que atividades institucionais regulares da Secom sejam tratadas de forma suspeita, em tom escandaloso.
4. Cabe registrar que a Folha errou ainda na identificação da foto da primeira página do caderno Eleições que vem acompanhada da legenda “Eleitoral – À noite, o cinegrafista filma comício com Dilma e Lula”. A foto publicada não é de nenhum comício, mas de um evento realizado à tarde, na Universidade Federal de Juiz de Fora, numa programação oficial do Presidente da República.
Fonte: Viomundo
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Maria Inês Nassif: Serra é quem bate, Marina é quem se beneficia
September 22, 2010 - No comments yet
Maria Inês Nassif: Serra é quem bate, Marina é quem se beneficia
A candidata do PV, Marina Silva, foi a principal beneficiada pela ofensiva do candidato do PSDB, José Serra, contra a petista Dilma Rousseff. Segundo a pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo divulgada no sábado, Dilma manteve os 51% das intenções de voto registrados nas duas pesquisas anteriores — isto é, repete o índice pela terceira vez. Serra caiu de 27% para 25%, enquanto Marina teve uma alta de 8% para 11%, entre a última pesquisa e a penúltima.
Por Maria Inês Nassif, no Valor Econômico
No último dia de coleta da pesquisa, a substituta de Dilma na Casa Civil, Erenice Guerra, foi exonerada do cargo devido a denúncias de que seu filho fazia tráfico de influência no governo. A pesquisa, portanto, foi colhida depois do início das acusações de quebra de sigilo fiscal da família de Serra e das supostas irregularidades cometidas pela família de Erenice. Apenas 16% dos entrevistados atribuiu a quebra de sigilo à candidata petista. Ainda assim, destes 16%, um em cada três entrevistados continuam declarando o voto em Dilma.
Na pesquisa do Ibope, Serra apenas teve oscilação positiva na Região Norte/Centro-Oeste, onde subiu de 25% para 30% nas preferências de voto. Nesta região, Dilma caiu de 55% para 46%, e Marina subiu de 8% para 13% das preferências. Na Região Sul, Serra manteve o mesmo patamar da penúltima pesquisa, de 35%, Dilma caiu dois pontos, de 44% para 42%, e Marina subiu de 5% para 10%.
No Sudeste, Serra caiu de 31% para 24%, Dilma subiu para 48% e Marina. que tinha 10% das preferências, agora tem 14%. No Nordeste, Dilma continua exibindo 66% das preferências, Serra caiu dois pontos — foi de 18% para 16% — e Marina praticamente nada ganhou: foi de 6% para 7%.
Marina subiu particularmente na camada com ensino superior, que teoricamente tem mais informação. Nessa faixa Serra sofreu uma grande queda. Marina cresceu de 8% para 21%, enquanto Serra reduziu as preferências de 36% para 30%. Dilma permaneceu com 36% das preferências.
Na faixa de renda acima de cinco salários mínimos, Marina cresceu de 13% para 19% e Serra caiu de 34% para 29%. O mesmo movimento, de crescimento do eleitorado de Marina sobre o de Serra, ocorreu entre as mulheres. Marina subiu de 8 para 12% dos votos, enquanto Serra caiu de 28 para 25%. Marina também subiu nas preferências dos homens, de 7% para 10%, enquanto Serra caiu de 27% para 25%.
2º turno improvável
Desde o início do mês, os índices de Dilma nas pesquisas Datafolha, Vox Populi e Sensus têm mantido um patamar entre 50 e 51%. No Datafolha colhido nos dias 2 e 5 de setembro, Serra tinha 28% das intenções de voto. Na última do Ibope, estava com 25%. Marina tinha 10 no início do mês, caiu para 8,9% e 8% nas últimas pesquisas CNT-Sensus e Vox Populi/Band/IG e agora aparece com 11%.
Ainda assim, Marina parece crescer proporcionalmente à queda de Serra, o que continua tornando improvável a definição das eleições num segundo turno. Segundo o último Ibope, Dilma tem 58% dos votos válidos (subtraídos os nulos, brancos e indecisos), o que garantiria a ela a vitória já no dia 3 de outubro.
No Ibope, a rejeição dos dois primeiros colocados ficou no mesmo patamar: 19% dos entrevistados não votariam em Dilma em nenhuma hipótese e 26% se negam a votar em Serra. Na CNT-Sensus, a rejeição de Serra chega a 40%. Os critérios para aferir rejeição dos diversos institutos são diferentes.
Fonte: Vermelho / Valor
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Temporão, o alvo preferido de José Serra [por Rodrigo Martins, na Carta Capital]
September 22, 2010 - No comments yet 
Temporão, o alvo preferido de José Serra
por Rodrigo Martins*
Nos últimos meses, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, está na berlinda. Não que seu trabalho desagrade ao governo, mas a sua gestão virou alvo de críticas ferrenhas da oposição. Especialmente de José Serra, candidato do PSDB à Presidência, que faz campanha muito focada no tema.
A CartaCapital, Temporão fez um balanço de seus três anos e cinco meses à frente do Ministério. E contesta as críticas do candidato tucano, a quem acusa de fazer “populismo sanitário” com indicadores pontuais. Confira, a seguir, a íntegra da entrevista:
CartaCapital: Nos últimos meses, o ex-ministro José Serra, hoje candidato à Presidência, passou a atacar a gestão da saúde. Diz que o governo pecou na prevenção e na promoção da saúde.
José Gomes Temporão: Ele fala, mas não apresenta dados. Diz que recuamos na prevenção, na saúde da mulher. Mas o que exatamente? Aumentamos o número de pré-natal. Só no ano passado distribuímos mais de 500 milhões de preservativos. Serra se coloca como pai do programa de combate à Aids, mas a primeira quebra de patente da história do Brasil foi durante o governo Lula, não foi o Serra nem o presidente Fernando Henrique. E nós incorporamos novos medicamentos ao coquetel anti-Aids. Como dizer que não houve avanços?
CC: Há também a crítica da interrupção dos mutirões para cirurgias eletivas, como as de correção da catarata.
JGT: Mutirão é para atacar um problema agudo, específico, que demanda uma ação pontual para resolver. Transformar isso numa política permanente é descabido, é reconhecer que o sistema de saúde é um fracasso. Eu chamei isso, em 2006, de “populismo sanitário”. Pegamos as quatro cirurgias que eram feitas em mutirões e incluímos num rol de 90 tipos diferentes de cirurgias. Resultado: 500 mil cirurgias a mais que o governo anterior. Estruturamos uma política, definimos os critérios, financiamos os procedimentos do SUS. Mas quem define as metas, onde serão feitas as cirurgias, em que quantidade, é o gestor municipal. Cirurgia eletiva é uma atribuição municipal, a União financia.
CC: E o acesso à medicação?
JGT: Criamos as farmácias populares, com remédios subsidiados. São 534 estabelecimentos que vendem medicamentos a preço de custo, cerca de 105 drogas e preservativos, especialmente remédios para hipertensão, diabetes, colesterol, pílula anticoncepcional, insulina. Além disso, no fim de 2002, a participação dos genéricos no mercado de medicamentos era de 5%. Neste ano vai fechar em 22%. Na medida em que aumenta o poder de consumo da população brasileira, cresce o consumo de medicamentos genéricos. Tanto que esse mercado está crescendo a uma média de 15% ao ano. Houve um forte aumento dos genéricos no governo Lula e isso deve crescer ainda mais. Nos EUA, esse tipo de medicação domina 60% do mercado. Também fizemos as duas maiores campanhas de imunização do País: 67 milhões de vacinados contra a rubéola, em 2008, e 89 milhões agora contra H1N1. Erradicamos o cólera em 2005, a transmissão da doença de Chagas em 2006, a rubéola em 2009.
CC: O Brasil conseguiu eliminar a transmissão da doença de Chagas, mas não obteve êxito no combate à dengue e à malária. Por quê?
JGT: O vetor da doença de Chagas se reproduz em paredes de taipa (barro). Só de mudar o padrão de habitação interrompemos a transmissão. O Aedes aegypti, da dengue, se reproduz em qualquer poça de água. No calor, ele diminui o tempo de incubação das suas larvas. Em média, 60% dos focos de dengue estão dentro das residências. São 100 milhões de casos em todo o mundo.
CC: Então não tem solução?
JGT: A esperança é uma vacina, capaz de combater os quatro sorotipos da dengue. Daqui a quatro ou cinco anos chegaremos a ela. Há vários protótipos sendo testados.
CC: E quanto à malária?
JGT: O foco da transmissão é na Amazônia, em áreas de difícil acesso. Por isso, descentralizamos radicalmente o diagnóstico, o que permite iniciar o tratamento mais cedo. A probabilidade de complicações e morte reduz muito. É o que está acontecendo. Ainda há surtos localizados. Mas, em média, a tendência é de queda no contágio.
CC: No plano da assistência médica, persiste o impasse das longas filas de espera para cirurgias e exames complexos.
JGT: Nenhum sistema de saúde do mundo é imune a filas. Na Inglaterra, a espera por uma cirurgia eletiva pode chegar a 8 meses. Porque a demanda em saúde é muito elástica. Dou razão num ponto: os exames e os procedimentos de certas especialidades, como neurologia, dermatologia e urologia, são excessivos. Só que, no Brasil, essa é uma questão heterogênea. Há cidades em Santa Catarina que praticamente não possuem fila. Em outras, de médio porte, no interior do Nordeste, a longíssimas esperas. É muito difícil ter equipamentos e especialistas em número suficiente, até por falta de dinheiro. Só que este não é o único problema. Temos dificuldade de redistribuir os médicos pelo território nacional, hoje concentrados no Sul e no Sudeste. Falta de dinheiro, falta equipamentos, falta especialistas. É preciso criar arranjos regionais para garantir o atendimento de toda a população, já que é impossível ampliar muito a oferta,
CC: Qual é a marca da sua gestão?
JGT: Trabalho com o conceito de determinação social da saúde. Ou seja, a saúde está relacionada a questões como acesso a educação, emprego, habitação. Qualquer estratégia consistente de saúde tem de estar articulada à melhor distribuição da renda. E nisso o governo Lula fez a diferença. Trinta milhões de brasileiros ascenderam socialmente. Criaram-se novos padrões de consumo. Por isso não podemos olhar para a questão da saúde com foco exclusivo na assistência médica. Deste ponto de vista, colocamos um vetor de transformação que não vinha sendo percebido em épocas anteriores: redução de desigualdades. Porque a assistência médica, por si só, não tem condições de resolver as questões estruturais do País, de adoecimento e morte da população.
CC: A redução das desigualdades é política de saúde?
JGT: Não podemos olhar para a questão da saúde com foco exclusivo na assistência médica. Mas também avançamos nas políticas específicas. Aumentamos em 60% a cobertura do Programa Saúde da Família (PSF). Com isso, criamos uma rede capilarizada de médicos, enfermeiros e agentes comunitários. É um verdadeiro Exército, hoje temos praticamente 240 mil agentes. São 100 milhões de brasileiros cobertos. Além dos aspectos de cuidado médico, o programa avança na promoção da saúde.
CC: Há resultados perceptíveis?
JGT: Um dos resultados mais visíveis seria a redução da mortalidade infantil. Estudos publicados em revistas internacionais mostram que a cada 10% de aumento da cobertura do PSF a mortalidade infantil é reduzida em 4%. Entre 2003 e 2008, a proporção de mortes em cada mil crianças nascidas vivas baixou de 23,6 para 19. E antes de 2015 vamos cumprir a Meta do Milênio, de chegar a 15. Houve ainda uma redução de internações por algumas causas, como insuficiência cardíaca, crise hipertensiva, diabetes.
CC: Êxito na prevenção, é isso?
JGT: Está melhor. Criamos, por exemplo, o serviço do SAMU, que não existia. Concebido com base na experiência francesa, ele tem uma central de regulação de médicos e enfermeiros que atendem por um número nacional, o 192. Esses profissionais se deslocam com ambulâncias às residências ou para a rua para prestar um primeiro atendimento. Chegaremos a dezembro com 162 milhões de brasileiros cobertos. Se o problema é menos complexo, resolve logo ali. Se é mais grave, leva-se o paciente ao hospital ou uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), dependendo da gravidade. Já temos 431 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), para casos de baixa ou média complexidade. Serão mil unidades até 2013, para atender todos.
CC: Uma estratégia para desafogar os hospitais?
JGT: É preciso acabar com essa visão hospitalocêntrica. Estudos mostram que países com foco na atenção primária, como Canadá e Reino Unido, resolvem 80% dos problemas fora dos hospitais. Programas com foco na promoção da saúde são mais eficientes, a relação custo-benefício é melhor e os indicadores de saúde, idem. Basta comparar os índices de saúde dos EUA com a Inglaterra. Os EUA gastam 17% do PIB e a Inglaterra gasta 8%. E todos os indicadores de saúde ingleses são melhores que os americanos. Expectativa de vida, mortalidade infantil, taxa de infecção hospitalar etc. Por quê? Foco na atenção primária.
CC: E a questão da falta de recursos para a saúde?
JGT: O orçamento do Ministério da Saúde é de 60 bilhões de reais. Temos outros 60 bilhões em gastos estaduais e municipais. Isso dá mais ou menos uns 650 reais per capita ao ano. Quando eu pego os gastos da classe média com seguro saúde, dá 1,4 mil reais per capita ao ano. Na Inglaterra, 80% do gasto em saúde é público. No Brasil, é o inverso: 40% do gasto é público e 60%, privado. Se a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, como diz a Constituição, como explicar que a maior parcela do investimento é privada? É preciso inverter essa estrutura de investimento.
CC: O governo federal não poderia equilibrar melhor essa conta?
JGT: A Emenda 29 estabeleceu que 12% das receitas dos estados e 15% dos municípios devem ir para a saúde. Na prática, as cidades todas gastam mais, mas nem todos os estados investem o que deveriam, porque não está definido claramente o que é gasto com saúde. Exemplo: os 70 milhões de reais gastos pelo Paraná com distribuição de leite para as crianças. O estado coloca isso na contabilidade de saúde. Isso não deveria acontecer, porque senão tudo pode ser gasto em saúde. A regra que vale para a União segue uma fórmula: o gasto do ano anterior corrigido pela variação do PIB. Num ano de crescimento econômico, isso é bom. Num ano de crise, é péssimo. A demanda por saúde não para de crescer, aumenta 2% ao ano.
CC: O impacto do fim da CPMF continua pesando?
JGT: Teríamos 40 bilhões de reais a mais atualmente. Por isso o governo propôs um novo tributo, a Contribuição Social da Saúde. Mas ninguém quer aprovar um novo imposto em ano eleitoral. O positivo é que todos os candidatos à Presidência da República explicitaram em seus discursos a necessidade de regulamentar a emenda 29. Mas ainda há uma interrogação: de onde sairão os recursos adicionais para a saúde? Trocando em miúdos, nenhuma alternativa que não garanta ao menos 40 bilhões de reais a mais terá um efeito significativo para a saúde, que está subfinanciado.
CC: Muitos especialistas criticam a existência de uma dupla porta de entrada em hospitais públicos, com atendimento diferenciado a quem é bancado pelo SUS e a quem tem plano de saúde.
JGT: Eu, particularmente, sou contra a dupla porta. Acho que hospital público não deve ter duas portas, deve atender todo mundo sem distinção. A grande maioria dos hospitais particulares atende tanto o SUS como a rede privada. A hotelaria com certeza é diferente. Mas o mesmo tomógrafo é usado pelo paciente do SUS ou da rede privada. O mesmo centro cirúrgico e por aí vai. Se houver critérios diferenciados de acesso, como menor tempo de espera para exames e cirurgias, isso é ilegal. É crime.
CC: Com o problema da desnutrição superado, o elevado crescimento da obesidade no Brasil preocupa especialistas. Mas o governo parece vacilante na hora de impor regras à indústria alimentícia, que oferece produtos calóricos e gordurosos demais.
JGT: Criamos um fórum com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) e pactuamos um prazo para a redução dos percentuais de gordura trans nos alimentos. Estamos discutindo a redução do sal e do açúcar. Por que optamos por esse caminho? Há questões tecnológicas envolvidas. As indústrias possuem portes e tecnologias diferentes. É preciso oferecer um prazo de adaptação, porque uma medida mais radical poderia comprometer todo um setor da economia brasileira. O caminho da regulação estrita esbarraria na incapacidade da indústria se adequar.
CC: A Anvisa publicou uma portaria que regulamenta a publicidade de alimentos, mas não aprovou regras específicas da propaganda dirigida a crianças, como pretendia antes. Por quê?
JGT: Houve uma gritaria enorme. Transformaram uma questão de saúde pública em atentado contra a liberdade de expressão. Mas eu não consigo entender como um bichinho pulando numa tela e dizendo para as crianças “coma isso” pode ser interpretado como liberdade de expressão. A Anvisa recuou porque entrou uma questão relacionada não à legitimidade da proposta, e sim à sua legalidade. O argumento de que apenas o Congresso pode regular isso por meio de lei. É o mesmo que ocorreu no caso da cerveja. Mandamos um projeto para regulamentar a publicidade das bebidas alcoólicas e ele dorme em berço esplendido nalguma gaveta do Parlamento. E de lá não sairá, porque os interesses econômicos são fortíssimos. Fiquei chocado de ver, por exemplo, a seleção brasileira ser patrocinada por uma cerveja.
CC: Qual o maior fracasso da sua gestão?
JGT: A incapacidade de regulamentar a Emenda 29. Sou um militante da reforma sanitária e, como ministro, pensei: “Agora vai”. Mas não foi possível. Não conseguimos equacionar o problema do subfinanciamento crônico da saúde.
*Rodrigo Martins é repórter da revista CartaCapital há quatro anos. Trabalhou como editor assistente do portal UOL e já escreveu para as revistas Foco Economia e Negócios, Sustenta!,Ensino Superior e Revista da Cultura, entre outras publicações. Em 2008 foi um dos vencedores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
FONTE: Carta Capital
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Atualização dos números e análise de 10 eleições para o Senado [por Idelber Avelar]
September 22, 2010 - No comments yetAtualização dos números e análise de 10 eleições para o Senado
por Idelber Avelar
Em primeiro lugar, se você não leu ainda, leia o post inicial sobre as corridas ao Senado, e você entenderá melhor o quadro que apresento aqui. Consciente de que Dilma precisará de apoio parlamentar mais sólido que aquele do qual ele desfrutou, o Presidente Lula tem jogado tudo nas eleições legislativas, impondo, inclusive, algumas concessões amargas ao PT nas corridas para os governos estaduais (Minas Gerais talvez seja a mais amarga dessas pílulas). Os resultados já se fazem notar.
