Comunidade do Candidato a Deputado Federal em São Paulo pelo PT. É 1398.


Nova York se inspira em modelo do Bolsa Família

May 24, 2013, by Unknown - No comments yet

A prefeitura de Nova York, a cidade mais populosa dos Estados Unidos, implantou um programa de renda inspirado em iniciativas de países em desenvolvimento, como o Bolsa Família e sobretudo no Oportunidades, do México. Assim como estes, o projeto nova-iorquino relaciona repasse de recursos e educação — mas os benefícios são distribuídos de acordo com o desempenho dos alunos nas provas escolares: recebe dinheiro o estudante que tiver boas notas.

Chamado Opportunity NYC, o programa da cidade que tem o segundo maior PIB municipal do mundo, segundo a consultoria PricewaterhouseCoopers, divide-se em três modalidades: Spark, voltado para 8 mil crianças de famílias pobres que conseguem boas notas na escola; Work, que repassa renda para 4.100 adultos desempregados, e Family Rewards, que beneficia 2.500 famílias que participam de atividades comunitárias (como inscrever-se em bibliotecas públicas e ir às reuniões nas escolas). Um domicílio pode receber entre US$ 4 mil e US$ 5 mil por ano por meio do programa.

O braço voltado ao desempenho escolar foi analisado em um estudo publicado Centro Internacional de Pobreza, uma instituição de pesquisa do PNUD resultado de uma parceria com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). “A lógica por trás das condicionalidades para transferência, no caso do mexicano Oportunidades e do brasileiro Bolsa Família, é encorajar as famílias a mandarem as crianças para a escola, como um meio de quebrar o ciclo de pobreza. Seu objetivo é cobrir os gastos que as crianças têm indo para a escola. Em contrapartida, o Opportunity NYC foca na melhora da performance acadêmica como uma condição para transferir renda”, descreve o texto, intitulado O Mais Novo Programa de Transferência de Renda de Nova York: E se for Bem-sucedido?.

A exigência de boas notas teve como base uma teoria proposta pelo professor da Universidade de Harvard Roland Fyer, que argumenta que as crianças pobres não têm incentivos para se empenhar na escola por não terem exemplos próximos na comunidade. Assim, transferir dinheiro pode motivá-las a se aplicar nos estudos. O modelo é aplicado a estudantes de 4ª e 7ª série das 60 escolas consideradas mais fracas pela prefeitura de Nova York. Os de 4ª série podem ganhar até US$ 25 e os de sétima até US$ 50 em cada uma das dez provas feitas anualmente.

A autora do estudo do Centro Internacional de Pobreza, Michelle Morais, observa, porém, que essa concepção vai na contramão das reformas do modelo educacional norte-americano, que valorizam mais a qualidade das escolas do que o desempenho individual dos alunos.

“O Spark concebe o desempenho educacional como se este fosse exclusivamente ligado ao esforço dos pais e dos estudantes e à disponibilidade de incentivos financeiros. Ele não considera os limites do que os estudantes podem atingir (independentemente de quão motivados estejam), em razão, por exemplo, de falta de qualificação dos professores, violência nas escolas e escassez de recursos pedagógicos”, diz o estudo.

Se a iniciativa for bem-sucedida em elevar notas, “a transferência de renda pode virar prioridade na reforma educacional, deixando de lado a tradicional ênfase no trabalho dos professores, na verba para escolas e na estrutura de governo”, afirma o texto. Além disso, pode disseminar a outros municípios e países o conceito de programas educacionais baseados em nota escolares.

Fonte: Programa das nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)



“Endurecimento de lei antidrogas beneficia hospitais privados”

May 23, 2013, by Unknown - No comments yet

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira 22 um projeto de lei que endurece o tratamento a usuários de drogas. O projeto do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), aprovado com substitutivo de Givaldo Carimbão (PSB-AL), regulamenta e nacionaliza a internação compulsória, que já ocorria em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

Os destaques apresentados à proposta devem ser votados na próxima semana para que o projeto siga para análise no Senado.

O projeto aumenta a demanda por vagas em instituições públicas habilitadas para tratamento de dependentes químicos. Em muito estados, porém, não há vagas nem mesmo para os pacientes voluntários e com indicação médica, alerta Dartiu Xavier, psiquiatra e diretor do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Unifesp. “Com a lei, as pessoas vão ter o direito de exigir vagas do Estado, que não tem aparelhamento e vai recorrer à rede privada de hospitais. É aí que estaria o lobby [pela aprovação da lei]. Quem está por trás disso são os hospitais privados que têm interesse no lucro.”