Os números que chegam são muito bons para nós; na verdade, bem melhores do que eu esperava. O Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar fez seus cálculos e, segundo eles, o PT deve se transformar no maior partido da Câmara e aumentar significativamente sua bancada de senadores. Desenha-se um quadro em que Dilma terá maioria tranquila para governar, talvez até mesmo a super-maioria de 3/5 necessária para a aprovação de emendas constitucionais. A esquerda aliada (PSB, PcdoB, PDT) deve crescer também. Tucanos e pefelês já sabem que vão encolher. A dúvida é o tamanho do encolhimento.
Tentei usar os números mais recentes possíveis. Aqui vão eles, com o nome do instituto sempre indicado.
São Paulo, DataFalha: Marta Suplicy (PT) 35%, Netinho de Paula (PcdoB) 34%, Romeu Tuma (PTB) 22%, Aloysio Nunes (PSDB) 22%, Ciro Moura (PTC) 11%, Moacyr Franco 7%. Confesso aqui duas coisas: em primeiro lugar, não imaginava a possibilidade de que a esquerda abiscoitasse as duas vagas no ninho do tucanato por excelência . Mas é exatamente este o quadro que se desenha. Claro que nada está definido e Renato Rovai, outro dia, alertou que a própria Marta não está garantida. Aloysio pode crescer, impulsionado pela liderança de Alckmin na corrida para o Palácio dos Bandeirantes. O mais provável, no entanto, é que a esquerda fique com as duas vagas. É um quadro histórico: os dois senadores eleitos por São Paulo seriam um negro comunista (o primeiro negro senador por São Paulo) e uma feminista que foi a primeira mulher a dissertar sobre o orgasmo na TV brasileira. A segunda confissão é que eu tinha tremenda resistência à candidatura do Netinho mas, recentemente, em conversa com Cynara Menezes, mudei de opinião. É evidente que o endosso enfático do blog vai para as duas candidaturas de esquerda.
Rio de Janeiro, Ibope: Lindberg Farias (PT) 36% Marcelo Crivella (PRB) 33% César Maia (DEM) 23% Jorge Picciani (PMDB) 20%. No DataFalha os números são outros: Crivella 40%, Lindberg 36%, César Maia 29%, Picciani 21%. Há alguns meses, parecia inconcebível que César Maia não conquistasse uma das duas vagas em disputa. Mas a onda vermelha levantou o garoto petista oriundo da UNE e ex-prefeito de Nova Iguaçu, e hoje ele é o grande favorito. A segunda vaga pode pender para qualquer um dos três que continuam no páreo. As alternativas para o eleitor de esquerda aqui são: dar seu voto ao (eleitoralmente) nanico Milton Temer, do PSOL, que certamente não será eleito, ou tapar o nariz e votar no Bispo Crivella, o que ajudaria a enterrar um cacique pefelê e daria à base de sustentação de Dilma mais um senador. Como ando pouquíssimo afeito a purismos, desejo um Congresso o mais tranquilo possível para Dilma e sei que esta é a grande chance de desferir o golpe decisivo nos pefelês, eu não teria dúvidas se morasse no Rio: iria de Lindberg e Crivella. 
Minas Gerais, DataFalha: Aécio Neves (PSDB) 71%, Itamar Franco (PPS) 42% 40%, Fernando Pimentel (PT) 32%. Aqui sim, a oposição a Dilma tem um senador garantido, Aécio Neves. Ele certamente será a voz mais forte da oposição no Senado. Há um mês, a diferença entre Itamar e Pimentel era de 18 pontos: 47 x 29. Caiu para 10 8. Dilma terá grande vitória em Minas Gerais e é bem possível que ela leve Pimentel na cola. O mais importante para o eleitor de esquerda aqui é não acompanhar seu voto em Pimentel com um voto em Itamar (acredite, há eleitores progressistas em Minas pensando nisso, com base na vaga memória do nacionalismo de Itamar). Um voto em Itamar e Pimentel é, basicamente, um voto anulado, posto que Aécio está eleito. Além de Pimentel, o blog endossa Zito Vieira, do PcdoB, que não será eleito, mas poderá se cacifar para voos mais altos caso tenha uma votação minimamente expressiva. Há dois meses parecia impossível, mas hoje está claro que Pimentel tem chances de chegar. O comício de Lula, Dilma e Pimentel ontem em Juiz de Fora foi estratégico: trata-se da principal base de Itamar Franco. O dilmismo pode, então, sair do Triângulo das Bermudas com cinco das seis vagas em disputa para o Senado. O blog aposta que terá pelo menos quatro.
Rio Grande do Sul, DataFalha: Inacreditavelmente, Ana Amélia Lemos (PP) 47%, Germano Rigotto (PMDB) 41%, Paulo Paim (PT) 41%. Aqui não há muito o que analisar. A esquerda está numa briga de foice para ter uma cadeira no Senado. Tarso lidera a corrida ao Piratini e tem boas chances de liquidar a fatura no primeiro turno. O blog aposta que com o impulso dado por Tarso e com a força da militância petista gaúcha, Paim segura sua cadeira. É importante, claro, fazer campanha para que o eleitor de Paim não dê o seu segundo voto a Ana Amélia ou Rigotto. A candidata do PC do B, Abigail Pereira, tem 8% das intenções de voto no DataFalha. Luiz Carlos Lucas, do PSOL, tem 2%.
Bahia, DataFalha: César Borges (PR) 29% Lídice da Mata (PSB) 28% Walter Pinheiro (PT) 27%. Até há bem pouco tempo, César Borges, herdeiro do carlismo e único candidato da direita com chances, liderava tranquilo. Agora, embolou tudo e ele corre risco de ficar fora. O governador petista Jaques Wagner deve se reeleger no primeiro turno, o que aumenta as chances dos dois candidatos de esquerda. De toda a longa história de discrepâncias entre o voto de esquerda nas últimas pesquisas antes da eleição e o total de votos efetivamente encontrado nas urnas, a Bahia é o caso mais clássico: em 2006, as pesquisas indicavam vitória de Paulo Souto no primeiro turno. Foi Wagner quem acabou levando de primeira. A esquerda pode sair da Boa Terra com as duas vagas ao Senado. É a aposta do blog.
Pernambuco, DataFalha: Também ali o lulismo quer mostrar com quantos votos se elegem dois senadores. A vitória implicaria o enterro de um lendário cacique pefelê, ex-vice-presidente da República, inclusive. Os números do DataFalha são: Humberto Costa (PT) 47%, Marco Maciel (DEM) 34%, Armando Monteiro (PTB) 32%. Na corrida ao Palácio do Campo das Princesas, Eduardo Campos (PSB), lulista de quatro costados, está impondo a Jarbas Vasconcelos uma das derrotas mais humilhantes da história de Pernambuco, com diferença que pode chegar a 50 pontos. Tanto Lula como Eduardo Campos estão jogando pesado para alavancar Costa e Monteiro. Seria um amargo fim de linha para Marco Maciel: não conseguir renovar sua cadeira no Senado num ano em que há duas vagas em jogo. No estado de Pernambuco, a popularidade de Lula alcança soviéticos 96%.
Paraná, DataFalha: Também aqui o objetivo lulista é abiscoitar ambas cadeiras. A aliança pela qual eu desesperadamente clamava no meu Google Reader, ainda na época de hibernação do blog, acabou se formando. A chapa lulista é fortíssima e lidera com certa tranquilidade. Os números são: Gleisi Hoffman (PT) 44%, Roberto Requião (PMDB) 44%, Gustavo Fruet (PSDB) 21%, Ricardo Barros (PP) 18%. O candidato tucano ao Palácio das Araucárias, Beto Richa, tem liderado as pesquisas por margem cada vez menor. Pouco a pouco, vai se configurando a virada de Osmar Dias (PDT), candidato único do bloco lulista. Nem com o apoio de Richa o candidato tucano ao Senado, Fruet, conseguiu decolar. Fruet foi um dos parlamentares de mais visibilidade em toda a bancada tucana ao longo destes últimos anos. Era o líder nacional do bloco de oposição na Câmara quando anunciou sua candidatura ao Senado. Mesmo assim, patina há meses no patamar dos 20%. O lulismo deve levar as duas cadeiras.
Amazonas, Ibope: Sem dúvida é a eleição que o Biscoito acompanha com mais atenção e entusiasmo. Eduardo Braga (PMDB) está eleito para a primeira vaga. Tem, no momento, 80% das intenções de voto. Brigam pela segunda cadeira Arthur Virgílio, ou “Artur Neto” (PSDB), e Vanessa Grazziotin (PCdoB). Artur Neto liderou a briga por essa vaga até recentemente, mas a coisa virou na última pesquisa. O Ibope dá 39% para Vanessa e 34% para o valentão que queria dar uma surra em Lula. O Amazonas talvez seja o estado brasileiro onde os tucanos são mais detestados. Na eleição para presidente, a vitória de Dilma será esmagadora e Serra corre sério risco de ficar atrás de Marina. A campanha de Vanessa vem crescendo—ela foi recebida recentemente por multidão inédita em Manicoré, município que fica a mais de 300 km de Manaus—e os números do Ibope são anteriores à gravação do depoimento de Lula em apoio a Vanessa. O Biscoito promete festa com rojões, fogos, vídeos, pirotecnia e distribuição de brindes caso a valente militante comunista consiga derrubar o senador mais babaca da república.
Piauí, Ibope: o PT já garantiu uma das vagas. Wellington Dias tem 67% das intenções de voto e não deve ter problemas para se eleger. Também aqui a torcida do blog é forte, na corrente pra trás contra Heráclito Fortes (DEM), figura das mais repugnantes da nossa política. Os números do Ibope na disputa pela segunda vaga são: Mão Santa (PSC) 31,8%, Heráclito Fortes (DEM) 21,7%, Ciro Nogueira (PP) 15,4%, Antônio José Medeiros (PT) 8,8%. Mão Santa não é exatamente um modelo de compromisso com a res publica, mas mesmo que a segunda vaga fique com esse folclórico piauiense, haverá motivos para comemoração. Heráclito terá sido enviado à lata de lixo da história, relegado a uma provavelmente fracassada campanha à prefeitura de Teresina em 2012.
Acre, Ibope: A primeira vaga parece garantida para o PT. O ex-governador do Acre e ex-prefeito de Rio Branco, Jorge Viana, tem 63%. Seu irmão, Tião Viana, deve se eleger governador no primeiro turno. A briga pela segunda vaga mostra: Sérgio Petecão (PMN) 38%, Edvaldo Magalhães (PCdoB) 31%, João Correia (PMDB) 11%. O favorito Jorge Viana tem feito o possível para alavancar Edvaldo junto com ele, e a trajetória do comunista é ascendente. Trata-se de mais um estado em que a esquerda lulista pode levar ambas vagas.
Por hoje é isso, mas prometo voltar com números e análises dos outros estados.
PS: As fotos são, claro, de Marta, Vanessa e Gleisi, tiradas dos próprios sites oficiais linkados.
Atualização: o André Egg e o Daniel Lopes estão lá batendo cabeças e corações com os números do Piauí. É muita gente secando Heráclito.
Fonte: O Biscoito Fino e a Massa
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A ESTRATÉGIA DA DESLEGITIMAÇÃO DO VOTO
September 22, 2010 - No comments yet
O Corvo
A ESTRATÉGIA DA DESLEGITIMAÇÃO DO VOTO
O MODELO É O MESMO DE CARLOS LACERDA CONTRA VARGAS EM 1950: 'SE ELEITO, NÃO DEVE GOVERNAR'
Na reta final das eleições de 2010, a mídia demotucana desistiu de manter as aparências e ressuscitou o golpismo udenista mais desabrido e virulento. O arrastão conservador não disfarça a disposição de criar um clima de mar de lama no país nas duas semanas que separam a cidadania das urnas."Ódio e mentira", disse o Presidente Lula, no último sábado, em Campinas, para caracterizar a linha editorial que unifica agora o dispositivo midiático da direita e da extrema direita em luta aberta contra ele, contra o seu governo, contra o PT , contra Dilma mas, sobretudo, contra a legitimidade do apoio popular avassalador ao governo e a sua candidata nestas eleições. O jornal o Globo foi buscar no sempre desfrutável Caetano Veloso o mote para a investida: "É como se fosse assim uma população hipnotizada. As pessoas não estão pensando com liberdade e clareza". Ou seja, a vitória que se anuncia é ilegítima. Virtualmente derrotada a coalizão demotucana já não têm mais esperança eleitoral em Serra, que avalia como um 'estorvo', um erro e um fracasso --o mesmo "Caê", na entrevista ao jornal carioca, classifica o tucano como "burro", por não ter , desde o início, atacado frontalmente Lula. Sua candidatura, agora, sobrevive apenas como mula de um carregamento de forças, interesses, veículos e colunistas determinados a sabotar por antecipação o governo Dilma, custe o que custar. O objetivo é criar uma divisão radicalizada na sociedade brasileira. Vozes do conservadorismo, mesmo quando travestido de ares pop, caso de Caetano, inoculam na elite e segmentos da classe média um sentimento de menosprezo e ilegitimidade pelo veredito quase certo das urnas. A audácia sem limite cogita, inclusive, levar Dilma a depor no Senado, às vésperas do pleito que deve consagrá-la Presidente do país. O desafio à vontade popular é claro e típico do arsenal golpista. A receita é a mesma pregada por Carlos Lacerda, em manchete do jornal Tribuna da Imprensa, em 1º de junho de 1950, quando era evidente a vitória de Getúlio Vargas contra a UDN. O lema de ontem comanda hoje a ordem unida que articula pautas, capas e manchetes nos últimos 12 dias de campanha: "o senhor Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência, Candidato, não deve ser eleito, Eleito, não deve tomar posse, Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar..."
Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe
Fonte: Carta Maior
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Contra os três grandes monopólios: do dinheiro, da terra, da palavra [por Emir Sader]
September 22, 2010 - No comments yet
Contra os três grandes monopólios: do dinheiro, da terra, da palavra
por Emir Sader
Três grandes monopólios articulam as estruturas de poder das minorias na nossa sociedade e tem que ser quebrados, para que possamos seguir avançando na construção de uma sociedade econômica, social, política e culturalmente democrática.
O primeiro é o poder do dinheiro, monopolizado nas mãos de algumas instituições financeiras, nacionais e estrangeiras, que se apropriam dele para multiplicar seus lucros especulativos. As altas taxas de juros, o Banco Central independente de fato, contribuem para a manutenção e incremento desse monopólio, ao invés de colocar os recursos financeiros a serviço do desenvolvimento econômico e social de todo o país.
O segundo grande monopólio é o da terra, nas mãos de elites minoritárias que a exploram, por exemplo, sob forma de agronegócios de exportação de soja, com transgênicos, concentrando ainda mais a terra em poucas mãos, deteriorando as condições de cultivo, enquanto outros simplesmente mantém latifúndios improdutivos e uma grande massa de trabalhadores continua sem terra e não temos autosuficiência alimentar. É preciso democratizar o acesso à terra, gerar empregos e alimentos para o mercado interno, o que é feito pela pequena e média empresa.
O terceiro é o monopólio da palavra, exercido pelas famílias proprietárias da velha imprensa, que dirigem empresas sem nenhuma democracia, financiada pelas agências de publicidade e as grandes empresas que colocam anuncio nesses órgãos.
São três grandes monopólios privados, que resistem ao imenso processo de democratização em curso na sociedade brasileira. Esses monopólios têm que ser rompidos, com a democratização do uso dos recursos financeiros, da terra e dos meios de comunicação, para que o Brasil se torne, definitivamente, uma sociedade democrática.
Fonte: blog do Emir Sader - na Carta Maior
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Marcos Coimbra: os escândalos na imprensa e a velhinha de Taubaté
September 22, 2010 - No comments yet
Marcos Coimbra: os escândalos na imprensa e a velhinha de Taubaté
Por uma coincidência extraordinária, denúncias pipocam a toda hora nestes últimos dias de campanha eleitoral. Faltando duas semanas para a eleição do sucessor ou, pelo que parece, da sucessora de Lula, falar delas se tornou uma verdadeira obsessão para nossa grande imprensa.
Por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense, Via Vermelho
Se contarmos o tempo transcorrido desde quando surgiu o “escândalo da Receita”, já faz quase um mês que os grandes jornais de São Paulo e Rio, as maiores revistas de informação e o noticiário da principal emissora de televisão dão cobertura máxima a denúncias de vários tipos contra Dilma, sua campanha, o PT e o governo Lula.
O caso da Receita e o mais recente, envolvendo o filho da ex-ministra Erenice Guerra, receberam a atenção de todos. Outros, como a bombástica revelação que uma “falha” de Dilma redundara em prejuízo de R$ 1 bilhão aos consumidores de energia elétrica, ficaram reduzidos ao esforço isolado de um veículo. Como ninguém a levou a sério (sequer o jornal que a havia patrocinado), foi logo esquecida.
Essa disposição para denunciar não atinge o universo da imprensa. Brasil afora, jornais e revistas regionais e estaduais mostram-se menos dispostos a fazer coro com os “grandes”. O mesmo vale na mídia eletrônica, onde o tom escandaloso não é o padrão de todas.
É curioso, mas nenhuma dessas denúncias nasceu na internet, contrariando tendência cada vez mais comum em outros países. Lá, é nos blogs e sites independentes que coisas assim começam e têm seu curso, muitas vezes enfrentando a inércia da mídia tradicional. Aqui, ao contrário, são os jornalões e os grupos de comunicação mais poderosos os mais afoitos na apresentação e apuração de denúncias.
Não se discute se são falsas ou verdadeiras. É certo que algumas, como o “escândalo da eletricidade”, são apenas bobagens. Outras são importantes e produzem consequências reais, como a que levou à saída de Erenice.
Existem as que estavam na geladeira, ao que parece aguardando um “bom momento” para vir à tona, como o “escândalo da Receita”. E há as que, aparentemente, apenas coincidiram com outras, como o “escândalo do caseiro”, que ressurgiu das cinzas agora que a Caixa Econômica foi condenada a indenizar a vítima.
Também não se discute o que fazer nos casos em que há suspeita fundamentada ou confirmação de que alguma irregularidade foi praticada. Partindo da premissa de que somos um país sério e que as instituições funcionam, qualquer denúncia com verossimilhança precisa ser apurada e os culpados punidos. Aliás, todas estão sendo acompanhadas pelo Ministério Público, a Polícia Federal e a própria imprensa.
Mas só a velhinha de Taubaté acredita que a coincidência de tantos “escândalos” é obra do acaso. A onda nasceu em tal momento que é impossível não desconfiar que exista intencionalidade por trás dela.
Os segmentos na sociedade e na mídia insatisfeitos com a possibilidade de vitória de Dilma aguardavam ansiosos o começo da propaganda eleitoral na televisão e no rádio. Sabe-se lá de onde, imaginavam que Serra reagiria a partir de 17 de agosto e que conseguiria reverter suas perspectivas muito desfavoráveis.
Não viam que o mais provável era o oposto, que Dilma crescesse quando Lula chegasse à televisão. Como resultado de mais um dos equívocos que cometeram na avaliação das eleições, se surpreenderam quando a vantagem da candidata do PT rapidamente aumentou.
Foi de repente, quando a decepção com a performance de Serra e o susto com o bom desempenho de Dilma se generalizaram, que começamos a ter uma denúncia atrás da outra. A temporada de escândalos teve sua largada na última semana de agosto, quando saíram as primeiras pesquisas públicas feitas após o inicio do horário gratuito, mostrando que a diferença entre eles passava de 20 pontos.
De lá para cá, nada mudou nas intenções de voto. Alguns comentaristas procuram indícios de oscilações, com lupas esperançosas, ansiosos para encontrar sinais de que tanto barulho produza efeitos. Até agora, nada.
Chega a ser engraçado, mas há países em que se proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais nos 30 dias que antecedem uma eleição. Tudo para não perturbar as pessoas na fase da campanha em que deveriam pensar mais. Eles acham que ninguém deveria interferir nesse momento de recolhimento e reflexão.
É porque não conhecem o que é capaz de fazer (ou de tentar fazer) nossa “grande imprensa”.
* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Michael Hudson: “Modelo econômico dos EUA está falido”
September 22, 2010 - No comments yet
Michael Hudson: “Modelo econômico dos EUA está falido”
Segundo o economista norte-americano, os EUA impulsionaram um modelo econômico que está falido e, com o advento da mais recente crise econômica global, cabe agora aos países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) usar sua força conjunta para colocar em marcha um modelo alternativo: “Quando o EUA diz que os países do Bric ainda têm espaço para aumentar suas dívidas, o que quer dizer é que estes países ainda têm minas que podem ser vendidas e ainda têm florestas que podem ser cortadas. Nos próximos anos, o Norte vai fazer o máximo possível para pegar os seus recursos”, disse Hudson, durante seminário promovido pelo CDES em Brasília.
por Maurício Thuswohl*
BRASÍLIA - “No cinema, nós já tínhamos o Michael Moore. Agora, na economia, temos o Michael Hudson”. A brincadeira feita pelo conselheiro Jacy Afonso de Melo revela o impacto causado pela intervenção do economista e professor da Universidade do Missouri na quinta-feira (16), durante sua participação em um seminário internacional promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) em Brasília. Hudson, um ex-economista de Wall Street, mereceu repetidos aplausos dos participantes do seminário ao apresentar, assim como o xará cineasta, um ponto de vista ácido e crítico sobre o modelo econômico de seu país.
Segundo o economista norte-americano, os Estados Unidos impulsionou “um modelo econômico que está falido” e, com o advento da mais recente crise econômica global, cabe agora aos países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) usar sua força conjunta para colocar em marcha um modelo alternativo: “Quando o EUA diz que os países do Bric ainda têm espaço para aumentar suas dívidas, o que quer dizer é que estes países ainda têm minas que podem ser vendidas e ainda têm florestas que podem ser cortadas. Nos próximos anos, o Norte vai fazer o máximo possível para pegar os seus recursos”, disse Hudson, em uma de suas muitas frases de impacto.
Hudson afirmou que o governo norte-americano passou 50 anos obrigando os países em desenvolvimento a contrair empréstimos que, na verdade, tinham como objetivo principal a criação de uma infra-estrutura que facilitasse a exportação de grãos, minério e outras matérias-primas para os EUA: “Mais tarde, em sua fase neoliberal, o governo dos EUA perguntou: por quê vocês, para pagar as dívidas que contraíram conosco, não vendem as estradas e portos que construíram com o dinheiro que emprestamos?”, concluiu.
Instituições como o FMI e o Banco Mundial, na visão de Hudson, foram criadas com o objetivo de fazer com que os países em desenvolvimento dependessem dos EUA. Segundo o economista, a adoção do dólar como moeda de parâmetro para a economia mundial foi, ao lado do que qualificou como “dependência militar”, o principal fator de fortalecimento para a hegemonia norte-americana: “Por isso, os Brics podem criar novas estruturas econômicas que não sejam baseadas no poder militar dos EUA”, disse.
Hudson citou o exemplo da China, “a quem os EUA só deixam gastar sua riqueza para comprar bônus do Tesouro americano”, para afirmar que o Brasil, fortalecido pela travessia sem grandes traumas da crise econômica global, pode seguir outro caminho: “O Brasil pode criar os seus próprios créditos, e vocês não precisam de moeda estrangeira para fazer a economia funcionar”.
Novo sistema financeiro
Além de Michael Hudson, outros palestrantes estrangeiros analisaram a conjuntura econômica mundial. Também norte-americano e pesquisador da Universidade do Missouri, Larry Randall Wray pregou a necessidade de criação de um novo sistema financeiro internacional: “Esse sistema deve ter um mecanismo de pagamento sólido e seguro, promover empréstimos menos longos, adotar um mecanismo de financiamento imobiliário sólido e um ativo de capitais a longo termo”, disse Wray, acrescentando que “esses ajustes não precisam ser feitos necessariamente pelo setor privado”.
Diretor do Observatório Francês de Conjunturas Econômicas (OFCE), Xavier Timbeau defendeu a adoção de programas de renda-mínima pelos países em desenvolvimento: “Precisamos adotar novos indicadores de riqueza que não sejam meramente econômicos. Não digam que para reduzir a pobreza basta aumentar o crescimento da economia” disse o economista francês.
O economista mexicano Julio Boltvinick também sugeriu “uma abordagem crítica sobre o paradigma dominante que reduz o bem-estar humano ao bem-estar econômico” e defendeu a adoção de novos conceitos de bem-estar: “Riqueza por si só gera poder, mas não gera necessariamente bem-estar”. Boltvinick defendeu ainda a criação de um índice de progresso social e a adoção de um indicador de tempo livre como formas de medir a desigualdade social em cada país: “Uma sociedade justa tem um tempo livre igualitário”.
Fonte: Carta Maior
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Lula: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos” [por Luiz Carlos Azenha]
September 18, 2010 - No comments yet
Lula: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos”
por Luiz Carlos Azenha
Vi um pequeno trecho do discurso de Lula em Campinas, pela rede. Anotei: “Dono de jornal tem lado. Dono de TV tem lado. Dono da revista tem lado”, disse o presidente da República ao pool de repórteres que cobria o evento, pedindo a eles que também se decidissem.
Segue uma descrição feita pelo Estadão, mas me pareceu incompleta. Deixem nos comentários vídeos ou o texto completo do discurso, já que me parece que é a primeira vez que Lula explicita abertamente que os jornalões participam da campanha eleitoral, embora neguem:
‘Nós somos a opinião pública’, afirma Lula
Presidente critica imprensa e diz que não precisa de formadores de opinião
por Rodrigo Alvares , do estadão.com.br
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a fazer críticas contundentes à imprensa e à oposição durante comício realizado na tarde deste sábado, em Campinas (SP).
“Tem dias em que alguns setores da imprensa são uma vergonha. Os donos de jornais deviam ter vergonha. Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos. Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública”, afirmou.
Também falou que os jornalistas precisam ter um “lado” porque também votam.Lula também atacou abertamente o PSDB: “Não tem nada que faça um tucano sofrer mais que ter um bico tão grande para falar e tão pequeno para fazer”.
Caminhando de um lado para o outro no palco, o presidente chegou a ironizar que Dilma Rousseff, Aloizio Mercadante e José Eduardo Dutra haviam pedido para ele “se conter”. “Tem algumas coisas que precisam ser ditas. Vocês sabem que tucano come até filhote no ninho. Quando o Mercadante se eleger governador, vou criar um Bolsa Família para os tucanos não passarem fome.
Pouco antes, Dilma falou que “em 2002, eles diziam que não tínhamos competência para governar. Hoje, podemos falar que um metalúrgico foi capaz de fazer mais escola técnica do que os doutores que vieram antes”.
A petista não comentou a saída de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, ou as asdenúncias puclicadas nos últimos dias. Preferiu mobilizar a plateia até o dia 3 de outubro e se ateve às conquistas do governo Lula: “Daqui a 15 dias, vamos estar decidindo qual é o rumo deste País. Se queremos aquele País das desigualdades ou se queremos um País construído pelo presidente Lula.
A ex-ministra da Casa Civil disse que vai “honrar o legado desse governo sem miséria, onde podemos viver em paz”. “Mais que honrar, vou seguir um conselho do Lula: ‘O difícil não é governar, é governar com o coração. Você tem de saber de que lado está. Nós estamos do lado de 190 milhões de brasileiros”.
PS do Viomundo: É óbvio que o presidente da República, ser político que é, nesta questão mata três coelhos de uma vez: polariza a eleição (para reduzir a abstenção), blinda sua candidata de acusações da mídia (mesmo as que porventura forem procedentes e não partirem do maníaco do parque) e radicaliza o tucanato midiático (quanto mais falarem mal de um presidente com quase 80% de popularidade, mais votos ele conquista para Dilma).
Fonte: Viomundo
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Não querem só calar Carta Capital. Querem matá-la [por Brizola Neto]
September 18, 2010 - No comments yetResista, Mino Carta e sua íntegra Carta Capital
Não querem só calar Carta Capital. Querem matá-la
por Brizola Neto
Os donos da grande mídia no Brasil adoram montar seminários para dizer que a liberdade de imprensa está ameçada no país. Seus argumentos são ridídulos e nem mesmo eles acreditam nisso, tanto que ousam as maiores irresponsabilidades com a certeza de que nada lhes acontecerá. Jornalistas estrangeiros, que trabalham em veículos respeitáveis, afirmam que o Brasil desfruta de uma liberdade de imprensa difícil de ver em outros lugares.
Se alguém acredita no apreço que esse grupo tem pela liberdade de imprensa ,veja o que acontece agora, quando a revista Carta Capital é intimada por ofício da procuradora eleitoral Sandra Cureau a apresentar a relação da publicidade e dos valores recebidos do governo federal em 2009 e 2010. Ninguém deu um pio. Pior ainda, nem uma linha. O assunto só circulou na blogosfera, já que a grande mídia tenta aparentar que Carta Capital não existe.
Se tal medida fosse tomada em relação à Veja ou Folha de S.Paulo, por exemplo, todos os jornais estariam escrevendo editoriais, o instituto Millenium já teria convocado o Reinaldo Azevedo e o Jabor para bradarem contra censura e o totalitarismo no país e a Sociedade Interamericana de Imprensa alardearia o fato além das nossas fronteiras.
É claro que dessa turma não podemos esperar nada. Mas temos que exigir que a sociedade e principalmente os órgãos de classe se manifestem. Cadê a Associação Brasileira de Imprensa? Onde estão os sindicatos de jornalistas? A Ordem dos Advogados do Brasil? É preciso denunciar a tentativa de censura que fazem a um veículo da imprensa brasileira que ousa desafiar a voz comum e pratica um jornalismo de personalidade e qualidade únicos.
Disse mais cedo: quem cria um estado de intimidação e vassalagem no Brasil não é o Estado, mas o statablishment, o poder empresarial.
Mino Carta, diretor de redação da Carta Capital, não pode ficar se defendendo sozinho, embora tenha talento bastante para isso, como ao responder a Bob Fernandes, do Terra Magazine, sobre a intenção do ofício da dra. Cureau. “A senhora Cureau entende que nós somos comprados pelo governo federal, via publicidade. Se ela se dedicasse, ou se dedicar, porém, à mesma investigação junto às demais editoras de jornais, revista, e outros órgãos da mídia verificaria, verificará, talvez com alguma surpresa, que todos eles têm publicidade de instituições do governo em quantidade muito maior e com valor maior do que Carta Capital.”
E ainda completou: “Aliás, me ocorre recordar que durante o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, dito FHC, fomos literalmente perseguidos pela absoluta ausência de publicidade do governo federal. E a pergunta que faço é a seguinte: então, alguém, inclusive na mídia, se incomodou com isso? Ninguém considerou esse fato estranho? Uma revista de alcance nacional não receber publicidade alguma enquanto todas as demais recebiam?”
A indagação de Mino Carta é óbvia. Se hoje a grande mídia busca silenciar Carta Capital, no governo dos tucanos ela tinha o apoio do governo para isso. Não só silenciá-la, mas se possível asfixiá-la economicamente até a morte.
Mas enganam-se. Em pouco tempo, se houver uma ação aguda de um governo comprometido com a liberdade de informação, e a internet chegar à toda a população, eles estarão reduzidos ao monopólio do…. nada…
Escrevam o que digo, vamos enfrentar uma batalha pesadíssima no Congresso para abrir a internet a todos os brasileiros. Os “donos” da informação farão de tudo – como vocês já viram que eles são capazes – para, em nome de sua arrogância empresarial, continuarem negando ao povo brasileiro o direito de saber a verdade.
Fonte: Tijolaço
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PRESIDENTE LULA MOBILIZA 30 MIL PESSOAS EM CAMPINAS E CONVOCA A RESISTÊNCIA AO GOLPISMO MIDIÁTICO
September 18, 2010 - No comments yet
AGORA, SÓ RESTA UMA CAPA DA VEJA
PRESIDENTE LULA MOBILIZA 30 MIL PESSOAS EM CAMPINAS E CONVOCA A RESISTÊNCIA AO GOLPISMO MIDIÁTICO
aspas para o Estadão, 18-09: "... o Largo do Rosário, na região central de Campinas foi tomado por cerca de 30 mil pessoas... Apesar do esquema para proteger Lula, muitos prédios comerciais no entorno estavam abarrotados de curiosos nas janelas. Um limpador de janelas parou o que estava fazendo na marquise de um prédio ,ao lado do palco, quando Lula começou a discursar...." Aspas para o discurso do Presidente:
"...nós não vamos derrotar apenas os blocos adversários tucanos, nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como se fossem partido político e não têm coragem de dizer que são partido político e têm candidato...Eu estive lendo algumas revistas que vão sair essa semana, sobretudo uma que eu não sei o nome dela. Parece "óia” ... destila ódio e mentira. Ódio...Tem dia que determinados setores da imprensa brasileira chegam a ser uma vergonha. Se o dono do jornal lesse o seu jornal e o dono da revista lesse a sua revista, eles ficariam com vergonha do que eles estão escrevendo exatamente neste instante. E eles falam em democracia... Nós não precisamos de formadores de opinião. Nós somos a opinião pública...Eles não suportam escrever que a economia brasileira vai crescer 7% este ano, não se conformam é que um metalúrgico vai criar mais emprego que presidentes elitistas que governaram este País.Não tem nada que faça um tucano sofrer mais do que a gente provar que eles têm um bico muito grande para falar e um bico pequeno para fazer..."
*Carta Maior apoia ato no Sind. dos Jornalistas, dia 23, contra o golpe midiático.
Fonte: Carta Maior
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Grande mídia planeja a "Venezuelização" do Brasil
September 18, 2010 - No comments yet
Grande mídia planeja a "Venezuelização" do Brasil
Alguns dos principais jornais do país estão, há algumas semanas, trabalhando diariamente para imputar ao Presidente Lula a pecha de “ditador” e qualificar a eventual vitoria de Dilma como uma ameaça à democracia. Foi o próprio Serra quem retomou o termo “República Sindicalista”, em reunião com militares no Rio de Janeiro. Agora, o remake de uma antiga propaganda de um periódico de São Paulo insinua comparações entre Lula e Hitler (sic), numa ignóbil peça publicitária que insulta a inteligência dos brasileiros. Cabe lembrar que, no sombrio despertar das ditaduras latino-americanas, golpistas jamais aplicam "golpes". Na pior das hipóteses adotam "medidas extremas para salvar a democracia".
por Vinicius Wu
“Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos“
Trecho do Editorial de “O Globo” de 1 de abril de 1964.
No sombrio despertar das ditaduras latino-americanas, ditadores jamais se apresentaram enquanto tal. Golpistas jamais aplicam “golpes”. Na pior das hipóteses adotam “medidas extremas” para salvaguardar a democracia, a liberdade e, em casos mais graves, o “sagrado” direito à propriedade. Esta foi uma das “inovações” mais bizarras das ditaduras que emergiram no contexto da guerra-fria. Não é por acaso que até hoje, nos círculos saudosistas do regime militar, o golpe que depôs o Presidente eleito João Goulart seja saudado como “Revolução Redentora”.
De acordo com esta narrativa, as prisões, as torturas, o silêncio imposto à livre manifestação do pensamento e a perseguição política não foram mais do que gestos em defesa da “liberdade”. Até aí nada de novo. Porém, deve causar inquietação entre as forças democráticas no Brasil de hoje o ressurgimento desta retórica com uma força perturbadora ao longo das ultimas semanas.
Alguns dos principais jornais do país estão, há algumas semanas, trabalhando diariamente para imputar ao Presidente Lula a pecha de “ditador” e qualificar a eventual vitoria de Dilma como uma ameaça à democracia.
Foi o próprio Serra quem retomou o termo “República Sindicalista”, em reunião com militares no Rio de Janeiro. Agora, o remake de uma antiga propaganda de um periódico de São Paulo insinua comparações entre Lula e Hitler (sic), numa ignóbil peça publicitária que insulta a inteligência dos brasileiros.