Para o psiquiatra, o projeto é um retrocesso, pois proporciona o direito de ingerência na vida do outro e pela baixa eficácia da internação compulsória. “Estudos mostram, e vemos na prática nos tratamentos, que mais de 90% recai no primeiro mês após a internação.”

Os dependentes químicos ou usuários, prevê o projeto, poderiam ser internados a pedido de familiares, responsáveis legais, ou, na ausência deles, servidor público da área de saúde, de assistência social ou de órgãos públicos. Seria necessária uma avaliação sobre o tipo de droga utilizada, o padrão de uso e a comprovação da impossibilidade de outras alternativas terapêuticas. O tempo máximo de internação será de 90 dias, com a possibilidade de a família pedir a interrupção do tratamento a qualquer momento.

“Do ponto de vista médico, só se admite internação compulsória em casos de exceção, como pessoas que perderam a capacidade de julgar a realidade e que possuam algum problema mental associado, como a psicose”, defende Xavier. “Mas apenas 5% dos dependentes têm psicose. A internação é para circunstâncias específicas, não pode ser uma política pública.”

As internações e altas deverão ser informadas ao Ministério Público, à Defensoria Pública e a outros órgãos de fiscalização.

A previsão de internação involuntária causou polêmica na Câmara. O líder do Psol, deputado Ivan Valente (SP), definiu a medida como repressora e capaz de incentivar a família a internar os usuários ao invés de lidar com o problema. “Agora qualquer familiar com dificuldade de lidar com a droga vai internar involuntariamente um usuário sem saber se isso é eficiente.”

Segundo Xavier, esse cenário acontece com frequência e deve aumentar com a aprovação da lei. “Não existe um dispositivo legal de proteção ao internado. O que observamos nas internações involuntárias é que a família interna, mas se alguém questiona e ameaça fazer com que aquilo termine, a família muda de clínica.”

Pelo projeto, os usuários de drogas ou dependentes também poderão ser acolhidos de forma voluntária em comunidades terapêuticas. Esses locais devem oferecer ambiente residencial propício à promoção do desenvolvimento pessoal e não poderão isolar fisicamente a pessoa. Usuários com problemas de saúde ou psicológicos graves não poderão ficar nessas comunidades.

Com informações Agência Câmara

(Da Carta Capital)



Setorial Saúde aprofunda debate ideológico no PT

May 23, 2013, by Unknown - No comments yet

A título de debater modelos de gestão da saúde nas administrações petistas, o Setorial Estadual de saúde do PT produziu uma discussão política e ideológica de alto nível. Quase 200 pessoas, representando 18 cidades paulistas estiveram presentes.

O encontro, realizado no sábado, 18, no campus Vergueiro da Uninove, foi aberto com uma mesa que reuniu o cientista político André Singer, da USP, e o professor Nelson Rodrigues dos Santos, da Unicamp, que também preside o Instituto de Direito Sanitário.

Na sequência, uma discussão sobre modalidades de gestão na saúde em cidades administradas pelo PT contou com a presença do prefeito de Araras, Nelson Brambilla, e dos secretários municipais de saúde José de Filippi Júnior (São Paulo), Arthur Chioro (São Bernardo do Campo) e Carlos Derman (Guarulhos).

Ao abrir os trabalhos, o deputado Carlos Neder, que coordena o Setorial Estadual de Saúde, destacou a relevância dessa instância partidária. Lembrou que há um importante debate sobre o papel dos setoriais e a possibilidade de que eles aprovem resoluções, que favoreçam políticas públicas.

A saúde e o PT

André Singer, que abriu a primeira mesa, abordou as políticas públicas universais e o projeto estratégico do PT para o Brasil. Em sua avaliação, o partido mudou o projeto a partir de 2002, com a eleição de Lula. Sua concepção inicial, assinala Singer, se ancorava nos princípios defendidos por Karl Marx, de que a emancipação da classe trabalhadora seria obra dessa própria classe.

Essa proposta original acaba sendo diluída com o passar do tempo, substituída por outras concepções que propõe, implicitamente, uma relação em que não há confronto com o capital.

“O partido terminou por se unificar dentro de uma ideia de que a transformação viria de dentro da classe trabalhadora para construir um estado de bem-estar social, no modelo do que se alcançou de mais avançado na Europa”, afirmou Singer.

Tais políticas, segundo ele, que garantem direitos universais aos cidadãos, como no caso da saúde, com forte influência do sistema público nacional inglês, já se constituem como uma proposta socialista.

“Não era necessário esperar o dia da revolução, pois ela já estava acontecendo. Por isso é tão fundamental para o neoliberalismo derrotar isso. Já é o socialismo e muitas vezes nós, da esquerda, não percebemos”, ponderou.

Já o professor Nelson Rodrigues dos Santos, que discorreu sobre o sistema público e universal de saúde ante a possibilidade de sua viabilização com soluções de mercado, apresentou ponto de vista divergente. Partindo do pressuposto de que o estado de bem-estar social ocorre dentro do capitalismo, argumentou que a universalização é uma conquista das sociedades.

“Esses estados, dentro da própria produção capitalista, acabaram compatibilizando o bem-estar e os direitos públicos da cidadania universais, com fator de elevação da produtividade, do próprio modo de produção capitalista”, afirmou Santos. “Esses sistemas públicos não são enclaves socialistas dentro do capitalismo”, completou.

Com relação ao ponto central de sua exposição, o professor da Unicamp foi taxativo ao afirmar que não é possível viabilizar a saúde pública e universal com soluções de  mercado.

“Solução de mercado é negócio. No mundo dos negócios, a primeira solução apresentada foi a iniciativa estatal absurda de desinvestimento nessa política pública”, disse.

Para Santos, a redução do investimento no Sistema Único de Saúde impediu que houvesse crescimento e organização da atenção básica. Com isso, o país não pôde alcançar o mesmo patamar do grupo de 15 países em que a universalização deu certo, nos quais a atenção básica resolve de 80% a 90% dos casos.

“A nossa atenção básica cresceu muito nos anos 90 e chega a um patamar em que deixa de crescer. A cobertura hoje se estabiliza em 30% a 40% da população, com grau de qualidade baixo”, avalia. “Essa inflexão, de onde não cresce desse patamar sem investimento em profissionais e fixação de equipes junto à população, já deu caráter à atenção básica que todos os estudiosos avaliam como focalizada e compensatória. Não tem mais objetivo de vir a resolver a maioria das necessidades de saúde”, conclui o professor.

Gestão municipal

No período da tarde, o seminário trouxe a contribuição de três secretários municipais de saúde, além de um prefeito, que discorreram a forma como se dá a gestão desse setor em seus respectivos municípios.

José de Filippi, secretário de saúde de São Paulo, destacou as ações que tem conseguido implementar na pasta, que comanda há pouco mais de quatro meses. Ressaltou o fato de ter encontrado uma secretaria desarticulada. Como exemplo, pontuou que a secretaria tem recebido um volume importante de recursos. Nos últimos oito anos, seu orçamento, que era de R$ 2 bilhões subiu para quase R$ 7 bilhões.

“Contraditoriamente, a população vem reclamando cada vez mais de que a saúde é o principal problema da cidade”, assinalou o secretário. “Isso deixa claro que há problemas de falha de gestão”. Filippi observa que o quadro encontrado na pasta é “híbrido”, no qual a administração direta foi esvaziada ao longo dos últimos oito anos, sem a reposição dos funcionários que estão se aposentando.

Para o secretário, a desarticulação também se deu na reprodução de um modelo de assistência do tipo “fast-food”, representado pelas AMAs (Assistência Médica Ambulatorial).  A desarticulação, segundo ele, se reflete no próprio modelo de gestão.

Filippi ressaltou que há cidades nas quais as Organizações Sociais que atuam na saúde se submetem à gestão e ao planejamento público, enquanto que em São Paulo a situação se inverteu, fazendo que essas entidades tenham sua própria política, gestão e marca. “Nós já tivemos alguns embates nesses quatro meses”, pontua. Argumenta, contudo, que não há possibilidade de abrir mão do modelo de gestão por meio de OSs nos próximos meses, sob o risco de comprometer a assistência.

O secretário garantiu também que nos próximos contratos de gestão a serem firmados entre o governo municipal e as entidades será reduzida a atual autonomia dos parceiros, considerada “inadmissível” por ele.