Justiça seja feita a um dos mais erráticos colunistas do jornal O Globo, que há alguns dias foi quem lançou a moda de comparar o presidente mais popular da história do país, eleito e reeleito pelo voto direto, ao líder nazista. O mesmo colunista andou reproduzindo um artigo denominado “A solução final” (sic), no qual era apresentada uma tosca análise de um recente pronunciamento do Presidente Lula.
É sim preocupante o movimento, pois, embora não tenha força social e condições políticas de se transformar em um novo golpe, contribui para a emergência de um clima de recrudescimento da luta política no país, que pode ter graves conseqüências para a democracia e um desfecho imprevisível nos próximos anos.
Na verdade, o que buscam é a “venezuelização” do país. Ou seja, trabalham abertamente para a criação de um ambiente político de instabilidade permanente, fragilização das instituições democráticas e deslegitimação do voto popular.
O que está em jogo é o cenário em que se dará a luta política no país no próximo período.
Diante do fato de que a eleição de Dilma parece ter-se tornado um acontecimento praticamente irreversível, a questão passa a ser a definição do cenário em que se dará a luta política ao longo de um eventual governo Dilma. Pretendem inaugurar um ambiente de “crise permanente”, de confronto político aberto entre posições irredutíveis.
A comparação com a Venezuela é inevitável. Afinal, muito se fala por aqui dos erros de Hugo Chávez (em grande medida reais). No entanto, pouco é dito a respeito do comportamento golpista, desrespeitoso e grotesco dos grandes conglomerados de comunicação venezuelanos, que frequentemente chamam o presidente do país de “macaquito”.
Em seu renitente cinismo, os grandes monopólios da comunicação brasileiros alertavam para o “risco” da importação do chavismo por Lula. Agora passam, de fato, a incentivar a “Venezuelização” do Brasil, importando um comportamento golpista e irresponsável, característico da grande mídia venezuelana.
Já que não conseguem derrotar Lula trabalham para criar um ambiente de enfraquecimento da autoridade e da legitimidade social e política daquela que deve ser a próxima presidente do país.
A vitória do amplo diálogo social inaugurado por Lula – um dos elementos chave do sucesso de seu governo – conta com a aversão de determinados setores da grande mídia, que perceberam a centralidade de combater o novo “pacto” social - inaugurado por Lula - em sua estratégia de derrotar o PT a qualquer custo.
À época de Goulart a deslegitimação da democracia fundava-se no argumento de que a fraqueza da democracia estava permitindo a “bolchevização” do país, através da supostas concessões que o governo Goulart fazia ao PCB.
Na época atual, os esforços em favor da mesma deslegitimação visam atingir diretamente a figura do Presidente, identificando-o com o autoritarismo, o paternalismo e o clientelismo. Um grau de irresponsabilidade só compreensível face à enormidade do preconceito que lhes move.
Uma imprensa capaz de comparar um presidente democrata e com enorme popularidade ao criador de uma das maiores tragédias do século XX só pode mesmo estar disposta a tudo para fazer prevalecer sua visão de “democracia”. Estejamos atentos.
Fonte: Carta Maior
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Eu confio no povo brasileiro
September 18, 2010 - No comments yetpor Eduardo Guimarães, no Cidadania.com
Muita gente sensata e preparada discordará deste blogueiro quando diz que mantém uma fé inabalável na democracia. Mais do que um sistema em si, no qual a vontade da maioria prevalece, o que produz de melhor é o aprendizado democrático.
A democracia deixou de ser praticada neste país durante mais de duas décadas. Em 1989, quando voltamos a exercitá-la, a nova geração de um país de jovens ainda teria que aprender a lidar com essa direita midiática que continua tentando lhe tenta conduzir a vontade eleitoral.
Duas décadas depois, porém, o brasileiro adquiriu experiência democrática. Não se deixa mais enganar por ter aprendido a fazer perguntas a si mesmo que não faria quando do retorno do direito ao sufrágio universal em todos os níveis de governo.
O marco da evolução da experiência democrática de nosso povo nem é tão recente. Começou em 2002, com um ato de coragem que foi o de eleger presidente um homem que essa mesma imprensa disse, por décadas, que afundaria o país.
A escolha foi simples em 2006 e será ainda mais simples em 2010. Todos esperavam a sucessão de denúncias que cumpriu o script que a blogosfera deduziu e anunciou com grande antecedência.
Esse mesmo povo sabe ainda mais, que em um eventual governo de continuidade o bombardeio continuará tentando atrapalhar a administração do país, de forma que caminhe mal, o que criaria o ambiente para que as forças políticas de sabotagem retomassem o poder.
Enganam-se os que subestimam o povo brasileiro – e, por mais que tentem se mostrar conformados com o rumo da decisão eleitoral deste povo, acreditam piamente na possibilidade de revertê-la.
Fracassarão. Continuo dizendo que a sociedade brasileira não aceita mais campanhas eleitorais como a que José Serra e seu aparato de propaganda extra-oficial deram, novamente, ao país. E como não aceita, dará esse recado nas urnas de forma clara, dentro de 16 dias.
Os devaneios sobre comprometer o novo governo desde o início, tampouco se transformarão em realidade. Este povo sustentará esse governo enquanto ele se mantiver no rumo traçado por Lula.
A vitória de 3 de outubro não será de um partido ou de um candidato – ou candidata. Será de um povo que chegou ao início deste século compreendendo um fato crucial, o de que a política pode mudar a sua vida. Eu confio em nosso povo.
Fonte: Blog da Cidadania
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Serra abandona a campanha eleitoral
September 18, 2010 - No comments yet

Serra abandona a campanha eleitoral
por Roni Chira
Acuado pelas pesquisas, reduzido à sua estatura real pelos adversários e abandonado por boa parte dos aliados, Serra desistiu de ser candidato para tornar-se uma caricatura grotesca de prima-dona à beira de um ataque de nervos. Além de desistir de perder a eleição com dignidade, revelou uma sobre-reserva de hipocrisia que provavelmente nem sabia ter tão abundante: ao contrário de latinos machistas e golpistas como Costa e Silva, Pinochet, Stroessner e Videla, Serra deu holofotes às mulheres que o cercam. Trouxe filha e esposa para a frente de batalha. Uma como vítima, já desmascarada, e outra vociferando um discurso raivoso que lembra a velha TFP.
Junto a elas, a quadrilha de assaltantes da opinião pública que se auto-denominam “jornalistas” continua a todo vapor. Surgem todos os dias, do esgoto do PIG, trazendo a tira-colo vigaristas como Rubnei Quícoli e Antonio Atella – que a troco de algum trocado (seja em espécie ou em créditos), se oferecem para pivots de manchetes caluniosas lançadas no encalço de Dilma Rousseff.
Esse grupo vai seguir espirrando seu lodo, aqui e ali, visando, tirar votos de Dilma a qualquer custo. Por enquanto, jogam seu jogo sozinhos, sem afetar os estáveis indicadores para 3 de outubro.
Mas é bom lembrarmos que os números das pesquisas podem ser vistos de duas maneiras: do ponto de vista de Dilma, a vantagem é de 27% e lhe assegura a vitória no primeiro turno. Já o PIG vê na soma dos votos de Serra, Marina e nanicos, a diferença que levaria ao segundo turno em 14%. E estes 14%, seriam, na verdade, 7% + 1 voto. Pois cada ponto que muda de lado, reduz a diferença em 2.
(Estarão os “verdes-laranjas” de Marina Silva conscientes do voto útil a Serra que representam?)
O momento mais crítico desta campanha se dará na véspera e no intervalo que separa o fim dos programas eleitorais do dia das urnas. Como se sabe, neste período, a justiça eleitoral proíbe quaisquer ações de campanha – para que o eleitor consulte sua consciência e consolide suas escolhas. Sendo assim, é aí que Dilma estará vulnerável a qualquer ataque midiático golpista sem chances de defesa. (E o PIG poderia martelar o assunto à vontade, dias seguidos.)
Qual seria o factoide? Quais seriam seus coadjuvantes? Qual seria o palco? É impossível prever com certeza. Mas algumas teorias já foram levantadas na blogosfera aqui e aqui. E todas são procedentes. Principalmente quando se leva em conta os antecedentes deste grupo que atua no país desde os tempos da ditadura militar.
Se levassem a eleição ao segundo turno repetiriam o mesmo roteiro. Além disso, uma vez decididas várias batalhas regionais, Serra recuperaria muitos apoios que o abandonaram pela rejeição estrondosa que coleciona. E no rearranjo do tabuleiro eleitoral, a batalha principal se daria em São Paulo, tendo a máquina de Alckmin (caso já vitorioso) inteiramente devota a sua campanha.
Outro aspecto seria o reaquecimento financeiro da campanha de Serra. Há rumores de que não “esticando” até o segundo turno, as dívidas de campanha não poderiam mais ser pagas. Credores acumulados, ou todos trabalhariam para virar o jogo e garantir “o seu”, ou o calote seria geral.
No segundo turno, o PIG poderia contar, se necessário, com a movimentação no STF que, “bem liderada”, acenderia a chama da “legalidade jurídica” para qualquer “emergência”. E não há dúvidas de que muitos juízes que estão em cima do muro hoje, desceriam.
Para diminuir os impactos deste jogo sujo, há duas frentes a serem priorizadas pelas forças progressistas:
A primeira tem que se dar no rádio e na TV. A campanha de Dilma deve trazer o assunto da “bala de prata sem chances de defesa” para a pauta de seus programas eleitorais e denunciá-la com veemência. Não podemos esquecer que, os 10 minutos mais livres, soberanos e abrangentes do PT na TV, são aqueles dos programa eleitorais. 10 minutos contra o restante de todo o monopólio midiático. (É impressionante constatar quantas obras importantes estão em andamento no país e que a população desconhece. Simplesmente porque a mídia as esconde!)
Na segunda frente, a militância tem que seguir desmascarando este trabalho sujo da Folha de S. Paulo, Estadão, Veja e Rede Globo. Na web e nas ruas. Tem que esquecer a vantagem numérica das pesquisas e tratar o jogo como realmente é: uma questão de vida ou morte para a soberania do Brasil e seu povo.
E mesmo que não tenham elementos para construir o golpe, quanto maior for a votação em Dilma, menores serão os efeitos dos inevitáveis ataques que receberá do PIG ao longo de seu governo. Lula que o diga…
Fonte: Blog OQueSeráQueMeDá
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Som e fúria da velha imprensa [por Gilson Caroni Filho]
September 18, 2010 - No comments yetO que vocês esperavam da mídia brasileira: isenção, equilíbrio, não alinhamento com a direita? Que os proprietários dos veículos fossem capazes de contrariar seus interesses financeiros e políticos em nome da cobertura lisa do processo democrático? Desde a eleição de Lula a que temos assistido?
por Gilson Caroni Filho*
Em uma guerra onde cada queda nas pesquisas repercute como a perda de um exército do candidato tucano, a grande imprensa brasileira tem a reação previsível. Emissoras de televisão, jornais e revistas semanais se unem em grupos, deixando a confiança em uma improvável virada de José Serra se avolumar até atingir o êxtase nos estratos sociais que lhe dão sustentação rarefeita. Tal comportamento, onde todos os meios de comunicação atuam de forma orquestrada, em fina sintonia com os comitês de campanha, traduz a relação simbiótica entre o tucanato e as famílias que controlam os mecanismos de produção e difusão informativos. No estreitamento do processo, um projeta no outro seus interesses pessoais e políticos. Serra é a mídia. A mídia é Serra.
Cria-se uma vivência de alienação, situação de risco escolhida para se experimentar um novo cenário golpista. Neste clima, são negadas as dificuldades em se resolver os problemas sociais, políticos, econômicos e ideológicos de uma candidatura fadada a um “enterro de Gioconda". É por esta anestesia da razão, alheamento da realidade, que se acentua a autoconfiança dos milicianos encastelados nas editorias de Política. Só assim acreditam que o desejo poderá ser satisfeito em um passe de mágica. Transitam pela animação da onipotência, acreditando possuir a força ilimitada dos deuses. Quando, no entanto, a história mostra o seu compasso, o efeito delirante dá lugar ao desconforto da depressão e do vazio ameaçador. Serra é a mídia. A mídia é Serra.
Não há espaço para o contraditório. Publicações que não fazem parte do pool tucano são censuradas no campo jornalístico. Escândalos são fabricados em escala crescente. Denúncias publicadas sem apuração. O contraditório inexiste. A imprensa golpista, involuntariamente, reaviva a advertência de Gramsci: enquanto o mundo velho não se finda e o novo não se afirma, a sociedade vive num estágio de morbidez latente, apta a produzir seus fenômenos mais perversos. Nesse interregno, os Mervais, Leitões, Noblats, Josias e Fernandos, entre tantos outros, fazem, ou tentam fazer, o retorno a uma formação política infantilizada, desagregada e primitiva.
Se for justa a indignação dos que militam no campo democrático, a perplexidade é imperdoável. Desculpem-me a sinceridade da pergunta, mas que tipo de comportamento vocês esperavam da mídia brasileira: isenção, equilíbrio, não alinhamento com a direita? Que os proprietários dos veículos fossem capazes de contrariar seus interesses financeiros e políticos em nome da cobertura lisa do processo democrático? O padrão editorial predominante em 1954 não se repetiu dez anos depois? Desde a eleição de Lula a que temos assistido? Por que razão ficamos esperando que agora fosse diferente?
Será que é preciso lembrar que continuamos vivendo em uma sociedade determinada pelos interesses de classe? E, quando se trata do principal, não podemos esquecer que somos o outro lado, os inimigos a serem derrotados, mais ainda a Dilma e o que ela representa simbolicamente. Ficar surpresos nos remete a uma ingenuidade inadmissível.
A credibilidade no jornalismo é puro mito, pura hipocrisia, recurso de marketing usado pelas empresas. Apesar de sabermos disso, esperamos, lá no fundo das nossas almas, que seja diferente, que a prática da mídia burguesa seja semelhante ao seu discurso publicitário, mas não é e não será jamais. A única forma de travar a batalha democrática no campo informativo é criar veículos eficientes, na forma e no conteúdo, que estejam a serviço dos interesses da maioria da população. E isto não é para “fazer a cabeça" do povão, mas simplesmente articular um discurso, uma argumentação contrária à estrutura narrativa da imprensa que representa o establishment. Se falarmos em luta pela hegemonia, como ignorar questões centrais?
Queremos “absolvição" por termos desconcentrado o mercado publicitário e realizado a Confecom? Creio que não. Para continuar reerguendo o país do descalabro, da frustração e da desesperança, o que podemos esperar senão som e fúria dos aparelhos ideológicos burgueses? A ausência de poder sobre a situação fará aumentar o rugido, o desejo destrutivo de forças que subestimaram a sociedade brasileira, que a ignora solenemente.
Todos os sinais de alarme já soaram. O velho Gramsci era do ramo. Ninguém poderá dizer, desta vez, que não foi alertado a tempo.
*Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
Fonte: Carta Maior
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Os jornalistas tucanos [por Marcos Coimbra]
September 18, 2010 - No comments yet
Ineptos e arrogantes
Os jornalistas tucanos
por Marcos Coimbra
Quando, no futuro, for escrita a crônica das eleições de 2010, procurando entender o desfecho que hoje parece mais provável, um capítulo terá de ser dedicado ao papel que nelas tiveram os jornalistas tucanos.
Foram muitas as causas que concorreram para provocar o resultado destas eleições. Algumas são internas aos partidos oposicionistas, suas lideranças, seu estilo de fazer política. É bem possível que se saíssem melhor se tivessem se renovado, mudado de comportamento. Se tivessem permitido que novos quadros assumissem o lugar dos antigos.
Por motivos difíceis de entender, as oposições aceitaram que sua velha elite determinasse o caminho que seguiriam na sucessão de Lula. Ao fazê-lo, concordaram em continuar com a cara que tinham em 2002, mostrando-se ao País como algo que permanecera no mesmo lugar, enquanto tudo mudara. A sociedade era outra, a economia tinha ficado diferente, o mundo estava modificado. Lula e o PT haviam se transformado. Só o que se mantinha intocada era a oposição brasileira: as mesmas pessoas, o mesmo discurso, o mesmo ar perplexo de quem não entende por que não está no poder.
Em nenhum momento isso ficou tão claro quanto na opção de conceder a José Serra uma espécie de direito natural à candidatura presidencial (e todo o tempo do mundo para que confirmasse se a desejava). Depois, para que resolvesse quando começaria a fazer campanha. Não se discutiu o que era melhor para os partidos, seus militantes, as pessoas que concordam com eles na sociedade. Deram-lhe um cheque em branco e deixaram a decisão em suas mãos, tornando-a uma questão de foro íntimo: ser ou não ser (candidato)?
Mas, por mais que as oposições tivessem sido capazes de se renovar, por mais que houvessem conseguido se libertar de lideranças ultrapassadas, a principal causa do resultado que devemos ter é externa. Seu adversário se mostrou tão superior que lhes deu um passeio.
Olhando-a da perspectiva de hoje, a habilidade de Lula na montagem do quadro eleitoral de 2010 só pode ser admirada. Fez tudo certo de seu lado e conseguiu antecipar com competência o que seus oponentes fariam. Ele se parece com um personagem de histórias infantis: construiu uma armadilha e conduziu os ingênuos carneirinhos (que continuavam a se achar muito espertos) a cair nela.
Se tivesse feito, nos últimos anos, um governo apenas sofrível, sua destreza já seria suficiente para colocá-lo em vantagem. Com o respaldo de um governo quase unanimemente aprovado, com indicadores de performance muito superiores aos de seus antecessores, a chance de que fizesse sua sucessora sempre foi altíssima, ainda que as oposições viessem com o que tinham de melhor.
Entre os erros que elas cometeram e os acertos de Lula, muito se explica do que vamos ter em 3 de outubro. Mas há uma parte da explicação que merece destaque: o quanto os jornalistas tucanos contribuíram para que isso ocorresse.
Foram eles que mais estimularam a noção de que Serra era o verdadeiro nome das oposições para disputar com Dilma Rousseff. Não apenas os jornalistas profissionais, mas também os intelectuais que os jornais recrutam para dar mais “amplitude” às suas análises e cobertura.
Não há ninguém tão dependente da opinião do jornalista tucano quanto o político tucano. Parece que acorda de manhã ansioso para saber o que colunistas e comentaristas tucanos (ou que, simplesmente, não gostam de Lula e do governo) escreveram. Sabe-se lá o motivo, os tucanos da política acham que os tucanos da imprensa são ótimos analistas. São, provavelmente, os únicos que acham isso.
Enquanto os bons políticos tucanos (especialmente os mais jovens) viam com clareza o abismo se abrir à sua frente, essa turma empurrava as oposições ladeira abaixo. Do alto de sua incapacidade de entender o eleitor, ela supunha que Serra estava fadado à vitória.
Quem acompanhou a cobertura que a “grande imprensa” fez destas eleições viu, do fim de 2009 até agora, uma sucessão de análises erradas, hipóteses furadas, teses sem pé nem cabeça. Todas inventadas para justificar o “favoritismo” de Serra, que só existia no desejo de quem as elaborava.
Se não fossem tão ineptas, essas pessoas poderiam, talvez, ter impulsionado as oposições na direção de projetos menos equivocados. Se não fossem tão arrogantes, teriam, quem sabe, poupado seus amigos políticos do fracasso quase inevitável que os espera.
*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.
Fonte: Carta Capital
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Um modelo partidário trazido do atraso [Por Maria Inês Nassif, no Valor Econômico]
September 18, 2010 - No comments yet
Um modelo partidário trazido do atraso
Por Maria Inês Nassif, no Valor Econômico
A “mexicanização” do quadro partidário brasileiro é um debate a ser colocado em devidos termos. A ameaça de que o PT, depois das eleições de outubro, se transforme num Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México de 1929 a 2000, é apresentada como “denúncia”. Isso é, no mínimo, um equívoco.
A questão merece ser tratada criticamente por todos os atores do cenário político, sob pena de a eleição consolidar, de fato, e por um bom tempo, um único partido com condições de acesso ao poder pelo voto.
Essa perspectiva está colocada não porque o PT trapaceou, mas porque a oposição acreditou demais no seu poder de influenciar massas via convencimento das elites.
É uma estratégia medíocre de ação política, num mundo onde o acesso à informação tem aumentado e ao mesmo tempo saído da órbita exclusiva da influência dos grandes grupos, e num Brasil onde um grande número de cidadãos-eleitores deixou a pobreza absoluta, outro tanto ascendeu à classe média, a escolaridade aumentou, o acesso à internet é maior e a influência das elites sobre os mais pobres tornou-se muito, muito relativa.
Dos partidos na oposição, apenas o PSol, em passado recente, e o PPS, quando remotamente era PCB, conseguiram pelo menos formular idealmente um conceito de partido de massas.
O PSol fracassou porque foi criado na contramão de um crescimento espantoso do PT, partido do qual se originou, e do recuo de setores que, durante o mensalão, ensaiaram abandonar o partido de Lula. Amedrontados com a retórica pré-64 da oposição, esses setores acabaram lentamente retornando à órbita do petismo.
O PCB conseguiu a façanha de ser um partido de massas apenas quando tinha um líder carismático, Luiz Carlos Prestes. Como viveu boa parte de sua existência na clandestinidade, é difícil saber se teria vocação para sair da política de vanguarda e ganhar substância em setores mais amplos. O PPS, que o sucedeu, certamente não mostra essa capacidade.
O PT continua a exceção no quadro partidário. A estrutura montada pelo partido nacionalmente, quando começava a se perder na burocratização da máquina, foi salva pelo lado popular do governo Lula e pela ofensiva oposicionista. O partido não é mais o que era quando foi fundado, mas é certo que tem uma representação social.
As demais legendas, em especial as de oposição, não conseguiram sair da camisa de força dos partidos de quadros. O PSDB, que catalisou a oposição a Lula, e o DEM, com o qual é mais identificado, terceirizaram a ação partidária para uma mídia excessivamente simpática a um projeto que, mais do que de classes, é antipetista.
Todo trabalho de organização partidária, de formulação ideológica e de articulação orgânica foi substituído por uma única estratégia de cooptação, a propaganda política assumida pelos meios de comunicação tradicionais.
A vanguarda oposicionista tem sido a mídia. Esta, espelhando-se na velha estrutura social do país, tem praticado uma conversa exclusiva com os seus: assumiu um discurso para agradar a elite, que por sua vez perdeu quase totalmente seu poder de influência sobre os menos ricos e escolarizados. Os partidos de oposição e a mídia falam um para o outro. Pouco têm agregado em apoio popular, que significaria voto na urna e, portanto, vitória eleitoral.
A ideia de propaganda política via mídia, que para a esquerda pré-Muro de Berlim era uma parte da estratégia de tomada do poder, e para os social-democratas a estratégia de conquista do poder pelo voto, tornou-se a única ação efetiva da oposição brasileira, exercida, porém, de fora dos partidos.
Teoricamente, a mídia tradicional brasileira não é partidária. Na prática, exerce essa função no hiato deixado pela deficiente organização dos partidos que hoje estão na oposição ao presidente Lula. E o produto final não é exatamente a agregação de adeptos, mas uma conversa entre iguais, que se autoalimenta de um discurso trazido do udenismo, pouco propenso a conduzir um debate propriamente ideológico.
Esse não é um fenômeno pós-Lula simplesmente, embora os dois governos do presidente petista tenham dado grande contribuição a esse descolamento entre a “opinião pública” e a “opinião dos pobres”. Logo no início da redemocratização, foi instituído o voto do analfabeto.
Ao longo dos dois últimos governos – portanto, nos últimos 15 anos – ocorreram ganhos de cidadania via aumento de escolaridade e renda que, por si só, incentivam a autonomia do voto. Nos últimos sete anos, os programas de transferência de renda reforçaram essa tendência.
Esse contingente de novos eleitores ganhou autonomia de voto e se descolou da mídia tradicional. Nesse universo, os formadores de opinião pública – por sua vez formados pela mídia – não têm o mesmo acesso que tinham antigamente.
O ingresso dos antigos desletrados na era da informação tem se dado pela televisão – e aí o horário eleitoral gratuito é neutralizador – e um pouco pela internet, mas a decisão política ocorre por ganhos de cidadania.
Como a mídia tradicional é a única a operar como “propagandista” dos partidos de centro e de direita que nunca acharam necessário incorporar militância, formar quadros ou mesmo publicizar ideário, é de se supor que a capacidade de formação de consensos da mídia tradicional seja pouco significativa numa parcela do eleitorado que ascendeu recentemente ao mercado consumidor.
O bloco oposicionista, que inclui não apenas os partidos, mas a mídia tradicional, não entendeu as mudanças que ocorreram no país. O modelo partidário que trazem na cabeça é um que pressupõe alinhamento automático de parcelas da população com líderes distantes ou donos de votos locais, ou a submissão da “ignorância” popular à opinião formada por iluminados.
O novo Brasil não comporta mais isso. Esse modelo de política é elitista, porque não parte do princípio que as pessoas são iguais inclusive no direito de formar uma opinião própria.
Fonte: Valor / Viomundo
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Brasil vem dando exemplo ao mundo, diz James Galbraith
September 18, 2010 - No comments yet
Brasil vem dando exemplo ao mundo, diz James Galbraith
“A desigualdade social no Brasil está sendo reduzida nos últimos anos porque o país gasta menos dinheiro para ajudar o setor financeiro e mais dinheiro para ajudar o próprio Brasil”, disse o economista norte-americano James Galbraith no seminário internacional sobre governança global promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Para Galbraith, Brasil atravessa um período de “estado de bem-estar democrático” que revela aos países mais desenvolvidos um caminho diferente daquele proposto pelos dogmas neoliberais.
por Maurício Thuswohl*
BRASÍLIA – O economista norte-americano James Galbraith afirmou na quinta-feira (16) que o Brasil vem dando ao mundo um exemplo de como enfrentar com sucesso a crise econômica global. Segundo Galbraith, que participou em Brasília de um seminário internacional sobre governança global organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), “a desigualdade social no Brasil está sendo reduzida nos últimos anos porque o país gasta menos dinheiro para ajudar o setor financeiro e mais dinheiro para ajudar o próprio Brasil”.
Ao optar por aumentar os investimentos em infra-estrutura, emprego e renda ao invés de promover arrocho para combater a crise, o Brasil, segundo Galbraith, atravessa atualmente um período de “estado de bem-estar democrático” que revela aos países mais desenvolvidos um caminho diferente daquele proposto pelos dogmas neoliberais: “O Brasil joga na cara do mundo neoliberal que pode haver crescimento social e econômico sustentável ao lado de um processo democrático funcional”, disse.
Galbraith afirmou que “o processo de governança global comandado pelo mercado financeiro e pela ideologia neoliberal desde o final dos anos oitenta foi um fracasso constrangedor”. O economista lembrou seu livro “O Estado Predatório” para afirmar que o maior perigo econômico da atualidade é deixar que as forças do mercado financeiro voltem a dominar as ações de estado: “A prosperidade dos banqueiros geralmente é contrária à prosperidade geral da população”.
A evolução da desigualdade mundial, segundo Galbraith, está diretamente ligada às diversas crises pelas quais passou o capitalismo financeiro nas três últimas décadas: “Aconteceu uma mudança abrupta e dramática a partir dos anos oitenta. As crises na América Latina, a queda do comunismo no Leste Europeu e a crise asiática de 1997 fazem parte de um fenômeno comum, proporcionado pelo domínio do mercado financeiro, que fortaleceu os países mais ricos e as pessoas mais ricas de cada país”, disse.
Essa sucessão de eventos, segundo a análise do economista norte-americano, culminou com a mais recente crise financeira global, iniciada com o estouro da bolha das hipotecas nos Estados Unidos: “Não aconteceu uma crise da Grécia, mas sim um desdobramento da grande crise de 2008, que foi a maior fraude financeira da história. E, devo dizer, não vamos sair desta crise facilmente ou em breve”.
Desmatamento
Durante o seminário, que foi organizado em parceria com a Associação Internacional de Conselhos Econômicos e Sociais e Instituições Similares (AICESIS), o Brasil, graças a sua política de combate ao desmatamento, também mereceu elogios do argentino Eduardo Viola, que é professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília.
Viola citou os esforços do país para deter o desmatamento na Amazônia: “De 2004 a 2009, o Brasil reduziu o desmatamento da floresta de 24 mil hectares para sete mil hectares. É um caso único no mundo. Na medida em que o Brasil vai tomando medidas internas acertadas, torna-se um personagem cada vez mais importante nas discussões globais sobre o clima”.
O professor, no entanto, afirmou não acreditar que seja ainda válido o conceito de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento estabelecido pelo Protocolo de Quioto: “É claro que os EUA e os países da União Européia tiveram um papel histórico decisivo no aumento das emissões de gases estufa. Atualmente, no entanto, a China aumenta cada vez mais suas emissões”, exemplificou, lembrando que o país asiático_ que lança anualmente na atmosfera seis toneladas per capita de carbono enquanto os EUA emitem 20 toneladas per capita _ ainda tem “espaço” para aumentar suas emissões.
No caso dos EUA, Viola afirmou que o governo de Barack Obama “avançou muito pouco” na luta contra o aquecimento global, apesar da aprovação no ano passado de uma lei de energia e clima: “A lei aprovada é insuficiente e, em caso de vitória do Partido Republicano nas eleições parlamentares de novembro, a possibilidade de aprovação de uma lei do clima mais abrangente certamente será abandonada”, avaliou.
Foto: Eduardo Seidl
Fonte: Carta Maior
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As senhoras de Santana da imprensa [ Por Cynara Menezes]
September 18, 2010 - No comments yet
Surge uma nova geração de mulheres 'preocupadas com a "imoralidade"'. Desta vez, não descobertas por jornalistas: são jornalistas.
Em 1980, surgiu em São Paulo um grupo de mulheres preocupadas com a “imoralidade” que tomava conta da televisão. Sobretudo com os programas que surgiam naquela década falando abertamente de sexo, como o da hoje candidata a senadora Marta Suplicy no TV Mulher. Apelidadas de “senhoras de Santana”, por serem moradoras do bairro com este nome, elas marcaram época e viraram sinônimo do atraso e do conservadorismo nos costumes.
Trinta anos depois, surge uma nova geração de “senhoras de Santana”. Desta vez, não descobertas por jornalistas: são jornalistas. Instaladas em número cada vez mais volumoso nas redações, premiadas com cargos de chefia e ascensão meteórica, as senhoras de Santana do jornalismo são o exato oposto da figura mítica do repórter talentoso, espirituoso, culto e algo anarquista: têm um texto ruim de doer e nunca leram nada a não ser seu próprio veículo, mas cumprem rigorosamente as tarefas que lhes são dadas. Seu maior ídolo é o patrão.
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Esqueça a imagem do jornalista concentrado, batucando com rapidez sua reportagem com um cigarro pendurado no bico. As novas senhoras de Santana do jornalismo não fumam. Aliás, deduram quem estiver fumando em ambiente fechado, como reza a lei imposta por aquele político que seus patrões adoram e que eles, obedientemente, passaram a bajular. Fumar baseado, então, nem pensar. Os repórteres de Santana são contra a descriminação de todas as drogas, até da menos nociva delas. Se as senhoras de Santana do jornalismo soubessem que andam por aí fumando orégano, fariam matérias pela proibição do uso, mesmo na pizza.
As novas senhoras de Santana do jornalismo não questionam o poder ou os dogmas da Igreja católica. Pelo contrário, fazem questão de ir à missa todos os domingos. Pior: simpatizam com a Opus Dei, a ala mais conservadora do catolicismo. São contrários à liberação do aborto e defensores do papa sob quaisquer circunstâncias, inclusive quando o suposto representante de Deus na Terra é acusado de acobertar a pedofilia.
Ao contrário do que ocorreu no passado, quando os jornalistas tiveram papel importante na luta contra a ditadura, as novas senhoras de Santana do jornalismo se especializaram em denegrir a imagem daqueles que optaram pela ação armada para combater o poderio militar. Vilipendiam os guerrilheiros com fichas falsas e biografias inventadas. O repórter Vladimir Herzog morreu enforcado nos porões do regime. Não viveu para ver a triste transformação dos “coleguinhas” em senhoras de Santana. Quando Herzog morreu, a grande maioria dos jornalistas se dizia de esquerda. As novas senhoras de Santana do jornalismo adoram pontificar que não existe mais esquerda e direita, mas são de direita.
Nem pense nos papos animados após o fechamento dos velhos homens de imprensa, varando madrugadas pelos bares da vida. As novas senhoras de Santana não bebem, vão direto para casa depois de trabalharem mais de dez horas por dia – sem carteira assinada. E ainda patrulham a birita alheia, como se fossem fiscais de trânsito 24 horas a postos com seus bafômetros virtuais. “O presidente bebe cachaça”, torcem o nariz as jornalistas de Santana. “A candidata do presidente torceu o pé. Deve ser porque encheu a cara”, acusam.
Toda vez que as novas senhoras de Santana da imprensa encontrarem aquele ator famoso que andou se desintoxicando do vício de cocaína e por isso perdeu papéis em novelas, vão torturá-lo com as mesmas perguntas: “Você parou mesmo de cheirar?” “O tratamento funcionou ou não?” Sim, os jornalistas de Santana não saem para beber porque preferem ficar em casa vendo novela. Se duvidar, as novas senhoras de Santana do jornalismo nem fazem sexo. Talvez de vez em quando, vai. Mas só papai-e-mamãe. E heterossexual, claro.
No futuro, as escolas de jornalismo serão monastérios, de onde sairão mais e mais senhoras de Santana habilitadas não só a escrever reportagens como a rezar a missa.
*Cynara Menezes Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.
fonte: Carta Capital
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Vignatti participa de debate na TV Camara em São José
September 18, 2010 - No comments yetSerá às 19h, do dia 16 de setembro e está aberto ao público no Plenário da Câmara Municipal de São José.
O debate será transmitido pela TV Câmara (Net, para São José, canal 11 e ViaMax, para todo Estado, canal 28. Será retransmitido ao vivo pela internet na TV Vignatti (www.tvvignatti.com.br).
Haverá também cobertura pelo Twitter.
O programa foi dividido em cinco blocos. No primeiro os candidatos poderão se apresentarar aos eleitores e, em seguida, responderão uma única pergunta formulada pela produção. No segundo bloco candidato questionará candidato, via sorteiro, com temas livres. No terceiro bloco, os temas serão sorteados para que os candidatos debatessem propostas para estas áreas.
O quarto bloco jornalistas convidados - Carlos Damião, da Rádio Guarujá, Marcelo Tolentino, do Jornal Notícias do Dia e Hamilton Regionaldo, Rádio Guararema - farão seus questionamentos. No último bloco os candidatos fizeram as considerações finais.
Luis Fernando Veríssimo dá uma chinelada em José Serra, o boçal [ por Cristóvão Feil]
September 18, 2010 - No comments yet
Aos poucos o candidato José Serra mostra facetas ocultas de sua personalidade. Semana passada, numa sabatina promovida pelo jornal O Globo destapou outro vão obscuro das suas muitas luas psíquicas, a boçalidade, sinônimo de ignorância, estupidez e, como disse Dilma em outro debate, Serra faz questão de exibir uma certa arrogância mesclada com autossuficiência. O que acentua mais ainda a boçalidade mostrada em O Globo.
Hoje, publicado em vários jornais do País, o escritor Luis Fernando Veríssimo dá uma chinelada em José Serra. Leia abaixo:
Foster Dulles
por Luis Fernando Veríssimo
Não pude ir à sabatina dos candidatos à Presidência feita por colunistas e leitores de O Globo na semana passada, mas mandei perguntas por e-mail. Respondendo à minha pergunta sobre se, caso ele fosse eleito, a política externa brasileira voltaria a ser a que era antes do governo Lula, mais alinhada com os Estados Unidos, Serra respondeu que teria uma política própria, presumivelmente diferente da política do Fernando Henrique também. Mas antes fez um preâmbulo, lembrando o livro O Senhor Embaixador, em que, segundo Serra, meu pai se revela um admirador de John Foster Dulles, secretário de Estado americano que foi o grande estrategista da Guerra Fria com a União Soviética, famoso pela sua doutrina do “brinkmanship”, ou a arte de levar as confrontações até a beira de uma guerra quente, sem dar o passo fatal. “No caso da família Verissimo, houve uma alternância”, disse Serra, pois o filho, eu, “passou para o lado contrário em matéria de questão externa”. Não entendi: o lado contrário do que, da Guerra Fria? Posso garantir que não sou pelo alinhamento da nossa política externa com a União Soviética contra o Foster Dulles, mesmo se conseguíssemos encontrar os dois ainda vivos, e mesmo que meu desejo valesse alguma coisa.