O secretário de saúde de São Bernardo do Campo, Arthur Chioro, colocou como foco de sua explanação a necessidade de se construir um projeto consistente para a saúde. “Não há modalidade de gestão que possa suprir a carência de projeto”, disse.

“É preciso ter clareza de onde queremos chegar e discutir projeto conjuntamente, valorizando instâncias colegiadas do SUS, o conselho municipal de saúde, conselhos gestores”, pontuou Chioro, que destacou como fundamental o fortalecimento da atenção básica.

O secretário de São Bernardo ressaltou a importância do modelo implantado na cidade, que utilizou a Fundação ABC, uma fundação estatal de direito privado, responsável pela gestão de equipamentos municipais de saúde.

“É um debate falso ficar apenas na questão administração pública e OSs. Existe um campo enorme com outras possibilidades. Nós precisamos construir esse debate sobre que reforma de estado queremos”, assinalou.

Segundo ele, o emprego de uma fundação estatal permite ganhos em autonomia no contrato de gestão, com regras claras e planejamento.

O secretário Carlos Derman, de Guarulhos, lembrou que o PT administra a cidade já há 12 anos. Destacou que o município sofreu salto populacional vertiginoso nos últimos 30 anos, passando de 200 mil habitantes para 1,3 milhão.
Atualmente, todas as Unidades Básicas de Saúde do município estão sob a administração direta.

As equipes de Saúde da Família da cidade, que eram administradas por OSs, passaram para a gestão municipal, por meio de concurso. Atualmente, três CAPs de Guarulhos estão sob administração de OSs, além de um serviço de fisioterapia. Outros dois PAs e uma UPA são  administrados pela Santa Casa de São Paulo. Além disso, o Hospital Pimentas-Bom Sucesso é gerido pela SPDM.

Derman destaca que a secretaria municipal de saúde criou comissões de acompanhamento para fiscalizar a atuação das OS. Elas são formadas por técnicos da pasta, representantes do Conselho Municipal de Saúde e da própria OS. A sistemática de remuneração das entidades ocorre por meio de uma conta bancária específica para esse fim, cuja movimentação é justificada por meio de prestação de contas à prefeitura. “Nós procuramos acompanhar de perto”, frisa.

Já o prefeito de Araras, Nelson Brambilla, que é médico e já foi secretário de saúde na cidade, apontou o risco de interrupção da Estratégia de Saúde da Família, por falta de médicos. Segundo ele, falta formação para esses profissionais.

“O sistema sofreu aumento de custo violento, que coloca esse sistema em risco de ser inviabilizado no futuro”, disse o prefeito. “O país, o Ministério Saúde, ainda não têm uma política para incentivar a universidade a formar o médico para que esse programa dê certo”, destacou.

Brambilla reconheceu que há dificuldade em ter velocidade nas ações empreendidas pela administração direta. Mas pontuou que possui “sérias restrições” às OSs e Oscips. “Quero me aprofundar com o Arthur Chioro sobre esse modelo das fundações”, frisou.

Assista AQUI ao vídeo da reportagem sobre o seminário.

(Publicado originalmente no site do deputado Carlos Neder)



Bolsa Família teve impacto na queda da mortalidade infantil, aponta estudo

May 23, 2013, by Unknown - No comments yet

Uma pesquisa feita para avaliar os impactos do Programa Bolsa Família nas taxas de mortalidade infantil mostra redução de 17% na mortalidade de crianças menores de 5 anos, entre 2004 e 2009. A pesquisa foi feita com dados de cerca de 50% dos municípios brasileiros e revela que o programa contribuiu, principalmente, para a redução dos óbitos em decorrência da desnutrição. A pesquisa registra que o Programa Saúde da Família também contribuiu para a queda dos números.

Os dados apontam que a condicionalidade do Bolsa Família de determinar que as crianças estejam com o cartão de vacinação em dia foi um ponto importante, já que aumentou a cobertura de imunização contra doenças como sarampo e pólio. O aumento da renda das famílias beneficiadas, que ampliaram o acesso a alimentos e bens relacionados à saúde, também é citado. Esses fatores foram destacados pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello.

“O Bolsa Família melhorou a alimentação das mães. Os estudos mostram que as família se dedicam a comprar comida com esses recursos e isso já é um elemento de alteração do padrão de vida da criança. Ter acompanhamento pré-natal também contribui muito porque a criança já é cuidada antes mesmo de nascer”, disse.