Como eu, o Serra deve ter lido O Senhor Embaixador há algum tempo. Não surpreende que não se lembre bem do que leu. Foster Dulles foi, sim, uma figura admirável, do ponto de vista puramente literário. Incorporava um certo tipo de aristocracia americana que durante algum tempo fez do Departamento de Estado o seu feudo fechado e do anticomunismo sua principal faina intelectual. Depois, esse patriciado estanque foi substituído por tecnocratas tipo McNamara, que deram o passo fatal além da beira e empurraram o país para o abismo do Vietnã. Nenhum tinha aquela empáfia de nascença que caracterizava Dulles e seus pares e mal camuflava sua arrogância. Meu pai não admirava a política de Dulles, Serra. Um personagem do livro expressa sua opinião sobre Dulles como a fascinante figura literária que foi.
O Senhor Embaixador foi baseado, em boa parte, na experiência do meu pai como diretor de assuntos culturais da União Pan-Americana, ligada à Organização dos Estados Americanos, em Washington, de 1953 a 1956. A personalidade que, este sim, ele mais admirou no período foi Alberto Lleras Camargo, ex-presidente da Colômbia pelo Partido Liberal que dirigiu a OEA até 54 e saiu do cargo fazendo um famoso discurso em que desancava a intromissão americana em assuntos internos da América Latina e propunha um novo relacionamento, não submisso, dos latinos com os Estados Unidos. Lleras Camargo foi o primeiro estadista latino-americano da sua estatura e com suas credenciais a dizer coisa parecida. Recomendo ao Serra que, quando tiver tempo, leia Solo de Clarineta, vol.1, livro de memórias do meu pai, para saber com que figuras ele realmente simpatizou, na época, e com quem concordava.
Fonte: Diário Gauche
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Fritando Erenice [por Guilherme Scalzilli]
September 16, 2010 - No comments yet
Fritando Erenice
por Guilherme Scalzilli
O sacrifício de Erenice Guerra seguiu o roteiro conhecidíssimo das campanhas de destruição de reputações operadas pela mídia oposicionista.
Um. A escolha da vítima, a protagonista do escândalo, é feita criteriosamente. Quem vive nos bastidores do poder sabe onde procurar.
Dois. A fonte principal das acusações é personagem suspeito, quiçá mesmo criminoso, que recebe um estranho voto de confiança das redações. Em algum lugar do enredo há coadjuvantes ligados a políticos ou àquela facção serrista da Polícia Federal, mas esses detalhes passam “despercebidos”.
Três. As acusações são tecnicamente mirabolantes e inverossímeis. Qualquer tribunal as derrubaria, mas em certas ocasiões os comentaristas adoram parecer idiotas.
Quatro. As matérias repercutem essas falácias diariamente, repetindo simplificações grosseiras, boatos e especulações, até que a obviedade mais rasteira ganhe uma aura pecaminosa.
Cinco. Os personagens caricatos do entorno viram bodes expiatórios. Ganham apelidos. São fotografados em poses repugnantes, têm suas biografias devassadas. Caem no escárnio público e o episódio entra para o anedotário político da nação.
Fim. Pressionada por todos os lados, desmoralizada e exausta, a vítima principal do conluio não vê outra saída senão pedir demissão. É a glória do jornalismo corporativo.
Esse esquema serve para qualquer escândalo do governo Lula. Basta inserir os nomes nos espaços vagos. Trata-se de estratagema irresistível, porque utiliza o imediatismo da imprensa diária e os imensos recursos das grandes corporações para um ataque fulminante, que não permite respostas.
Qualquer medida judicial contra esse abuso recebe imediatamente a pecha de censura. Quando ficar evidente que tudo não passou de um ardil malvado, será tarde para a devida reparação. E o assunto terá caído na irrelevância.
A isso os editoriais chamam "liberdade de imprensa".
Fonte: http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/
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Guerra contra a verdade e a lógica
September 16, 2010 - No comments yet
Eleições 2010: Crítica da Razão Indefesa
por Washington Araújo, no Observatório da Imprensa
Certa vez em uma entrevista, um diretor polonês disse que, por um longo tempo, a mídia em seu país havia dedicado sua primeira página todos os dias para falar sobre o governo sem nunca reportar que os cidadãos estavam fugindo em massa para Londres em busca de um futuro melhor. O diretor disse que um dia recebeu a mensagem dando conta que 1 milhão de poloneses havia emigrado de seu país. E, finalmente, foi com essa imagem da massa de emigrantes que os jornais formaram suas primeiras páginas.
Há que se perguntar como é que tão grande número de poloneses saiu do país sem que ao menos isso fosse noticiado? A verdade é que os jornais tinham, àquela altura, se distanciado profundamente da sociedade que buscavam retratar. Colocaram tanto foco nas minúcias, nos detalhes que ajudavam a perceber a realidade mais ao seu gosto, que perderam qualquer contato com a imagem da floresta. Isto me faz refletir sobre o momento atual por que atravessam nossos grandes conglomerados midiáticos. Estes cerram fileiras em torno dos grãos.
Todo esforço, todo grama de energia, todo milésimo de segundo é dedicado integralmente a potencializar o que sentem ser um retrato fiel da sociedade brasileira na atualidade. Hoje, imensas trilhas foram abertas nas florestas da informação, mas a grande imprensa não consegue nem mesmo ver as árvores. Para ela, uma ou duas folhas de uma árvore assumem importância tal que podem obliterar o conjunto todo.
Excesso de bordões
Neste contexto penso que para chegarmos sãos e salvos ao dia 3 de outubro haveremos ainda que passar por manchetes diárias estampadas em nossa grande imprensa (Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, O Globo) dando conta da violação de sigilos fiscais de adicionais 21 pessoas intimamente relacionadas com a família do candidato José Serra. Após a quebra do sigilo da filha e do genro, do primo de sua mulher, ainda saberemos que foram ao meio fio os sigilos da sogra, da sobrinha, de dois tios, de uma comadre de sua filha e de sua afilhada. É o jornalismo conta-gotas, como se a sociedade estivesse recebendo ao longo das próximas semanas doses diárias do homeopático Beladona.
O meio mais eficaz para banalizar um crime é tratá-lo como banal. Simples assim. E é isto o que a imprensa paulista, aquela que se autointitula de abrangência nacional, vem fazendo desde os últimos dias e deverá pautar sua equipe de “opinionistas” e colaboradores: a cada dia o escândalo requentado busca render imagens “na medida” para atender interesses eleitorais na propaganda veiculada na tevê.
Ora, jornalismo geralmente envolve a arte e o ofício de refletir a realidade com os dados verificados, a fim de dar aos indivíduos o instrumental necessário para formar uma opinião construída sobre aquilo que acontece e como isso lhe pode afetar. É a esse jornalismo que nos dedicamos, e onde alguns atuam com mais ou com menos assertividade, com mais ou com menos credibilidade para, ao fim, poder visualizar essa foto do momento atual.
No caso dos sigilos há excesso nos enfoques: o culpado não pode ser outro que não o PT, a candidata governista. Excesso nos métodos: os jornais publicam a mesma manchete com leves alterações. Excesso no espaço: primeira página, editorial, caderno eleições. Excesso na contundência: a candidatura do governo precisa ser cassada pelo TSE. Excesso na repetição de bordões e frases feitas: terrorismo de Estado, crime fiscal hediondo, crime de lesa pátria, ilegalidade abominável. Excesso de opinião: todos os que têm a opinião impressa falam a mesma língua, usam os mesmos recursos lingüísticos e se estivessem em bancada de telejornal da noite, fariam as mesmas caras e bocas.
Libelo diários
Não por coincidência é um caso abordado por meio de muitos adjetivos e pouquíssimos substantivos. É que falta a verificação de dados: que informações sigilosas vieram à luz do dia? Falta clareza sobre os autores reais porque são privilegiados autores imaginários que se confundem, não por artes do destino, com a candidata majoritariamente mais bem avaliada em um mix de pesquisas de opinião.
De repente, nós encontramos um conjunto de casos em que as publicações fazem marcha batida para a direita, uma direção que até bem pouco parecia completamente escondida, mas que agora parece estar em seu habitat natural. Ao emitir esta percepção quero salientar que não estou falando de ideologia, de uma luta leal entre os argumentos concorrentes e diferentes pontos de vista.
Refiro-me a jornalistas e a políticos que consideram a busca da verdade nada mais que uma quimera. Profissionais que chegam primeiro às conclusões para depois construir os marcos indispensáveis à formulação de uma tese. Profissionais que difundem suas opiniões na forma de notícias sem atentar para o ritmo que a lógica impôs há séculos no discurso racional e que deve tornar sólida a democracia. Não posso deixar de ver que tal técnica de ignorar a lógica e atacar a verdade pode conduzir o Brasil a um caminho de tristíssima memória, que remonta aos primeiros anos de 1960, que conduz ao acirramento dos ânimos onde a luta pelo poder tem como insígnia a compreensão equivocada que os fins sempre estarão a serviço dos meios.
Quando a propagação de um jornalismo partidarizado se une à política convencional, temos o perigo real. Uma fábrica de manipulação quando começa a funcionar durante duas horas ao dia é prenúncio de que logo estará funcionando 24 horas ao dia, em três turnos ininterruptos. E não há nada pior do que estes libelos diários a atiçar os piores instintos da sociedade: alguns partidos sem líderes capazes de se manter frios e que se coloquem em defesa da razão. À ausência de tal liderança calma e clara em nossos principais partidos em tempos de crise, aliado ainda à guerra contra a verdade e a lógica, podem apenas nos trazer maus presságios.
Fonte: Observatório da Imprensa
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A QUEDA DE ERENICE GUERRA E "O CONSULTOR" DE HONESTIDADE DA FOLHA
September 16, 2010 - No comments yet
A QUEDA DE ERENICE GUERRA E "O CONSULTOR" DE HONESTIDADE DA FOLHA
Ladrão de carga e passador de dinheiro falso que cumpriu pena de 10 meses de prisão 'sustenta' manchete garrafal contra o governo
Depois de estampar manchete de seis colunas na primeira página e gastar cinco ou seis páginas para recriar um clima de ‘mar de lama’ lacerdista contra o governo Lula, o jornal Folha de SP usou exatamente 170 palavras, uma parcimoniosa coluna de canto, para informar aos leitores o perfil de sua referência de honestidade e indignação: o consultor Rubnei Quícoli, cujo prontuário, generoso, inclui 'negócios' no ramo de roubo de carga, falsificação de dinheiro e coação, interrompidos, momentaneamente, por 10 meses de prisão.
A INSUSPEITA FONTE DE UM INSUSPEITO JORNALISMO
O consultor Rubnei Quícoli, representante da empresa que tentava obter o financiamento no BNDES por meio da empresa de lobby Capital, foi condenado em processos movidos pela Justiça de São Paulo sob duas acusações: receptação e coação....Quícoli foi denunciado, em maio de 2003, por ocultar "em proveito próprio e alheio" uma carga de 10 toneladas de condimentos, que "sabia ser produto de crime de roubo". Em 2000, após denúncia anônima, o consultor foi acusado de receptação de moeda falsa num posto de gasolina em Campinas. A polícia apreendeu no posto sete notas de R$ 50,00. Quícoli afirmou não saber a procedência... Em 2007, Quícoli foi preso e passou cerca de dez meses na prisão...
INFORMAÇÃO, MANIPULAÇÃO E INTERESSE PÚBLICO
Carta Maior defende a investigação transparente, rigorosa e corajosa de qualquer denúncia que envolva o interesse público. A tônica do denuncismo udenista perde legitimidade quando se revala um mero dispositivo eleitoral da coalizão demotucana. Aspas para a coluna de Inês Nassif, no Valor desta 5º feira:
(...) O PSDB, que catalisou a oposição a Lula, e o DEM, com o qual é mais identificado, terceirizaram a ação partidária para uma mídia excessivamente simpática a um projeto que, mais do que de classes, é antipetista. Todo trabalho de organização partidária, de formulação ideológica e de articulação orgânica foi substituído por uma única estratégia de cooptação, a propaganda política assumida pelos meios de comunicação tradicionais. A vanguarda oposicionista tem sido a mídia. [...]Os partidos de oposição e a mídia falam um para o outro. Pouco têm agregado em apoio popular, que significaria voto na urna e, portanto, vitória eleitoral. A ideia de propaganda política via mídia [...] tornou-se a única ação efetiva da oposição brasileira, exercida, porém, de fora dos partidos. Teoricamente, a mídia tradicional brasileira não é partidária. Na prática, exerce essa função no hiato deixado pela deficiente organização dos partidos que hoje estão na oposição ao presidente Lula..."
(Carta Maior lembra: 3º feira, no Rio, Monica Serra fazia campanha contra Dilma dizendo,aspas: Ela é a favor de matar as criancinhas...)
Fonte: Carta Maior
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Metrô paulistano - O abismo entre a propaganda e a realidade [Por Juliana Sada]
September 16, 2010 - No comments yetSão Paulo. Quinta-feira, 16 de setembro. 8h20. Estação Ana Rosa do metrô, ponto de intersecção entre as linhas azul e verde.
Os trens da linha azul fluíam normalmente e estavam relativamente vazios. Desci na Ana Rosa para seguir ao Sacomã, ponto final da linha verde. Fazer a baldeação nesta estação deveria ser algo rápido – sobretudo indo da linha azul para a verde, a menos movimentada. Ainda era cedo mas o horário de pico já havia passado.
Foi com uma leve surpresa que me deparei com várias pessoas olhando a plataforma. Já antevi que lá embaixo estaria lotado e que os trens não estariam circulando normalmente. Tive apenas uma leve surpresa porque, apesar de não frequentar a linha, já tinha visto aquilo no mês passado no mesmo horário mas imaginei que era uma exceção. Aparentemente estava enganada. Ou teria sido uma azarada coincidência?
Hoje pela manhã, quase todos estavam com celulares à mão ligando para avisar ao chefe que chegariam atrasados. O problema maior era no sentido Vila Madalena, que é também o mais movimentado pois leva as pessoas que trabalham nos escritórios nas regiões das avenidas Paulista, Rebouças e Faria Lima. Pelos alto falantes, o recado era que havia uma falha e por isso os trens circulavam com menor velocidade. Mensagem padrão que é dada diariamente em todas as linhas.
No outro sentido, a linha estava aparentemente tranquila. Entretanto, quando o trem chegou os usuários foram avisados de que deveriam descer pois o veículo não prestaria mais serviços. Fato inusitado mas logo em seguida chegou outro e tudo estava resolvido, ao menos aparentemente. Ao tentar sair, o metrô deu um tranco e desligou. Parecia um motorista iniciante deixando o carro morrer. O condutor parecia confuso, gaguejou ao tentar explicar mas ao fim disse que era uma falha no suprimento de energia.
Ironicamente, enquanto esperava, li no jornal a matéria sobre a estação de trem que foi depredada ontem. O motivo foi o atraso de trens e o fechamento da estação para controlar o número de pessoas na plataforma. Tal como hoje, o problema foi elétrico. Uma “pane elétrica”no caso.
Uma mentira repetida mil vezes…
Nas duas vezes, veio à minha mente a mesma imagem: a propaganda do governo estadual (PSDB) e municipal (DEM) sobre o transporte público. Não consigo entender como apresentam o metrô como vitrine de seus mandatos. O abismo entre a propaganda e a realidade é assustadoramente enorme. São cerca de três milhões de usuários diários. Os problemas enfrentados por eles com certeza são difundidos a outras pessoas, o que leva a um universo ainda maior de pessoas que tem contato com a questão. Como esconder a deficiência deste meio de transporte e ainda exaltá-lo?
A falta de informações sobre a situação do metrô e trem é gritante. Os órgãos oficiais responsáveis tratam a maioria dos episódios como isolados, problemas pontuais. E a propaganda oficial apresenta estes serviços como o máximo de eficiência e modernidade. Entretanto, quem usa esses transportes sabe que a ocorrência de falhas é constante. A mídia não dá devida atenção ao problema e quando dá fica restrita às versões oficiais. Recentemente foi noticiado problemas nos trens novos comprados para a linha vermelha do metrô, a mais movimentada. Havia um problema técnica que oferecia risco aos usuários, os veículos tiveram que ser retirados.
Cidade desigual
Para além das questões técnicas está a própria deficiência em suprir demanda dos cidadãos, são muitos usuários e o desconforto é a regra. Indo mais além, há uma discussão fundamental que é a do planejamento urbano. A região central concentra a oferta de trabalho ao mesmo tempo em que possui uma taxa de ocupação para moradia baixíssima. O inverso ocorre nas periferias que são densamente populadas mas com poucas oportunidades de emprego. Essa discrepância é responsável pelo intenso fluxo de pessoas que são obrigadas a se locomover por grandes distâncias. Resolver a deficiência do transporte público passa, obrigatoriamente, pela questão da moradia e pelo enfrentamento da especulação imobiliária.
Os movimentos por moradia já possuem essa consciência e por isso direcionam as suas ações em ocupar grandes prédios abandonados (e, em geral, endividados) no centro. Falta ainda um poder público desatrelado aos interesses do setor imobiliário e comprometido com o bem estar da sua população.
Fonte: O Escrevinhador - Blog do Rodrigo Vianna
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Datafolha: nada mudou, Dilma tem 51% e ganharia no 1º Turno [Celso Marcondes*, na Carta Capital]
September 16, 2010 - No comments yet
Nova pesquisa é divulgada pela Folha de S.Paulo e mantém quadro do levantamento anterior, da última sexta-feira. foto: Roberto Stuckert Filho
Nova pesquisa é divulgada pela Folha de S.Paulo e mantém quadro do levantamento anterior, da última sexta-feira
Pesquisa do Datafolha publicada nesta quinta-feira 16 na Folha de S.Paulo dá conta que o quadro geral da disputa presidencial permanece inalterado, a despeito da enorme repercussão na mídia dos dois escândalos recentes.
Dilma Rousseff, que estava com 50% das intenções de voto na pesquisa do dia 9 passado, oscilou positivamente dentro da margem de erro para 51%. José Serra manteve os seus 27% e Marina Silva ficou com os mesmos 11% do levantamento anterior.
Na pesquisa com resposta espontânea, Dilma tem 39%, contra 19% de Serra e 7% de Marina. Para um eventual segundo turno entre Dilma e Serra, a petista teria 57% ante 35% do tucano.
É no Nordeste onde Dilma alcança seu maior índice: 65% contra 18% de Serra e 7% de Marina.
Na região Sul, Serra tem seu melhor resultado, 34% ante 42% de Dilma e 9 de Marina.
A candidata do PV tem seu melhor resultado na região Sudeste, com 14. Dilma tem 46% na região e Serra 29%.
No resultado por faixa de renda, Dilma alcança seu melhor resultado entre os mais pobres. Entre os que recebem até dois salários mínimos, a petista tem 55%, ante 25% de Serra e 7% de Marina.
O tucano tem seu melhor resultado entre os mais ricos, atinge 34% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, contra 36% de Dilma e 19% de Marina. É nesta faixa também que a candidata do PV obtém seu melhor resultado.
Na estratificação por escolaridade, Dilma tem 55% entre aqueles que têm ensino fundamental, Serra alcança 25% e Marina tem 7%.
Entre os que têm ensino médio, Dilma 50%, Serra 28% e Marina tem 13%. Já entre os que têm ensino superior, Dilma cai para 38%, Serra sobe para 30% e Marina alcança 20%.
O Datafolha não poderia deixar de fazer uma pergunta: tomou conhecimento das quebras de sigilo? 57% dos entrevistados afirmaram que sim 43% que não. Entre os que responderam sim, 12% disseram que estão bem informados sobre o tema.
A pesquisa foi realizada com 11.784 entrevistas em todo o País, entre os dias 13 e 15 de setembro, com tempo, portanto, de captar também as reações da população diante do escândalo do momento, aquele que envolve a ministra Erenice Guerra.
O Datafolha não perguntou aos entrevistados sobre o novo caso.
A estranhar neste novo levantamento o fato dele ter sido realizado apenas seis dias depois da pesquisa anterior e não ter sido apresentado no Jornal Nacional da Rede Globo na véspera. Nas duas últimas semanas, o instituto apresentou os resultados às sextas-feiras na edição do JN e depois publicou na Folha.
A divulgação da pesquisa teve discreto espaço na capa do jornal. No título, está escrito: “Caso do sigilo não muda voto, aponta Datafolha”. Nenhuma referência ao caso Erenice, nem no corpo da matéria.
*Celso Marcondes é jornalista, editor do site e diretor de Planejamento de CartaCapital. celso@cartacapital.com.br
Fonte: Carta Capital
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Fatos e versões [ por Marcos Coimbra*]
September 16, 2010 - No comments yet
Nas eleições, como em tudo na vida, uma coisa são os fatos, outra as versões. E, nem sempre, aqueles são mais importantes. Na luta política, uma versão bem defendida vale mais que muitos fatos.
Uma vitória, por exemplo, pode ficar parecida a uma derrota, de tão diminuída e apequenada. Depende do que sobre ela se diz. Por maior e mais extraordinária que seja, os derrotados podem se vingar, ganhando a batalha das versões. Os vitoriosos, em vez de comemorar e receber elogios, ficam na posição de se explicar, se defender. Os perdedores lhes roubam a cena.
Neste fim de campanha eleitoral, à medida que nos aproximamos da data da eleição, a perspectiva de uma vitória de Dilma por larga margem só tem aumentado. Ao que tudo indica, ela vai conseguir o que Lula não conseguiu em nenhuma das eleições que disputou: ganhar no primeiro turno. A crer nos números das pesquisas, ela está prestes a alcançar, já em 3 de outubro, a votação que ele obteve apenas no segundo turno de 2006, quando chegou a 60% dos votos válidos. Não é nada, não é nada, Dilma tem tudo para se tornar, daqui a três semanas, a pessoa mais votada de nossa história.
Enquanto a eleição real avança, a guerra de narrativas sobre seu provável resultado está em curso. De um lado, a que é formulada pelas forças políticas e as correntes de opinião que não conseguiram apoio na sociedade para levar seu candidato à vitória. Do outro, a dos vencedores.
Paradoxalmente, são os prováveis derrotados na batalha eleitoral real que estão em vantagem na briga das versões. Vão perder, ao que parece, na contagem dos votos, mas têm, pelo menos por enquanto, o consolo de fazer que sua interpretação prevaleça.
É o oposto daquilo que o professor Edgar de Decca, da Unicamp, caracterizou há alguns anos. Escrevendo sobre a Revolução de 1930, ele mostrou que ela entrou para nossa história através da narrativa daqueles que a venceram. Tudo aquilo pelo qual se bateram os derrotados foi ignorado ou desconsiderado. Sobre aquele movimento, nossa historiografia só nos conta a versão dos vencedores. Ninguém mais se lembra do que queria o outro lado. Impôs-se a ele “o silêncio dos vencidos”.
Em 2002, Lula e o PT venceram tanto a eleição quanto a batalha das versões. Quando o resultado objetivo foi proclamado, estava pronto um
discurso: era “a vitória da esperança sobre o medo” e o Brasil podia sentir orgulho de sua própria coragem ao colocar na Presidência um metalúrgico. Ninguém deslegitimou o que as urnas disseram.
Se Lula começasse seu segundo mandato depois de uma apertada vitória sobre Alckmin no primeiro turno da eleição de 2006, seria complicado livrar-se da interpretação de que, depois do mensalão, havia diminuído de tamanho. Mas, no segundo turno, cresceu tanto que até seus detratores tiveram que reconhecer que nada indicava que fosse essa a realidade.
Agora, na véspera do que todos calculam ser a eleição de Dilma, está sendo elaborada uma versão que a reduz. Nela, a vitória é apresentada como um misto de manipulação (“usaram o Bolsa Família para comprar o voto dos miseráveis”), ilegalidade (“Lula passou por cima de nossa legislação eleitoral”) e jogo sujo (“montaram um fábrica de dossiês para derrotar José Serra”).
Nesse tipo de combate, não faz a menor diferença se algo é verdade ou não. Como é apenas uma guerra de versões, o que conta é falar alto. Quem tem meios de comunicação (jornais, revistas, emissoras de televisão) à disposição para propagandear seus argumentos, sempre leva vantagem. Pode até ganhar.
Que importa se apenas 20% do voto de Dilma vem de eleitores em cujo domicílio alguém recebe o benefício (ou seja, que ela tem votos suficientes para ganhar no primeiro turno ainda que esses fossem proibidos de votar)? Que importa se nossas leis são tão inadequadas que até uma passeata de humoristas a modifica? Que importa se nada do resultado da eleição pode ser debitado a qualquer dossiê, existente ou imaginado?
Mas fatos são sempre fatos. E as versões, por mais insistentes que sejam, não os modificam. Ganha-se no grito, mas perde-se no voto. Lá na frente, os fatos terminarão por se impor.
Matéria origalmente publicada no Correio Braziliense
*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.
Fonte: Carta Capital
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Hitler, Mussolini e a campanha eleitoral [por Cynara Menezes]
September 16, 2010 - No comments yetOposição muda estratégias e compara Lula a ditadores
Com o candidato José Serra estacionado nas pesquisas mesmo após três semanas de fabricação ininterrupta de factóides pela imprensa, a oposição começou nos últimos dias a desenhar uma nova e desesperada estratégia: comparar o presidente Lula, eleito, reeleito e prestes a fazer sua sucessora democraticamente, a ditadores nazistas.
Primeiro foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que retornou do ostracismo em que foi jogado pelos próprios correligionários para comparar Lula a Benito Mussolini. “Outro dia eu vi um filme sobre o Mussolini, ‘Vincere’. Fiquei horrorizado porque o Mussolini tinha quase unanimidade. Todo mundo estava do lado dele”, contou FHC. “Faltou quem freasse o Mussolini. Claro que Lula não tem nada a ver com ele no sentido específico, mas o estilo, dizer ‘eu sou tudo, quero o poder total’, não pode. Alguém tem que parar”, conclamou o tucano mor, para quem Lula é o “chefe de uma facção” por fazer campanha para sua candidata, Dilma Rousseff.
Fernando Henrique repercutia uma frase do presidente Lula do dia anterior, segunda-feira 13, em comício em Santa Catarina. Lula disse aos eleitores ali presentes que era preciso “extirpar o DEM da política brasileira”. Como já virou prática, a fala do presidente em relação ao ex-PFL e ex-Arena se transformou, sob a ótica dos colunistas da grande imprensa, em uma tentativa de “extirpar” a oposição no país como um todo.
O presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, aquele que um dia exortou os brasileiros a “acabar com a raça” do PT, colocou o filho Paulinho para repetir a cantilena ensaiada do “nazifascismo” de Lula. “O presidente tem de estar são e lavar a boca para falar dos Bornhausen em Santa Catarina”, declarou Paulinho bem no estilo familiar, acusando Lula de “mostrar a verdadeira face de protótipo de ditador”. Na quarta-feira 15, foi a vez de outro príncipe herdeiro do DEM, Rodrigo Maia, filho de César, fazer coro, dizendo que o desejo de Lula de extirpar seu partido da política “lembra a perseguição dos nazistas aos judeus”. No mesmo dia, em Juazeiro do Norte, no Ceará, o tucano Tasso Jereissati comparou Lula a Hitler, Mussolini e ao ditador paraguaio Alfredo Stroessner.
Não deixa de causar espanto, neste momento, a iniciativa da Folha de S.Paulo de ressuscitar um velho anúncio de televisão, de 1987, em que cantava loas a si própria como o “jornal que mais se compra e nunca se vende”. Com sua credibilidade abalada por sucessivas reportagens contra Dilma sem similares contra o candidato tucano, a Folha fez reportagem anunciando a ressurreição do comercial “premiado”, que voltou ao ar justamente nos intervalos do último debate entre os presidenciáveis, na rede TV!, no domingo. O texto da peça: “Este homem pegou uma nação destruída, recuperou a economia e devolveu o orgulho a seu povo. O número de desempregados caiu, o produto interno cresceu, a renda per capita dobrou, o lucro das empresas aumentou…” No final, “este homem” aparece: é Hitler.
Alusão a Lula? Coincidência? Haverá quem fale em teoria de conspiração. E haverá quem fale também em orquestração. No ponto a que chegou a campanha eleitoral, não seria forçado dizer que infelizmente nada mais é fortuito.
Cynara Menezes no Twitter http://twitter.com/cynaramenezes
*Cynara Menezes é jornalista. Atuou no extinto "Jornal da Bahia", em Salvador, onde morava. Em 1989, de Brasília, atuava para diversos órgãos da imprensa. Morou dois anos na Espanha e outros dez em São Paulo, quando colaborou para a "Folha de S. Paulo", "Estadão", "Veja" e para a revista "VIP". Está de volta a Brasília há dois anos e meio, de onde escreve para a CartaCapital.
fonte: Carta Capital
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Alô, alô PF e MPF: Cloaca prova: filha do Serra violou tudo! [ por Paulo Henrique Amorim]
September 16, 2010 - No comments yetPor que será que a Polícia Federal do Dr Corrêa (que ainda não achou o áudio do grampo) não fez nada ainda ?
Por que será que o Dr Gurgel, Procurador Geral da República, tão rápido em apurar a denúncia contra a Ministra Erenice, não faz nada ?
Eles estão com medo do Serra ?
O Leandro Fortes já mostrou que a filha do Serra e a irmã do Dantas são os recordistas mundiais da violação de sigilo.
Agora, o Cloaca mostra o batom na cueca: a filha do Serra e a irmã do Dantas se vangloriam de violar 35 milhões – 35 milhões !!! – de sigilos.
É um documento da própria filha do Serra:
VERÔNICA DESNUDA – APRESENTAMOS O SITE DA EMPRESA DA FILHA DE SERRA
Se você ainda não leu reportagem de Leandro Fortes, na Carta Capital, em que é denunciada a violação, pela empresa Decidir Brasil (de Verônica Serra e Verônica Dantas) dos sigilos fiscal e bancário de milhões de brasileiros, clique aqui.
Para saber quais os serviços prestados pela Decidir Brasil, na ocasião, graças à violação dos sigilos, clique aqui.
Os links da Decidir Brasil foram recuperados graças à boa memória do Wayback Machine.
Fonte: Conversa Afiada
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A campanha contra Dilma nas igrejas: prepara-se o terreno para mais ataques
September 16, 2010 - No comments yetpor Rodrigo Vianna
Publico o ótimo levantamento feito pelo internauta Adriano Schoer. Ele – como esse humilde blogueiro – acha que a eleição não está decidida. Existe uma campanha surda, sem visibilidade, feita na base do terrorismo.
Não é a campanha midiática – essa ficou muito manjada. É a campanha nas igrejas, pelo Brasil afora. Prepara-se o terreno para o último ataque de Serra (com ajuda do PIG). Ninguém hoje tem muitas dúvidas de que esse último ataque – ao longo das próximas duas semanas - terá como objetivo espalhar o pânico, e a dúvida sobre Dilma. Devem ser utilizados episódios da época da ditadura: o bombardeio virá pela internet, por mensagens de SMS, com apoio da velha mídia e da campanha oficial de TV.
A operação começou lá atrás com a ficha falsa na primeira página. Depois, veio a “reportagem” de “Época”, acompanhadas sempre pelas correntes de emails a espalhar pela internet a idéia da Dilma “terrorista”, “comunista”, violenta”.
Enquanto o ataque final não vem, pastores e padres (são minoria, felizmente) fazem o serviço de preparação, como mostra o Adriano…
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ACHO QUE A BALA DE PRATA VIRÁ DISSO AQUI
por Adriano Schoer
Pastores e Padres estão fazendo discurso amplamente golpista em suas igrejas, sobre questões que estão no PNDH-3: aborto, união cívil homeosexual, regularização da atividade de profissional do sexo, etc. Alguns como o Pastor Paschoal Piragine pedem abertamente para que não se vote no PT.
Os vídeos estão circulando amplamente na internet, nas listas de emails das igrejas. Tá na hora de começar com as vacinas para isso. Alguns discursos são amplamente golpistas e raivosos e misturam revolução, ateísmo, nazismo e ditadura.
Pe. Paulo Ricardo – PNDH-3
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=nl4y93HTzyI&sns=em
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=rl3IwlJxTrw&feature=related
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=rvTGIWL7Vfw&feature=related
Pr. Paschoal Piragine Jr – Presidente da 1ª Igreja Batista de Curituba
http://www.youtube.com/watch?v=ILwU5GhY9MI&feature=youtu.be
Dr. Zenóbio Fonseca critica PNDH-3
(parte 1) – http://www.youtube.com/watch?v=5chDiYCLUL8
(parte 2) – http://www.youtube.com/watch?v=1mgq-WuaBBQ
(parte 3) – http://www.youtube.com/watch?v=ZQn-3R6cjP0
Blog Zenóbio Fonseca: http://zenobiofonseca.blogspot.com/2010/09/pt-ameaca-pr-paschoal-piragine-jr.html
Vídeo contra o aborto:
http://www.youtube.com/watch?v=U7qjFMtkmHE
Fonte: O Escrevinhador - Blog do Rodrigo Vianna
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O ESTADO É LAICO, CNBB
September 16, 2010 - No comments yet
O ESTADO É LAICO, CNBB
CNBB: Máquinas de preservativos favorecerão difusão da Aids
por Ana Cláudia Barros
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) encara com preocupação o projeto que prevê a instalação de máquinas de camisinhas em escolas de Ensino Médio da rede pública. Na interpretação da entidade, a iniciativa pode alavancar o número de soropositivos no Brasil. O assessor nacional da Comissão para a Vida e a Família da CNBB, padre Luiz Antonio Bento, explica o raciocínio:
- Ao colocar as máquinas nas escolas, é realizada a promoção do preservativo, o que, do ponto de vista da moral católica, pode favorecer, indiretamente, o desenvolvimento da epidemia da Aids. Não somente os preservativos são incapazes de assegurar uma proteção total contra a infecção pelo HIV, como também a sua promoção pode favorecer a difusão da infecção porque incita a promiscuidade sexual.
Na visão do padre Bento, as campanhas de combate à doença pautadas no íncentivo do uso da camisinha têm se mostrado ineficientes.
- Não obstante toda a promoção do preservativo que nós temos acompanhado, a Aids, infelizmente, está se alastrando não só no continente africano, como também no Brasil. Parece-me que os números não têm diminuído, mesmo com toda essa promoção. Não é surpreendente se, apesar do aparente êxito inicial de tais políticas, o HIV continuar fazendo sua estrada. O que deveria acontecer, segundo o ensinamento da Igreja, é uma promoção do verdadeiro sentido da sexualidade. O preservativo assume um caráter imoral, indigno da sexualidade, e esta é a razão pela qual não apoiamos o projeto.
O representante da CNBB defende uma discussão ampla sobre o tema, envolvendo a sociedade:
- O governo não pode implantar um projeto dessa natureza sem dialogar. Os pais devem escolher o tipo de educação que querem dar aos filhos. Sinceramente, as máquinas serão colocadas nas escolas se os pais permitirem. Eles têm o direito de dizer que não aceitam esse tipo de educação. A CNBB se empenha em apoiar e desenvolver campanhas educativas. Formativas e informativas, visando ampliar os conhecimentos da população, especialmente dos jovens e dos adolescentes, para que tenham um estilo de vida saudável, comportamento pautado nos valores humanos cristãos.
Para padre Bento, "não basta simplesmente distribuir preservativos nas escolas ou em qualquer outro lugar que seja, como se o povo tivesse que engolir as camisinhas goela abaixo".