A pesquisa aponta que o Programa Saúde da Família, que oferece atenção básica à saúde, teve papel na redução da mortalidade causada por doenças como diarreia e infecções respiratórias. A redução no número de grávidas que davam à luz sem receber atendimento pré-natal também foi registrada pela pesquisa.

“Os dois programas se complementam para evitar o adoecimento das crianças na primeira infância. É importante observar como uma pequena quantia de dinheiro pode ter tamanho benefício em relação à mortalidade infantil”, avaliou Maurício Barreto, mestre em saúde comunitária e titular em epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

A pesquisa foi conduzida pelo mestre em saúde comunitária da UFBA, Davide Rasella, com a participação de pesquisadores da instituição. Os resultados foram publicados pela revista The Lancet, periódico científico da área de saúde, com sede no Reino Unido.

(Da Agência Brasil)



Cientistas brasileiros assinam manifesto pela descriminalização das drogas

May 22, 2013, by Unknown - No comments yet

Rio de Janeiro – Cientistas brasileiros divulgaram na terça-feira 21, na sede da ONG Viva Rio, um manifesto em defesa da descriminalização das drogas e de uma política mais humana com relação aos usuários. O documento será entregue ao Congresso Nacional como uma contribuição dos pesquisadores para o debate pela mudança na legislação sobre drogas. De acordo com um dos signatários da carta, o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Lent, a legislação atual (11.343/2006) não faz distinção clara e objetiva entre usuário e traficante, o que gera arbitrariedades e prisões injustas.

O manifesto pode ser acessado no site www.precisamudar.com.br e está aberto para assinaturas de outros membros da comunidade científica. Dentre os signatários da carta estão os ex-ministros da Saúde José Gomes Temporão e da Ciência e Tecnologia Sérgio Machado Resende, além da presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader.

“No fogo da batalha, às 3h da manhã, o indivíduo [portanto drogas] se for de cor negra é traficante e se for de cor branca, talvez não. Logo o preconceito racial vai aparecer. O preconceito social também, pois se o indivíduo for de classe C ou D vai ser considerado traficante e se for de classe A, talvez não seja”, lamentou Roberto Lent.

O cientista ressaltou a importância da lei definir quantidades de porte para cada droga que diferenciariam um traficante de um usuário. “O policial poderia, facilmente, ter uma pequena balança no carro, assim como o bafômetro, na Lei Seca, que deu tão certo”, sugeriu Roberto Lent, que citou Portugal como exemplo de país que já estabelece uma quantidade máxima para porte do usuário.

Ele destacou que 90% dos jovens interceptados com porte de drogas pela polícia são réus primários e não têm porte de arma. “A dependência química é uma doença. A pessoa que é usuária deve ser considerada um doente, não um criminoso. Mesmo o usuário que não é dependente, que nós chamamos de usuário recreativo, está sob risco”, completou.

O professor do Instituto de Biofísica da UFRJ, Ricardo Reis, ressaltou que a ciência têm mostrado que a questão das drogas é um problema de saúde e não de polícia. Ele defendeu que ações de restrição social, de publicitária e políticas educativas têm se mostrado muito efetivas no combate às drogas, ao contrário das ações de repressões. “Em relação a nicotina, o Brasil talvez tenha feito uma das maiores campanhas contra o fumo nos últimos 20 anos, e as estatísticas mostram que houve uma redução no consumo de cigarro e a nicotina não foi proibida”, exemplificou.

Ambos os cientistas falaram do problema do álcool no país que, segundo eles, é muito mais grave que o das demais drogas, principalmente por que há exaltação da bebida alcoólica por meio das campanhas publicitárias e seu uso irrestrito em lugares públicos.

Para o diretor executivo da ONG Viva Rio, Rubem César Fernandes, o Brasil precisa superar a tendencia proibicionista. “A proibição só beneficia o bandido. A própria Organização dos Estados Americanos (OEA), que inclui Estados Unidos e Canadá, acaba de lançar um relatório sugerindo mudanças nessa direção [da prevenção e tratamento]. Por isso, esperamos que o Brasil consiga entrar na atualidade do debate e do diálogo mundial”, concluiu ele.

(Da Agência Brasil)