- É preciso oferecer formação baseada em valores, ministrar educação sexual coerente, ensinar a responsabilidade diante do sexo e não tomar atitudes de incentivo à promiscuidade. Depois, nós choramos, brigamos porque existe a violência sexual infantil. O governo está pegando um caminho fácil. É muito menos dispendioso para ele promover esses instrumentos do que promover uma verdadeira cultura da sexualidade, educar verdadeiramente para o sentido do amor e da sexualidade. Este é um caminho que gasta tempo, tem que preparar pessoas.
Projeto piloto
Desenvolvido pelo Programa Nacional de DST e Aids, o projeto de instalação de máquinas de camisinhas em escolas da rede pública começou a ser desenhado em 2006.
A expectativa é que saia do papel no próximo ano, quando 40 máquinas serão instaladas em colégios de João Pessoa, Florianópolis e Brasília - as duas primeiras capitais venceram concurso nacional para a criação dos equipamentos dispensadores de preservativos.
Conforme a assessoria de comunicação do Departamento de DST/AIDS e Hepatites Virais, a principal motivação da iniciatica é frear o avanço dos casos de infecção por HIV entre adolescentes.
Segundo o órgão, no Brasil, há 2,2 casos notificados de Aids a cada 100 mil habitantes, entre adolescentes de 13 a 19 anos, do sexo masculino. O índice aumenta, quando considerada a população feminina na mesma faixa etária: são 2,8 casos a cada 100 mil habitantes. Os dados são referentes ao ano de 2008, ocasião em que foi realizado o último boletim epidemiológico.
Fonte: Terra Magazine
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DESCONTROLADO: Serra se irrita e ameaça deixar entrevista em programa de TV [por Priscila Tieppo]
September 16, 2010 - No comments yet
Ele está descontralado!
Serra se irrita e ameaça deixar entrevista em programa de TV
Em gravação do programa Jogo do Poder, da CNT, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, se irritou com perguntas sobre a quebra de sigilos de tucanos e pesquisas e ameaçou deixar a entrevista.
O candidato disse que eles "estavam perdendo tempo falando daqueles assuntos", enquanto podiam dar ênfase aos programas de governo dele. Após a apresentadora Márcia Peltier citar que a quebra de sigilo teria acontecido em 2009, antes do anúncio das candidaturas à presidência, Serra subiu o tom:
- Que antes da candidatura, Márcia? Nós estamos gastando tempo aqui precioso, estamos repetindo os argumentos do PT, que você sabe que são fajutos, estamos perdendo tempo aqui.
Márcia tentou contemporizar, mas não conseguiu acalmá-lo. "A candidata do PT virá aqui?", perguntou. Após a afirmativa de Márcia, ele retrucou: "então, pergunta para ela".
"Agora nós vamos falar sobre programas", tentou prosseguir a apresentadora. Neste momento, Serra levantou-se e ameaçou sair do estúdio. Tentando arrumar o fio do microfone, disse: "eu não vou dar essa entrevista, você me desculpa".
Márcia insistiu dizendo que eles falariam de programa de governo, mas ele se manteve firme. "Faz de conta que eu não vim". "Mas porquê, candidato?", disse, ainda sentada. "Porque não tem nada a ver com pergunta, não é um troço sério. (...) Apaga aqui". "O que o senhor quer que apague?", perguntou Márcia. "Apague a TV pra gente conversar".
Márcia pediu que as câmeras fossem desligadas e as luzes do estúdio apagadas, mas Serra continuou falando: "porque isso aqui está parecendo montado". "Montado para quem? Aqui não tem isso", defendeu a jornalista.
O candidato voltou a reclamar da pauta das perguntas - que até então, havia se fixado nos acessos fiscais e sobre as pesquisas. "Me disseram que eu ia falar de política e economia".
Depois de conversar reservadamente com Márcia e o apresentador Alon Feuerwerker, Serra voltou ao estúdio e respondeu a questionamentos sobre economia, saúde e saneamento básico.
Ao final da gravação, Serra foi questionado pelos jornalistas que estavam no local sobre sua irritação. O candidato negou ter se irritado e afirmou que apenas estava "com estômago ruim" porque não tinha tomado café da manhã.
Segundo a assessoria de imprensa da emissora, as perguntas feitas ao candidatos sobre os assuntos que o incomodaram serão mantidas na edição que irá ao ar nesta quarta-feira (15), às 22h50.
Fonte: Terra Eleições
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A quem interessa tornar a CartaCapital invisível? [por Leandro Fortes]
September 16, 2010 - No comments yet
Ah, se o teu nome fosse Erenice!
A quem interessa tornar a CartaCapital invisível?
por Leandro Fortes
Desde o fim de semana passado, tenho recebido uma dezena de e-mails por dia que, invariavelmente, me perguntam sobre a razão de ninguém repercutir, na chamada “grande imprensa”, a matéria da CartaCapital sobre a monumental quebra de sigilo bancário promovida, em 2001, pela empresa Decidir.com, das sócias Verônica Serra (filha de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República) e Verônica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro condenado por subornar um delegado federal). Juntas, as Verônicas quebraram o sigilo bancário de estimados 60 milhões de correntistas brasileiros graças a um acordo obscuro fechado, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre a Decidir.com e o Banco do Brasil, sob os auspícios do Banco Central. Nada foi feito, desde então, para se apurar esse fato gravíssimo, apesar de o então presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), ter oficiado o BC a respeito. Nada, nenhuma providência. Impunidade total.
Temer, atualmente, é candidato da vice na chapa da petista Dilma Rousseff, candidata do mesmo governo que, nos últimos dias, mobilizou o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a Controladoria Geral da União e a Comissão de Ética Pública da Presidência da República para investigar uma outra denúncia, feita contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, publicada na revista Veja no mesmíssimo dia em que a Carta trazia a incrível história das Verônicas e a quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros.
Justíssima a preocupação do governo em responder à denúncia da Veja, até porque faz parte da rotina do Planalto fazer isso toda semana, desde 1º de janeiro de 2003. É quase um vício, por assim dizer. Mas por que não se moveu uma palha para se investigar as responsabilidades sobre, provavelmente, a maior quebra de sigilo do mundo ocorrida, vejam vocês, no Brasil de FHC? Que a mídia hegemônica não repercuta o caso é, para nós, da Carta, uma piada velha. Os muitos amigos que tenho em diversos veículos de comunicação Brasil afora me contam, entre constrangidos e divertidos, que é, simplesmente, proibido citar o nome da revista em qualquer um dos noticiários, assim como levantar a possibilidade, nas reuniões de pauta, de se repercutir quaisquer notícias publicadas no semanário do incontrolável Mino Carta. Então, vivemos essa situação surreal em que as matérias da CartaCapital têm enorme repercussão na internet e na blogosfera – onde a velha mídia, por sinal, é tratada como uma entidade golpista –, mas inexistem como notícias repercutíveis, definitivamente (e felizmente) excluídas do roteirinho Veja na sexta, Jornal Nacional no sábado e o resto de domingo a domingo, como se faz agora no caso de Erenice Guerra e a propina de 5 milhões de reais que, desaparecida do noticiário, pela impossibilidade de ser provada, transmutou-se num escândalo tardio de nepotismo.
Enquanto o governo mete-se em mais uma guerra de informações com a Veja e seus veículos co-irmãos, nem uma palha foi mexida para se averiguar a história das Verônicas S. e D., metidas que estão numa cabeludíssima denúncia de quebra de sigilo bancário, justamente quando uma delas, a filha de Serra, posava de vítima de quebra de sigilo fiscal por funcionários da Receita acusados de estar a serviço da campanha de Dilma Rousseff. Nem o Ministério da Justiça, nem a Polícia Federal, nem a CGU, nem Banco Central tomaram qualquer providência a respeito. Nenhum líder governista no Congresso deu as caras para convocar os suspeitos de terem facilitado a vida das Verônicas – os tucanos Pedro Malan e Armínio Fraga, por exemplo. Nada, nada.
Então, quando me perguntam o porquê de não haver repercussão das matérias da CartaCapital na velha mídia, eu respondo com facilidade: é proibido. Ponto final. Agora, se me perguntarem por que o governo, aliás, sistematicamente acusado de ter na Carta um veículo de apoio servil, não faz nada para apurar a história da quebra de sigilo bancário de 60 milhões de brasileiros, eu digo: não faço a menor idéia.
Talvez fosse melhor vocês mandarem e-mails para o Ministério da Justiça, a Polícia Federal, a CGU e o Banco Central.
Fonte: Blog do Leandro Fortes - Brasília Eu Vi
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VERDADES ABORTADAS
September 16, 2010 - No comments yetVERDADES ABORTADAS
A MULHER DO SERRA ...E A MATERNIDADE 'MODELO' DO MARIDO DELA
Estadão [14-09]:
'... anunciando a quem passasse: “Sou a mulher do Serra e vim pedir seu voto”, Mônica Serra, passou a tarde de hoje em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, acompanhada do candidato a vice na chapa encabeçada por José Serra (PSDB), Indio da Costa (DEM), a mulher de Serra partiu para o ataque à adversária do marido, a petista Dilma Rousseff. A um eleitor evangélico, que declarou voto em Dilma, a professora afirmou que a petista é a favor do aborto. “Ela é a favor de matar as criancinhas”, disse a mulher de Serra ao vendedor ambulante Edgar da Silva, de 73 anos.
UOL NOTÍCIAS [15-09]:
Documentos revelam falhas em 'maternidade de referência' em SP .
"...Documentos internos assinados por médicos e gestores do Hospital [estadual] Maternidade Leonor Mendes de Barros, na zona leste de São Paulo, mostram que, apesar dos prêmios de gestão e do rótulo de unidade referência [...] sofrem com a falta de infraestrutura, superlotação e são obrigados a improvisar procedimentos para evitar a morte de pacientes – nem sempre com sucesso...".
A seguir, alguns exemplos de apelos -inúteis- dos médicos ao governo estadual de José Serra, relatados pela reportagem da UOL:
(1) "Saliento a necessidade urgente de uma unidade de terapia intensiva nesta instituição para que os profissionais [...] possam estar trabalhando com mais segurança..."
(2) "...na chegada ao plantão não havia sequer macas para retirar paciente da sala obstétrica", diz outro registro no livro dos médicos, relatando a precariedade no atendimento ..."
(3) “É desumana a situação que a direção do hospital nos deixa diariamente nesta maternidade dita de ‘alto risco’. Não vou repetir o que dizem e escrevem neste livro nos últimos 19 anos que convivo e trabalho neste C.O. (Centro Obstétrico) sem UTI e clínico intensivista”, escreveu um médico nas páginas 50 e 51 do livro no domingo de 30 de agosto de 2009, referindo-se a uma paciente cujo atendimento foi prejudicado pela falta de materiais como cateter central e lâmina de ventilação.
(4) No total, mesmo diagnosticada com choque hemorrágico, ela ficou aguardando durante cerca de seis horas por uma vaga em uma UTI, obtida somente em região distante. “A paciente foi transferida para o Hospital Cachoeirinha, e não sei se ela está viva”, complementa o médico, pedindo providências da direção.
(5) Em 20 de junho de 2009, outra situação semelhante é relatada: “Histerectomia total puerperal de paciente por choque hemorrágico + atonia uterina + coagulopatia. Paciente transferida para a UTI do Hospital Geral de Sapopemba, evoluindo para óbito na chegada do mesmo”, diz o registro médico, assinado por um profissional do hospital...."
Fonte: Carta Maior
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Mais conforto, apesar da crise por André Siqueira* [na Carta Capital]
September 16, 2010 - No comments yet 
O PNAD, divulgado pelo IBGE, aponta melhora na qualidade de vida do brasileiro em 2009. Foto: Olga Vlahou
A vida do brasileiro melhorou em 2009, mesmo com o País ainda sob os efeitos da crise financeira internacional. É o que revelam os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgados pelo IBGE na quarta-feira 8. O levantamento mostra que a elevação da renda, a expansão da oferta de crédito e os pacotes de incentivo à economia foram responsáveis por aumentar o acesso da população a um conjunto de bens de consumo e serviços que vai desde a casa própria até telefones celulares, geladeiras, tevês e computadores com acesso à internet.
A pesquisa mostra, por exemplo, que o telefone chegou a 84,3% dos lares brasileiros, ainda que os celulares sejam o único meio de comunicação em 41,2% deles. No ano passado, quase 68 milhões de brasileiros acessaram a internet, com destaque para o aumento de 148% na participação do público com mais de 50 anos na rede. As geladeiras estão em 93,4% dos domicílios, perdendo apenas para as tevês (95,7%). Os aparelhos de DVD, com presença de 72%, superaram as máquinas de lavar (44,3%).
O acesso a bens de valor mais elevado, como carros e motos, acompanhou o movimento, com alta superior a 1 ponto porcentual. Em alguns estados, o número de veículos de duas rodas chegou a superar o de automóveis em circulação. As casas próprias, embora tenham mantido a participação de 73% no total de domicílios, registram crescimento de 13,4% em quatro anos. O aumento foi suficiente para acompanhar o ritmo acelerado da construção de residências.
A alta do índice de desemprego, de 7,1%, em 2008, para 8,3%, foi um dos únicos sinais visíveis, a partir dos resultados da Pnad, de que o Brasil foi abalado pela turbulência nas finanças internacionais. Os pesquisadores foram a campo em setembro de 2009, pouco antes do início da recuperação do mercado de trabalho. Mesmo nesse período, o poder de compra do empregado manteve-se em elevação, com 2,2% de crescimento sobre o ano anterior. Desde 2004, o ganho de renda acumulado é de 20%. A formalização seguiu a tendência positiva e atingiu recorde histórico: 59,6% dos trabalhadores, em 2009, tinham carteira assinada.
“A renda cresceu e se traduziu em um consumo maior de bens como carros, televisores e eletrodomésticos”, resumiu o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Mesmo com mais conforto no lar, boa parte dos brasileiros ainda tem de lidar com a falta de saneamento básico. O serviço continua a inexistir em 40% dos domicílios. Outros problemas perseguem a população, como o analfabetismo, cuja queda foi pequena entre 2008 e 2009, de 10% para 9,7%. A queda no trabalho infantil não impediu que 4,3 milhões de crianças e adolescentes continuassem ocupados (em 2008, eram 4,5 milhões).
Os desafios permanecem, mas um sinal de avanço é a melhora do Índice de Gini, indicador utilizado internacionalmente para medir a desigualdade nas sociedades. Entre as famílias, a queda foi de 0,514 para 0,509, numa escala em que 1 representa o máximo em desigualdade. A impressão positiva é reforçada por um estudo do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado com base nos dados da Pnad e divulgado na sexta-feira 10. Segundo a instituição, 1 milhão de brasileiros deixou a pobreza no ano passado, um recuo de 4,3%. O número de pobres, segundo a instituição, caiu de 29,8 milhões (16,02% da população) para 28,8 milhões (15,32%) no intervalo de um ano, e apesar da crise.
*André Siqueira é subeditor de Economia de CartaCapital.
andresiqueira@cartacapital.com.br
Fonte: Carta Capital
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Dissonância cognitiva [por André Siqueira*, na Carta Capital] - Como justificar ao brasileiro a cobertura negativa dos números da Pnad?
September 16, 2010 - No comments yet
PNAD: Há uma sensível diferença entre o Brasil
que se vê nas ruas e o que está estampado nos jornais.
Foto: Agência Brasil
Como justificar ao brasileiro a cobertura negativa dos números da Pnad?
Há um limite, mesmo em tempos eleitoreiros, para a ginástica a ser feita com os números no intuito de desenhar esta ou aquela realidade. A cobertura da chamada grande imprensa sobre os últimos resultados da Pnad, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, é um exemplo do desserviço prestado por um jornalismo econômico menos comprometido com a boa informação do que com o desejo de exibir apenas a metade vazia do copo.
Melhor retrato da qualidade de vida do brasileiro, o levantamento foi realizado em setembro passado, quando o País ainda não deixara totalmente para trás os impactos da crise financeira internacional que eclodiu exatamente um ano antes. Os números surpreenderam ao mostrar, mesmo assim, melhoras ou estabilidade em praticamente todos os indicadores. Convém ressaltar que, diante do tamanho da crise internacional – que levou à paralisia temporária tanto os bancos quanto a indústria –, os empates são, sim, resultado a ser comemorado.
E eis que surgem as manchetes, com poucas variações dentro de um mesmo tom: o brasileiro consome mais, mas não tem esgoto e é analfabeto. Em boa parte das coberturas, a expansão do consumo foi tratada como se fosse, se não um pecado, algo supérfluo diante das necessidades mais graves da população. Como fosse possível ao brasileiro, de alguma forma, abrir mão de falar ao celular para puxar a corda da descarga. Como se o cidadão não tivesse o direito de assistir à tevê antes de adquirir uma casa própria.
O desemprego, que a pesquisa revelou estar em alta em setembro de 2009, é dado velho e superado. Todos os estudos posteriores, focados no tema, mostram que o número de trabalhadores sem vaga recuou rapidamente antes mesmo da virada do ano, e chegou, em meados de 2010, aos níveis históricos mais baixos. Mesmo assim, ganhou destaques nas primeiras páginas.
No mesmo caminho, o saneamento básico – problema endêmico e histórico neste País – virou tema do momento. Pautou a oposição no debate da Rede TV, no domingo 12, e passou a frequentar as colunas de opinião. Tratamento digno de escândalo. Também voltou às manchetes nosso analfabetismo crônico – que, neste caso, não piorou, mas pouco melhorou, algo que o próprio IBGE justifica, em boa medida, pelo envelhecimento da população iletrada, o que reduz o alcance das medidas corretivas.
Para o pobre leitor, restou uma baita dissonância cognitiva. Há uma sensível diferença entre o Brasil que se vê nas ruas e o que está estampado nos jornais. A felicidade da família da classe C ou D que conseguiu viajar ao Nordeste de avião nas férias não é um dado que mereça ser desprezado. E vá dizer à dona de casa que comprou a primeira máquina de lavar que, se ela não joga a água na rede de esgoto, é sinal de que sua vida não melhorou. Tudo isso é qualidade de vida, no seu estado mais palpável. Ignorá-lo é praticar mau jornalismo.
*André Siqueira é subeditor de Economia de CartaCapital. andresiqueira@cartacapital.com.br
fonte: Carta Capital
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